{Espaço da Leitora} Família Rosa Pastro

Em 06.07.2015   Arquivado em Maternidade

Olá belezuras!!! Como vocês estão?

Tem um tempinho que a gente não coloca relatos de leitoras aqui, não é verdade? Mas hoje estamos mudando isso! <3 Recebi esse e-mail fofíssimo de uma leitora! Eu tinha pedido pra ela fazer um relato há muito tempo atrás, mas como nunca tinha recebido achei que ela tinha desistido ou esquecido. E quando finalmente recebi, me emocionei muito lendo! Foi muito bom esperar esse tempinho… hehehe… Ficou longo mas vale a pena a leitura!

Mamãe: Daniele, 30 anos, estudante de Direito.
Papai: Rogério, 44 anos, Servidor Público.
Bebê: Laura, 8 meses.

“Já faz um tempo que a Mari me pediu para escrever minha experiência com a chegada da minha filha, mas parece tão óbvio e ao mesmo tempo tão difícil falar sobre isso! Tenho medo de não conseguir passar através de palavras aquilo que vivi.

O meu sininho da maternidade começou a tocar há bastante tempo! Porém, em 2013 (e com 6 anos de casamento) é que a coisa ficou feia! Rs… Em julho de 2013 parei o anticoncepcional, procurei um médico para exames, comecei a tomar ácido fólico. Aí vem o primeiro problema: eu não tinha um obstetra. Acreditava ser fácil encontrar um, afinal são tantos!! E eu só queria que corresse tudo bem e que meu bebe nascesse como eu nasci… Naturalmente. Mas eu estava totalmente enganada! Quando cheguei ao consultório do primeiro obstetra (ele é bem conhecido em Floripa) ele nem me olhou! Não perguntou se eu era casada, se já havia engravidado alguma vez, nada! Só me deu exames porque eu pedi, e só faltou dizer: “O que vc faz aqui se ainda não está grávida?” Saí de lá chateada e desiludida. Mas decidida a encontrar um bom médico.

Foi então que uma amiga me indicou seu próprio obstetra, que era de se apaixonar! E realmente, eu e meu marido nos apaixonamos por ele à primeira vista! Ele nos olhava de verdade, tinha interesse na nossa história, perguntou sobre mim, sobre meu marido, deu valor ao nosso sonho!! E como meu caminho desde o primeiro médico até chegar nele demorou 6 meses de tentativas sem engravidar, saímos do consultório com meu dia fértil calculado e um “esquema” pra dar certo. Ele se despediu com um largo sorriso e votos de que voltássemos grávidos o mais rápido possível! Por incrível que pareça foi muito rápido! Logo na primeira tentativa no dia fértil, lá estávamos nós, menstruação atrasada… Peraí! Quando considerar que a menstruação está atrasada? Nunca pensei nisso! Nunca tinha feito teste! Liguei pro meu guru (minha irmã mais velha) e perguntei: “Quando posso considerar a menstruação atrasada?” E ela quase num espirro: “Um dia!” E já estava atrasada há 2 dias!

Estávamos viajando, por isso só me dei conta na volta. Peguei um teste de farmácia e numa manhã de domingo eu acordei cedo e… POSITIVO! Voltamos ao consultório, agora com o sorriso mais largo que do meu querido médico! Logo no primeiro ultrasom aquele TUM TUM TUM rápido! Era um coração! Que emoção! Ainda sinto os olhos cheios de lágrimas de lembrar! Como pode? Tão pequeno ter um coração que pulsa tão forte?

Durante a gestação contratamos uma doula, estudamos muito sobre parto, sobre os benefícios, sobre os riscos, procedimentos, o que poderia acontecer… Tive uma gestação tranquila, saudável, acompanhada de perto pelo querido obstetra, pela família e pelos amigos! <3 Estava com 39 semanas e 6 dias quando comecei a perder o tampão. Não sentia nada, só via aquela clara de ovo saindo aos poucos. Isso era um domingo (19/10/14). Na segunda comecei a ter contrações leves, os chamados pródromos. Meu marido não foi trabalhar, até colocou a roupa que estava reservada pra ir pra maternidade, coitado! Mas eu sentia que não era a hora ainda! Estava combinado que ninguém saberia que o momento havia chegado (por orientação da doula). Avisar parentes e amigos aumenta a ansiedade, as pessoas começam a ficar impacientes e isso pode atrapalhar o desenrolar do parto.

Ficamos em casa, as dores vinham e iam (os intervalos eram de no máximo 15 minutos). Muito banho morno, muito gemido pela casa. No dia 21/10 (terça), eu tinha consulta com obstetra. Foi nesta consulta, já completando 40 semanas naquele dia, que ele fez o exame de toque e viu que já estava com 4 dedos de dilatação! Me mandou ir pra casa, descansar porque nos veríamos em poucas horas. Viemos pra casa e as contrações aumentavam, mas não chegavam a ter o ritmo esperado. Eu entrava no banho e elas diminuíam. Quando já era noite a nossa doula ligou e me ouviu no meio de uma contração. Ela falou para irmos para a maternidade que ela nos encontraria lá, e que entraria em contato com meu médico.

No primeiro toque na maternidade a bolsa rompeu. Tudo ok com a minha Laura, sala de parto com pouca luz, quarto quentinho, banheira cheia. Começamos a maratona #vemlaura. Pula na bola, toma banho, banheira, e depois de algumas horas um novo toque e uma surpresa: um edema no colo do útero. O edema impedia a Laura de descer. Tentei descansar para ver se ele desaparecia, mas as contrações estavam muito fortes. Foi quando tivemos a indicação de analgesia e consequentemente oxitocina. Não era bem o que eu queria, mas sabia que não tinha como ser diferente, e confiava no meu médico. Fui para o centro cirúrgico e marido foi dormir, pois já era a terceira noite sem dormir. A doula também dormiu, mas meu médico ficou comigo enquanto eu tentava dormir, sem sucesso.

Quando a analgesia diminuiu o efeito e as contrações voltaram, o edema já havia desaparecido e ouvi um sonoro “agora vai” do meu médico!!! Ele mandou chamar meu marido e a doula, porque agora a Laura iria nascer! Fiquei em muitas posições até encontrar a que me sentia melhor (de joelhos na cama) e muita força, muito grito, muito apoio. Nesse momento as minhas lembranças já são meio bagunçadas! Me lembro da doula me pedindo para tocar o cabelinho da Laura ainda dentro (pode parecer esquisito, mas dá uma força incrível)!!! Lembro do meu marido dizendo que minhas pernas estava roxas (devido à força). Lembro das mensagens de apoio dos 3 (mais do médico e da doula, porque acredito que meu marido estava meio paralisado). E quando coroou tiraram o acesso da analgesia das costas, eu entrei na banheira e duas empurradas a cabeça saiu. Acariciei o cabelinho e descansei até a próxima contração, quando saiu o corpo todo. Ela veio direto pro meu colo, chorando! Eu chorava muito, marido emocionado, médico batendo as fotos… Estava paralisada com tudo aquilo! O médico e a doula me disseram pra jogar água na Laura, pra ela ficar quentinha. Era linda, macia, saudável! Meu marido segurou o cordão até parar totalmente de pulsar, e então ele cortou.

Logo depois a Laura foi pra pediatra pois estava um pouco gemente mas logo parou, depois de aquecida. Voltou pros meus braços e pro colo do pai, de onde ela nunca mais saiu. Não ficou nenhum minuto longe dos nossos olhos, não foi identificada, não ficou longe, não tomou banho, tinha vernix pelo corpo, pelo cabelo. É um cheiro inigualável, um cheiro que nunca vou esquecer! Porém não ficou nas roupas e ela nunca mais teve… :(

Então no dia 22/10/2014 nasceu a Laura, com 49,5 cm e pesando 3,200 kg.

Durante toda gestação eu descobri como é difícil parir no Brasil, como os médicos induzem as mulheres a querer marcar a hora do nascimento dos filhos, como as mães são roubadas desse momento. Também descobri que muitos hospitais (a maioria) faz partos A-normais, onde ocorre muita violência física e psicológica contra as parturientes, onde se prevalece o conforto médico, onde procedimentos são feitos sem necessidade.

Eu gritei, chorei, fiz xixi (fiz até cocô), tive que passar por cima da vergonha disso tudo, porque faz parte!!! É natural, é fisiológico! Não foram feitos procedimentos “de rotina” comigo, como raspar os pêlos pubianos, episiotomia, toque durante a gestação, lavagem intestinal. Não fiquei em jejum, não fiquei sem água, não fui privada da companhia do meu marido! Tive a presença da minha doula, e de quem mais eu quisesse, e além disso não invadiam a sala de parto o tempo todo! Fui respeitada no meu momento, fui atendida como toda mulher deveria ser, fui exceção quando deveria ser regra. Mas me informei, li muito, aprendi sobre cada procedimento. Me empoderei. Não segui simplesmente o que dizia o médico, porque se assim fosse, teria ficado com aquele primeiro e teria acabado numa cesariana desnecessária, sem a minha vontade.

Não estou aqui para condenar quem opta por cesária, longe disso, só quero passar uma experiência positiva do parto, da minha história!!! E a dor? Sim, ela esteve presente, ela apareceu na madrugada de segunda e só foi embora na manhã de quarta, com o nascimento da minha filha. E porque a dor não faz parte do meu relato? Porque ela foi uma mera coadjuvante… Ela me dizia a todo momento que meu bebê estava cada vez mais próximo. Eu me entreguei à dor, e ela não me dominou.

E uma frase que depois de tudo que aconteceu faz muito sentido pra mim: as mulheres sabem parir e os bebês sabem nascer! Um beijo carinhoso da nossa família!”

Tenho certeza que você está chorando agora, não é mesmo? Eu também estou. É muito lindo poder ver um casal empoderado, dando luz da maneira que todas nós deveríamos. Estou orgulhosa dessa família e espero ter a oportunidade de ainda poder colocar aqui pra vocês muitos outros partos lindos e realmente naturais, como o nascimento da Laura.

  • Miriam

    Em 06.07.2015

    Lindo e emocionante relato!! Parabéns Daniele pela perseverança em procurar verdadeiros profissionais da saúde que valorizam e respeitam a mulher em um momento tão importante. Mari, arrasou por disponibilizar o espaço do blog para histórias como esta! <3

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    Mariana Reply:

    :)

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  • Poly

    Em 06.07.2015

    Que relato lindo!
    Uma pena que partos assim ainda sejam a minoria no Brasil. Praticamente minhas amigas e conhecidas escolheram ter cesárea por causa dos abusos que acontecem nos partos normais.
    Os planos de saúde e o SUS querem enfiar o parto que eles preferem, não a escolha da mulher. Lamentável.
    Que cada vez situações como a da Daniele aconteçam.
    Bjuxxxx

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    Mariana Reply:

    :)

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  • Chell

    Em 06.07.2015

    Perai, meus olhos suaram aqui…

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    Mariana Reply:

    Hahahaha 😉

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  • Flávia

    Em 06.07.2015

    Lindo mesmo!
    Sempre fico emocionada lendo esses relatos. E olha que nem sou mãe ainda… hehehehhe
    Bjs

    http://www.digoporai.com

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    Mariana Reply:

    <3

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  • Clay

    Em 06.07.2015

    Que história linda, e eu já tive o prazer, oportunidade de presenciar um parto de perto.. Fotografar, e acompanhar tudo, e claro, me emocionar junto..
    Um momento lindo <3 Parabéns mamãe sua história é linda

    Beijos

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    Mariana Reply:

    Ai que delícia, clay <3

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  • Daniele

    Em 06.07.2015

    Nossa mari! A coisa aqui em casa ta corrida, só hoje consegui conferir minha história contada aqui! Muito obrigada por me deixar compartilhar e qm sabe tocar outras pessoas! Um beijo grande a todas e obrigada pelo carinho! ????

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    Mariana Reply:

    Eu amei! Muito obrigada por compartilhar esse momento tão lindo conosco! <3

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  • Rosah C G Pastro

    Em 06.07.2015

    Lindo o parto da minha neta a Laura. Muito emocionante o relato da minha nora a Daniele. Assim se traz um filho ao mundo. A dor??? Essa esquecemos, pois o prazer, a alegria e a emoção de acarinhar o nosso filho, de tê-lo em nossos braços, faz esquecermos logo a dor.

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    Mariana Reply:

    <3

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  • Michele

    Em 06.07.2015

    Lindoo! Família linda! Impossível não se emocionar! Fico feliz em ter ajudado essa grande amiga encontrar seu caminho! Mamães empoderadas sempre! Beijo no <3

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    Mariana Reply:

    :3

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    Daniele Reply:

    ????

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    Daniele Reply:

    Era p ser um bonequinho apaixonado, mas saíram interrogações hihihi

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    Mariana Reply:

    meu blog ainda não tem essa tecnologia de emoticon pelo cel :(