Falando com seus filhos sobre sexo e drogas

Em 14.01.2015   Arquivado em Maternidade

Tem um casal de amigos nossos que eu me espelho muito. Eles não têm um casamento perfeito nem uma família perfeita, mas se esforçam muito pra fazer dar certo, e têm um grande êxito em seus esforços. Esse casal tem 3 filhos, e 2 deles estão na chamada (e terrível) pré-adolescência, e certa vez quando estava grávida fiquei conversando por horas com ela, perguntando como eles faziam pra conversar sobre sexo e drogas com os filhos.

Mas antes de dizer o que eles fazem e como eu e meu marido vamos conduzir na nossa família, deixa eu contar uma coisa pra vocês:
A primeira vez que eu tive contato com pornografia em vídeo eu tinha por volta de 8 ou 9 anos de idade. Lá atrás, naqueles extintos anos 90, onde ninguém tinha celular, tablet e computador.
Aos 9 anos, na terceira série, o assunto mais comentado da minha turma na escola era sexo, como era praticado o ato sexual, menstruação, ereção, polução noturna, camisinha, DST e afins. A coisa estava tão séria que a professora levou a gente pro laboratório de ciências onde tinha um manequim e deu uma aula de sexualidade pra tirar algumas dúvidas porque a gente estava viajando nas respostas.
A primeira vez que eu tive contato com uma revista masculina pornográfica eu tinha por volta de 11 anos, estava na 5ª série. Era uma colega de classe que tinha pego a revista da mãe e todas as meninas estavam juntas no banheiro vendo.
A primeira vez que eu vi cocaína na minha vida eu tinha 13 anos, no vestiário da escola (uma escola particular bem conceituada no Rio, onde só tinham filhinhas de papai).

Eu estou contando esses fatos bem íntimos pra vocês porque eu, no meu auge balzaquiano, vivi todas essas coisas assustadoras lá atrás, nos anos 90, onde ninguém tinha celular, tablet, computador, quadradinho de 8 e nem nada disso. Se eu, lá atrás, tive contato com tudo isso a partir dos 8 ou 9 anos de idade, seu filho, com essa mesma idade hoje, tem um contato MUITO MAIS ESTREITO. Isso não é pra alarmar, isso é pra alertar, pra você, pai e mãe, poder ver com clareza o que está acontecendo à sua volta, e consiga ajudar seu filho enquanto ainda há tempo.

Quando eu menstruei, aos 13 anos, minha mãe quis ter uma conversa de mocinha comigo, me explicando exatamente o que era a menstruação, o que era um ato sexual, e que a partir daquele momento meu corpo já podia gerar outra vida. Eu ri. Aquela conversa estava ANOS atrasada (lembra do que eu falei acima? com 13 anos eu já até tinha visto cocaína no vestiário da escola), e eu achava que já sabia tudo o que precisava.

Essa é a vida. Se você não prepara seu filho, a vida prepara do jeito dela. Minha mãe com certeza estava com a melhor das intenções, queria me preparar, mas estava um pouco atrasada nisso. Bom, e meu pai nunca veio conversar sobre isso… rsrsrs…

Agora sim eu posso dizer o que o casal amigo fez com os filhos: bem, não tem muito mistério o que eles fizeram, na verdade eles se mostraram abertos aos diálogo e foram claros nas respostas (nada de julgamento).

A menina, aos 7 anos, quis saber como era a menstruação, por onde saía, como acontecia… Enfim, tudo. A mãe sacou logo que a dúvida não era somente essa e aproveitou a oportunidade que a filha teve coragem de perguntar e juntou os filhos e primos dos filhos que tinham a mesma idade e começou a falar sobre a menstruação, como ocorria, quando começava, quando parava e tudo o mais. Ela foi tão clara no diálogo e se mostrou tão aberta que os filhos e sobrinhos se sentiram à vontade pra perguntar outras coisas também. Claro, no começo eles riam, escondiam a cara, mas como viam que o casal estava falando sério e sem vergonha, eles começaram a ter essa postura também e encarar de forma normal. Me lembro ela falando que aproveitava a oportunidade pra ensinar sobre castidade, casamento, santidade do ato sexual, mas não deixando de responder o que eles queriam saber. Ela dizia que se eles não recebessem respostas satisfatórias, iam achar as respostas de outra maneira. Achei fantástica a iniciativa do casal.

O que no começo era uma “simples” dúvida sobre menstruação, na verdade no final era dúvida sobre como o corpo se comportava quando fica com desejo sexual. Eles viraram a noite com os filhos e sobrinhos conversando sobre isso, abertamente, e comendo pizza. Quando a pergunta foi: “Qual a diferença entre fazer sexo e fazer amor?” ela respondeu e achou então que finalmente tudo que precisava ser dito tinha sido dito. Foram todos dormir com o dia amanhecendo.

Quando ela me contou isso eu fiquei beeeeem empolgada, e posso dizer que queria muito ter testemunhado essa conversa. Crianças com idade entre 7 e 12 anos estavam com dúvidas profundas e genuínas, e os pais foram mais rápidos que a vida, ensinando seus filhos com reverência e clareza a verdade sobre essas coisas e os princípios do Evangelho.

Na última Conferência Geral eu ouvi que até mulheres adultas têm vício em pornografia. Na Liahona (alguma edição de 2014, não estou lembrando) vi que quase a totalidade dos jovens têm ou já tiveram contato direto com a pornografia. Não dá pra colocar panos quentes em cima desse assunto, ou tentar tapar o Sol com a peneira, porque é aí que você pode perder o controle do seu filho pra sempre.

Na Igreja já tive oportunidade de ser líder dos jovens algumas vezes e sentir isso bem de perto. Apesar de toda a dificuldade que eu enfrentava com eles, eles me adoravam (e até hoje quando eu chego eles ainda fazem uma rodinha em volta de mim). Sabe por que? Eu era clara com eles. Eu me lembrava como eu era quando tinha a idade deles e me colocava no lugar deles. Não ficava com pudores e falando meias palavras. Eu via jovens sendo seduzidos pelo mundo, pelos prazeres e “liberdade” do mundo. A minha única saída pra manter eles dentro da Igreja e fortalecer seu testemunho era falando a língua deles, respondendo claramente seus questionamentos, ensinando a doutrina da Igreja e prestando testemunho. Ninguém “convence” jovem a andar no caminho certo dizendo que sempre foi puro e santo e o jovem está MUITO ERRADO porque está fazendo e sentindo aquilo. Hipocrisia não ensina ninguém. Se traz o jovem pra junto com empatia, dizendo que você já teve a idade dele, já fez aquilo que ele está fazendo, já teve os mesmos sentimentos que ele, dizendo como você se arrependeu, como você sofreu fazendo escolhas erradas e como você ficou feliz quando conseguiu voltar pro rumo certo. É bem assim: responder com clareza, orientar de acordo com os princípios do Evangelho e prestar testemunho pra selar o que você disse.

É assim que eu faço na Igreja. É assim que vai ser com meus filhos.

O mundo está tão louco que até adulto é difícil perseverar! Agora imagina uma criança, um jovem, cheio de curiosidade, vontade de experimentar? Temos que ser mais rápidos que a vida pra que eles não escapem por entre nossos dedos. Lembre-se: se seu filho acessa a internet, se ele tem um smartphone ou um tablet, ele tem acesso ilimitado à pornografia 24h por dia. Se seu filho vai à escola, ele tem contato com pessoas que usam drogas, e se bobear, já viu ou teve contato com a própria droga. Seja mais rápido que a vida e mostre as resposats pra ele, ensine pra ele no que sua família acredita, antes que seja tarde demais.

  • Cecilia Mesquita

    Em 14.01.2015

    Sempre fico envergonhada de conversar essas coisas com minha mãe haha

    Vêm participar do projeto “Blogs para amar?”
    É um projeto de divulgação e têm um post
    explicando tudo direitinho lá no blog :)
    http://gotasdecaffe.blogspot.com.br/
    Cecilia Mesquita
    xxx

    [Reply]

    Mariana Reply:

    hahahahaha 😉

    [Reply]

  • Ana Paula

    Em 14.01.2015

    Adorei pratica adotada pelo casal de amigos de vocês..abordagem muito clara e objetiva..tenho um casal..o meu filho irá fazer 12 e minha filha tem 07…alguns meses atras ela foi junto comigo ao banheiro e eu entrei naqueles dias, justamente quando estava com ela e a colocando no banho..tive que explicar sobre o que estava acontecendo..pois curiosidade aflorou rsrsr eu fui natural, sem alarmes e expliquei, agora ela quando me vê pegando um absorvente já diz..Ih mamãe, hoje você está naqueles dias..me sinto feliz pois somos amigas e isso muito bom. O meu filho no final do ano letivo professora de ciências abordou sobre sexualidade e sobre mudanças no corpo, aproveitei e já batemos aquele papo cabeça, sem neuras e falando mesma língua. Mas juro é bem difícil quando os olhinhos deles brilham e curiosidade surge..mas vamos levando…o papel nosso é educar e instruir pois internet e o mundo correm..bjssss

    [Reply]

    Mariana Reply:

    nossa que legal! adorei sua abordagem!!!
    deve ser difícil mesmo vc ver seus bebês com curiosidade sobre essas coisas, mas infelizmente não tem como deixar pra lá essa curiosidade hehehehe
    bjos

    [Reply]

  • Clara Vasques

    Em 14.01.2015

    Acho que a melhor forma de tratar o assunto é essa mesmo, honestidade. Tem que se abrir com as crianças e mostrar que elas podem falar sobre qualquer coisa com os pais. Acho que tanto os pais, quanto os adolescentes, fazem desse tema um grande tabu, como se fosse um problemão! Meus pais nunca tiveram problema para falar sobre sexo, ou qualquer outra coisa comigo, e espero não ter com meus filhos! Tudo depende de um bom diálogo :) hahaha.
    Beijos!!

    [Reply]

    Mariana Reply:

    com certeza! o diálogo é a melhor escolha que um pai pode fazer 😉 bjos

    [Reply]

  • Camila Faria

    Em 14.01.2015

    Se todos tivessem uma experiência tão bacana quanto essa, de adultos sendo honestos e respondendo suas dúvidas, com certeza o mundo seria melhor. Adorei a atitude do casal (e espero saber lidar com isso quando chegar a minha vez).

    [Reply]

    Mariana Reply:

    eu me espelho mt neles, eles são ótimos :3

    [Reply]