Categoria "Documentários"

{Documentário} Amy

Em 10.02.2016   Arquivado em Documentários

Hoje eu vi o documentário da Amy Winehouse no Netflix. E sinceramente, apesar de triste, só confirmou algumas coisas que eu já imaginava.

Amy cresceu numa família não muito favorável. Apesar de pais vivos, ela tinha sua avó paterna como exemplo. Sempre foi uma pessoa um pouco problemática por traumas de infância. Aos 18, quando realmente começou a dar alguns passos na carreira, ela já bebia muito e tinha a maconha como sua companheira, além de ter bulimia e se cortar.

Pra qualquer pessoa, tendo vindo de uma boa estrutura familiar ou não, já é difícil lidar com a fama quando ela acontece. Mas pra quem já vem desestruturado emocionalmente, realmente fica difícil de suportar.

Por muitos momentos no documentário ela falava que não aguentaria a fama, que se ela ficasse famosa de não poder andar mais na rua, se mataria. E foi mais ou menos isso que aconteceu.

Em certo momento, quando a bebedeira já estava bem forte, os produtores mesmo cogitaram internar Amy numa reabilitação, mas ela disse que só concordaria se o pai concordasse também. E o pai, pasme, olhou pra ela e falou que ela estava bem, que não via necessidade de Rehab. Então, naquele momento crucial, onde ela só tinha basicamente o problema com bebidas e ainda não usava drogas pesadas ainda, o pai decretou a morte dela com aquela frase.

Daí em diante, embora sua carreira artística estivesse melhorando a cada dia, pessoalmente ela estava só piorando. Mas sinceramente, acredito que realmente a cartada final pra ela foi ter conhecido Blake e ter se envolvido com ele. Porque até então, ela não era tão down daquele jeito. Mas ele trouxe até ela a cocaína, o crack e a heroína. Ele era destrutivo pra si mesmo e pra ela. Ele também vinha de uma família desestruturada, e os dois gritavam suas dores juntos. Se drogavam, se machucavam física e emocionalmente juntos, mas não conseguiam ficar separados. Amy estava obcecada por ele, e de repente, ele foi embora. Aí ela se afundou de vez. Até tentou ter um outro namorado, mas quando o álbum “Back to Black” estourou, Blake voltou pra ela como num passe de mágica. Você achou estranho? Pois foi isso mesmo que você pensou. Ele a usava pra comprar as drogas, e impedia que ela ficasse bem, porque se ela ficasse, não teria mais quem pagasse as drogas pra ele.

Certa ocasião, quando ela teve uma overdose e estava internada no hospital, durante a visita ele levou heroína pra ela. Ela quis ir pra reabilitação e ele só queria se estivesse junto com ela. E ele foi junto, e quando saíram juntos, ele levou ela direto pra um hotel e se drogaram até não poder mais. Ele foi levando ela cada vez mais pro fundo do poço, e o pior, no documentário, ele mesmo narra essas partes e conta tudo o que fez com ela, admitindo que ele apresentou todas essas drogas pra ela.

O relacionamento ficou bem abalado quando ele foi preso, e ela, em uma tentativa de ser feliz, foi fotografada com outro homem na praia. Ele da prisão, acusou a Amy de infidelidade e pediu o divórcio, processando ela, como se ele fosse o bonzinho.

Pra piorar, lembra aquele pai que disse que ela estava bem e não precisava de reabilitação? Era o mesmo pai que colocava ela desmaiada dentro do jatinho e levava ela pra todo o canto pra fazer mais shows, mesmo quando ela dizia que não queria. Em uma parte do documentário, ela fala pro pai: “É dinheiro que você precisa? Eu te dou dinheiro! Mas me deixe aqui descansar!”

E assim vemos que nenhuma pessoa nesse mundo é tão forte assim. E que as pessoas mais próximas são as que mais nos machucam e deixam marcas profundas. São essas que nos causam os verdadeiros traumas, porque estamos desarmadas contra elas. Como podemos imaginar que uma pessoa que supostamente deveria nos amar, nos faz tão mal?

É um documentário que eu aconselho que todos que tem filhos vejam. Porque mostra claramente como uma conduta errada de um pai que só visa dinheiro, junto com uma mãe omissa, podem fazer com um filho.

{Resenha do documentário} Blackfish

Em 04.02.2015   Arquivado em Documentários

Nome do documentário: Blackfish – Fúria Animal
Classificação etária: Livre
Ano de lançamento: 2013
Sinopse: O longa conta a história de Tilikum, a principal baleia orca do parque temático SeaWorld, em Orlando, Estados Unidos, responsável pela morte de três pessoas. Imagens fortes e entrevistas emocionantes compõem o painel e ajudam a entender o comportamento da espécie, o tratamento cruel no cativeiro, além de recuperar as trajetórias e mortes dos treinadores, pilares de uma indústria multibilionária. O filme convida o espectador a repensar nossa relação com a natureza e explicita o quão pouco os humanos estão dispostos a aprender com esses mamíferos.

Minha classificação (sendo de 1 a 5 estrelas):

Meus comentários: Pra começar, eu acho que não chorava assim há muito tempo. Blackfish realmente é um documentário emocionante, onde coloca em pratos limpos o que realmente é o SeaWorld e outros parques aquáticos associados a eles.

O documentário é feito pelos ex-treinadores de lá, que dão depoimentos de como tudo acontecia. Pra começar, não precisava ser biólogo marinho pra ser um treinador de orcas e outros animais aquáticos. No SeaWorld eles diziam que não precisava ter um diploma, mas o essencial era a personalidade do treinador (uma personalidade que combinasse com as baleias), e se ele era bom nadador. Nisso, eles só contratavam pessoas sonhadoras, que amavam as baleias mas eram desqualificadas e desprovidas de qualquer conhecimento sobre a natureza dos animais e como eles realmente se comportavam em seu habitat natural.

Contratar pessoas desqualificadas era o primeiro passo: pois todo o treinamento que o Sea World dava a eles na verdade era uma lavagem cerebral, dizendo que tudo o que acontecia ali era extremamente natural, e que as baleias estavam melhor trancadas em tanques do que soltas pelo mar porque tinham todo o tratamento veterinário e que elas viviam mais tempo em cativeiro por estarem protegidas.

A coisa mesmo começou a degringolar quando Tilikum (uma orca macho) comeu uma treinadora do SeaWorld. Pra ser mais exata, a melhor treinadora do parque, a que mais se dedicava e a mais experiente. Nesse momento, treinadores, repórteres e todas as outras pessoas começaram a se perguntar se era realmente natural baleias ficarem trancadas em tanques por toda a vida. Começaram a se perguntar se a morte da treinadora realmente foi um acidente, como dizia a assessoria de imprensa do SeaWorld, ou foi um ataque psicótico de uma baleia presa por décadas, passando fome, sendo atacada por outras baleias, e sem poder viver de maneira digna com sua família, a quem foi capturada e retirada de seu seio familiar.

É um documentário emocionante, que faz você pensar se realmente vale a pena gastar seu dinheiro pra ir a um parque desses, e outros que funcionam da mesma maneira.

Eu refleti muito depois disso, e acredito que nunca irei ao SeaWorld nem nunca deixarei meu filho ir. No Zoo DeLujan (em Buenos Aires), acontece algo semelhante com os animais, que são dopados durante todo o dia para que um bando de babacas possam ir lá e tirar foto sentando na corcunda do leão ou segurando um filhote de tigre.

Recomendo muito que todos possam ver esse documentário. Já que não podemos fechar o SeaWorld, nossa única saída é alertar as pessoas do que acontece lá e em outros parques semelhantes, pra que as pessoas não comprem ingressos.

Aqui embaixo algumas fotos e o trailer do documentário:

Outros links que valem a leitura:
O efeito Blackfish: Alerta dá resultado
15 RAZÕES PARA NÃO LEVAR SEU FILHO AO SEAWORLD

Resenha do documentário: Auschwitz – Inside the Nazi State

Em 24.02.2014   Arquivado em Documentários

Recentemente eu ganhei 1 mês grátis pro Netflix, então fui lá aproveitar, né? Selecionei um monte de filmes que eu queria ver, até que me deparei com uma lista de documentários. Eu, a louca dos documentários (sim eu adoro, não me julgue), fiquei doidinha pra ver todos. E escolhi começar por esse:

Nome do documentário: Auschwitz: Inside the Nazi State
Classificação etária: 12 anos (eu acho que deveria ser pra maiores de 18 anos)
Sinopse: Esta série de documentários aborda um dos assuntos mais inquietantes da história: o Holocausto e o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau.

Minha classificação (sendo de 1 a 5 estrelas):

Minhas considerações:
Eu sempre tive muita curiosidade sobre o tema do holocausto, e sempre li livros sobre isso. Livros de pessoas sobreviventes. Sempre gostei muito de história na escola e sempre estudei muito sobre a guerra e o nazismo. Mas eu nunca tinha visto com tantos detalhes a verdade nua e crua sobre tudo que aconteceu nos campos de concentração.

Acho que eu não tinha uma ideia do tamanho real de tudo, e acho que quase ninguém tem essa ideia. E eu passei a ver a realidade nesse documentário. São 6 capítulos de mais ou menos 45 minutos cada. Mostra depoimentos de sobreviventes, e pasmem, depoimentos de oficiais da SS que estão hoje por aí vivendo vida boa em vez de estarem na cadeia por crimes de guerra.

O documentário vai fazendo uma timeline da evolução da guerra e a evolução do que eles chamavam de “Final Solution” pros judeus, ou seja, uma solução definitiva pra exterminar todos eles e não sobrar nenhum. De acordo com Hitler, um dos grandes motivos pelos quais a Alemanha havia perdido a Primeira Guerra Mundial era porque os judeus haviam feito combinações secretas contra os alemães e ele considerava os judeus perigosos e tinham de ser exterminados!!! Eles eram um flagelo e eram considerados uma raça sub-humana. Hitler fazia essa lavagem cerebral no país inteiro, de modo que os próprios alemães podiam surrar judeus em praça pública (ABSURDO!!!).

Conforme o documentário, quando os campos de concentração começaram a ser construídos, eles levavam os judeus pra lá e matavam a tiros. Mas isso era muito lento e muito caro. Então eles foram evoluindo na técnica de matar. Mandaram alguns prisioneiros cavar valas, e até então eles não sabiam porque estavam cavando um buraco tão grande. Eles colocaram muuuuuitas pessoas vivas lá dentro e explodiram todo mundo, de modo que voou pedaço de corpos pra todos os lados. Os prisioneiros tinham que catar pedaços de corpos e jogar nas valas de novo pra enterrarem. No documentário fala que alguns pedaços de corpos ficavam tão alto nas árvores que eles desistiram de mandar retirar e eles ficaram lá. Depois de verem que esse método também não dava certo, surgiu uma nova ideia: o Zyclon B era um pó tóxico que vaporizava e eles usavam pra desinfetar as roupas dos prisioneiros que estavam com piolhos e outras pragas. Eles resolveram então testar o Zyclon B na matança. Fizeram uma câmara improvisada e colocavam as pessoas lá e jogavam o pó por uma portinhola, mas mas pessoas ficavam agonizando até eles conseguirem “acertar” a quantidade do pesticida pra poder matar todo mundo de uma vez.

Você pensa que existia apenas um campo de concentração? Pois eu pensava que sim. Mas não! O campo em Auschwitz era um complexo de muitos blocos, que se juntava com outro campo: Birkenau. O complexo se chamava Auschwitz-Birkenau. Tinham vários outros, e se eu não me engano, no documentário fala 45, mas eu não tenho certeza. O que me marcou mais foi a parte do campo de Treblinka, onde nem tinha alojamento pra prisioneiros: era só crematório e vala. Esse era um campo escondido no meio da floresta, e todo mundo que ia pra lá, saía do trem e morria na mesma hora. Só nesse campo de Treblinka foram contabilizadas mais de 1 milhão de mortes.

O que me dá mais revolta nisso tudo é que na verdade essa coisa de “Vamos poupar pelo menos as mulheres e crianças” na verdade era totalmente ao contrário! Quando os judeus chegavam no campo, eles logo faziam uma seleção rápida, do tipo: mulheres, crianças, doentes e idosos pra um lado, homens jovens pro outro (algumas mulheres jovens sem filhos também). Essa fila das mulheres, crianças, doentes e idosos ia DIRETO pro crematório, porque só dava despesa e não servia pra nada. Eu fiquei imaginando eu na fila, entrando no crematório com o Rodrigo no colo, vendo meu filho agonizar até morrer e eu apertado ele num abraço. Que absurdo alguém ter a falta de humanidade de fazer isso! Eu tenho vontade de chorar só de pensar! Os prisioneiros que restavam trabalhavam até morrer ou até o campo encher demais e eles irem pra vala.

As crianças gêmeas eram as que sobreviviam, pois eram levadas pros laboratórios médicos onde serviam de cobaia humana pra experiências científicas. Mulheres se matavam pra trabalhar no “Canadá”, o setor onde eles separavam todos os pertences das vítimas mortas, pois elas tinham o grande privilégio de poder comer as sobras de comida que encontrassem nas malas. Homens brigavam pra ter a posição de serem os que carregavam os corpos mortos pras valas, porque tinham a chance de viver mais. Pensar em uma sobrevida dessas é tão absurdo que parece que alguém inventou uma história dessas.

Enquanto os judeus eram dizimados, os alemães enriqueciam muito! Nos campos de concentração, eles se apoderavam dos pertences das vítimas: jóias, dinheiros, casacos de pele, roupas. Fora dos campos, as casas vazias dos judeus eram ocupadas por famílias alemãs que usurpavam tudo. Não sei o que é pior: você ficar anos no campo de concentração vendo todo mundo que você conhece morrer, ou ser uma sobrevivente, a úncia sobrevivente de toda a sua família, e voltar pra casa sem 1 centavo no bolso e achar uma outra família ocupando tudo que era seu e você ser obrigado a viver nas ruas e continuar sem ter o que comer. Que fardo gigante essas pessoas passaram!

Não consigo descrever como eu fiquei abalada com esse documentário. O que eu contei aqui é só uma pequena parte. Enquanto eu digo a vocês que é maravilhoso, porque mostra a verdade nua e crua do holocausto, é chocante, porque mostra muitos vídeos da época e fotos feitas pela SS enquanto os oficiais matavam todo mundo. A cena que mais me chocou foi um trator que vinha pegando um monte de corpos como se fosse entulho e ia jogando dentro da vala. A vida não era nada, não significava nada. Chorei muito. Os antigos oficiais da SS contam em detalhes como as coisas aconteciam, como eles matavam, como eles não tem arrependimento, como eles roubavam os pertences dos mortos, como eles enriqueceram ilicitamente. Eu aconselho muito a todos a verem, mas vão com o coração preparado. Não aconselho que crianças e adolescentes vejam essas coisas, embora na classificação esteja 12 anos, porque realmente é bem chocante.