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GMPV #01 – Não caia nas armadilhas do plano de saúde

Oi meninas! Estou muito feliz com esse Guia e tenho preparado com muito carinho pra vocês. Tem dado bastante trabalho mas acho que vai valer super a pena, porque fico feliz em poder ajudar mamães desesperadas e tentantes desavisadas. 😉

Nunca tive dúvidas: o primeiro passo TEM QUE SER o plano de saúde. Seja particular ou pelo SUS, esse é o campeão do desespero na época da gravidez. Isso porque sem um acompanhamento correto, você pode ficar a ver navios, ou não conseguir realizar seus sonhos na tão esperada hora do parto.

A falta ou o mau acompanhamento também podem trazer riscos à saúde da mamãe e do bebê, porque alguma coisa pode estar acontecendo errado na gestação que é desconhecida pela falta do pré-natal.

Vamos focar primeiro em um plano de saúde privado.

Entenda seus direitos

Primeiro passo: conhecimento é poder. Pra que ninguém te engane (e olha que o plano e alguns hospitais são famosos em tentar isso) você precisa entender o que você tem e o que não tem direito.

Carência para parto:

São 300 dias (10 meses). Exceto para partos emergenciais, que não têm carência. Isso quer dizer que se você pensa em engravidar, primeiro precisa fazer seu plano. O ideal é começar a tentar a engravidar depois que pagar a segunda mensalidade, pra não ter dúvidas de que o seu parto será coberto pelo plano.

Carência para atendimentos de emergência:

Até 24 horas.

Carência para consultas e exames:

Até 180 dias está dentro da lei, mas a maioria dos planos estipulam carências para consultas e exames rotineiros em torno de 90 dias.

Upgrade ou troca de plano:

Muitas vezes quando nos deparamos com a gravidez queremos melhorar nosso plano ou mesmo trocar. Caso você opte por fazer isso, saiba que não terá cobertura obstétrica, a não ser que se trate de portabilidade (Xing-Ling 100 para Xing-Ling 200 – que a carência para parto são de 4 meses) ou de compra de carência (quando você pede para o plano de saúde anterior fazer uma declaração de que você foi cliente no período X e contrata um novo plano em menos de 30 dias).

No meu caso eu fiz a 2º opção, ou seja, eu comprei a carência. Pedi para meu plano anterior me dar uma delcaração de que eu fui cliente deles por X anos, peguei esse papel e apresentei para o plano novo, entrando, assim, sem carência nenhuma. YAY!

Espera máxima para uma consulta ou exame:

Entenda esse quadro. Se você ligou para a obstetra X e só tem consulta pra daqui a 3 meses, não pague mico fazendo escândalo com a secretária dela. A médica não tem como dar conta do volume de pacientes, muitas vezes. O mesmo acontece para uma clínica que você quer marcar uma ultrassonografia por exemplo.

Quem tem que cumprir esse prazo é o seu plano de saúde, não os médicos credenciados. O que acontecia comigo era o seguinte: eu tinha um pedido na mão e já tinha ligado pra 300 lugares pra fazer o exame, mas nunca tinha vaga. Ligava pro meu plano, dava os dados do pedido, dizia quais bairros eu poderia realizar o exame e eles me diziam na hora algumas opções pra marcar. Na maioria das vezes tudo que eles me diziam eu já tinha tentado, então eles me davam um prazo pra retorno com a solução do meu problema. Pontualmente, eles ligavam dizendo: "Querida cliente Mariana, estamos com medo porque você conhece seus direitos. Por favor, não fiquei brava com a gente, somos uns vermes! Marcamos seu exame pra daqui a 2 dias, na esquina da sua casa. Caso ainda não se sinta satisfeita, podemos oferecer outras opções."

Isso é uma brincadeira, é claro que eles não falavam assim, mas eles SEMPRE me atendiam prontamente e resolviam meu problema, porque eu tinha o poder do conhecimento dos meus direitos comigo.

É muito importante entender esse quadro porque quando você está grávida tem prazo pra fazer muitos exames, que se passar, o médico não tem mais como detectar uma doença ou algo assim no bebê.

Acompanhante no ato do parto:

A grávida TEM DIREITO a ter um acompanhante indicado por ela (isso quer dizer que não necessariamente precisa ser o pai) durante o trabalho de parto, parto e pós-parto imediato. O hospital NÃO PODE cobrar nada por isso à família.

Esse é um ponto muito importante porque muitas mulheres vão pra sala de parto desesperadas e sem apoio, simplesmente por não conhecerem seus direitos, e ficam traumatizadas. Esse foi o meu caso na minha primeira gravidez, e não desejo que ninguém passe por isso.

Cobertura da obstetra e pediatra no ato do parto:

Os planos só são obrigados a cobrir despesas de médicos credenciados, exceto para partos emergenciais. Isso quer dizer que o plano só vai cobrir a sua obstetra e a equipe dela se eles forem credenciados pelo plano previamente.

Cobertura do anestesista e auxiliar de anestesia no ato do parto:

NENHUM plano cobre o anestesista e o auxiliar de anestesista. O que muitos planos fazem é dar o reembolso posterior dessa despesa ao cliente, que pode ser integral ou parcial, dependendo da empresa e o tipo de plano.

Tipo de parto:

Esse é um ponto delicado. O plano ou o hospital não podem exigir que uma parturiente faça uma cesárea, por exemplo, porque é menos despendioso. O tipo de parto deve ser um concenso entre o médico, a grávida e a família, levando em consideração o estado de saúde da mãe e do bebê.

Cobertura de parto domiciliar:

A lei nº 9.656/98, que estabelece as bases para as coberturas obrigatórias pelos planos de saúde, não define assistência domiciliar como obrigatória. Então, caso você queira parir em casa, o plano de saúde pode cobrar um pacote adicional.

Cobertura do RN:

Os planos são obrigados a cobrir as despesas dos recém-nascidos até o 30º dia de vida. Caso os pais queiram incluir o filho como dependente no seu plano ou fazer um individual para o bebê, podem contratar antes do 30º dia e não haverá nenhum tipo de carência. Passado o 30º dia, são as carências costumeiras de um novo credenciado (Essa regra só é válida se a mãe ou o pai já tenham cumprido os 300 dias de carência para parto).

Atenção! Se o plano não tiver cobertura obstétrica, a criança poderá ser incluída no plano, porém terá de cumprir as carências normalmente.

Essa é uma vantagem para os pais e uma chance para o plano de chamar novos clientes. Eu levei meu filho nos primeiros 30 dias para fazer exames e consultas, tudo coberto ainda pelo meu plano. Fizemos um plano pra ele antes do 30º dia e não teve nenhuma carência. Isso é ótimo para bebês novinhos que talvez precisem de atendimentos rápidos.

Caso você se sinta lesada ou injustiçada pelo plano ou queira tirar alguma dúvida específica

DISQUE-ANS: 0800 701 9656

Escolhendo o plano de saúde certo para você

Agora que você já sabe quais são seus direitos, já pode escolher um plano de saúde para contratar. Mas aí vem a dúvida: por onde começar?

Primeiro você precisa identificar suas necessidades e procurar um plano que atenda a elas. Sinceramente (opinião pessoal), acredito que essa não é a hora de procurar por um plano mais barato, e sim um plano que atenda. No meu caso, eu me apertei bastante de grana, deixei de comprar algumas roupinhas e frufrus supérfluos em nome de um bom plano de saúde. Pra mim, a prioridade era minha saúde e a do meu filho. Depois que ele nasceu, fizemos um plano pra ele e eu voltei com meu plano básico de antes da gravidez.

Experiência pessoal

Na minha primeira gravidez como eu já tinha plano, fiquei tranquila e caí nessa armadilha. O plano XING-LING 100 – MÓDULO BÁSICO só me fornecia 1, isso mesmo, UM, hospital de emergência obstétrica em toda a cidade do Rio de Janeiro. Eu, morando no Engenho Novo na época, sem carro, quando passava mal (que infelizmente foram muitas vezes) tinha que atravessar a cidade de ônibus passando mal, o que levava quase 2 horas, ou deixar todas as Dilmas da minha carteira pro taxista. Valeu a pena pra mim? Com certeza não! Eu gastava MUITO dinheiro com o táxi pra me atender num hospital bem pobrinho do outro lado do Rio. Era minha única opção. E esse mesmo hospital era também minha única opção pra parto. Qué qué qué. Poderia ter pagado mais em um plano de saúde e ter tido opções mais perto de emergência e mais variedade.

Entenderam o que eu quero dizer? O mais importante é a saúde de vocês e a comodidade. Ter uma barriga gigante, num calor do cão e ter que atravessar a cidade por um atendimento é o cúmulo. Ainda mais pra quem está PAGANDO por um serviço. Então quando for contratar um plano, observe:
Procure contratar o plano antes da gravidez, para ter certeza que terá cobertura total durante a gestação.
Opte por uma empresa grande e conhecida: a chance dela falir no meio do processo é menor e a probabilidade de locais credenciados é maior.
Procure saber com suas amigas sobre bons hospitais para emergências obstétricas e para partos na sua cidade e verifique se o plano que você vai contratar abrange todos eles ou pelo menos os principais.
Procure saber se a sua obstetra aceita esse plano.
Procure saber os melhores médicos e locais para a realização dos exames de rotina da gravidez e verifique se o plano que você vai contratar abrange todos eles ou pelo menos os principais.
Se você costuma viajar, dê preferência aos planos com área de cobertura maior.
Na minha opinião, é válido contratar um plano de quarto, em vez de enfermaria, porque você fica acomodada sozinha com seu bebê em um quarto só pra vocês. É mais confortável e pode ter um acompanhante te ajudando. Além disso você não se preopcupa se suas visitas estão atrapalhando outras mamães e bebês.

Para quem vai fazer o pré-natal pelo SUS

Se você não tem dinheiro pra contratar um serviço particular, não se preocupe. Felizmente hoje existem lugares públicos tão bons quanto os particulares. Aqui, o segredo é a indicação. Converse com outras mães que tenham feito RECENTEMENTE pré-natal por hospitais públicos. Veja alguns critérios para selecionar o hospital para fazer seu acompanhamento:
O que as pessoas acham do hospital de uma maneira geral? (Se as mães que acompanharam a gravidez lá sentiram-se satisfeitas, de uma maneira geral – nehum acompanhamento vai ser perfeito)
Quais são os recursos que ele tem? (Me refiro aos diferentes tipos de especializações médicas, aparelhos para exames…)
É perto da sua casa? (Você não vai querer atravessar a cidade toda semana com barrigão de 9 meses, né?)
Tem um volume muito grande de mães solicitando atendimento naquele local? (Me refiro se você vai precisar esperar muito para fazer cada consulta de pré-natal)

Experiência pessoal²

Na minha segunda gravidez, eu fiz 2 pré-natais. Um foi particular, pela médica do plano, e o outro foi um pré-natal de alto risco no Hospital Carmela Dutra, no bairro do Lins (Rio de Janeiro). Muitas pessoas têm preconceito em pré-natal do Governo, mas sinceramente eu fui muito bem atendida. Por ser alto risco, eles me examinavam toda a cada vez que eu ia numa consulta. Tinha acompanhamento com nutricionista e também tinham outras opções de atendimentos com dentistas, angiologistas e até assistente social, pra tirar todas as suas dúvidas com relação aos seus direitos. Não tive do que reclamar e sempre indico pra amigas que não podem pagar por um plano de saúde privado.

Usando uma solução mista: plano privado + SUS

Algumas mamães não podem pagar um plano de saúde carão que atenda todas as necessidades, só podendo pagar um baratinho. Essa é a realidade da vida, infelizmente.

Conheço algumas mulheres que optaram então por uma solução mista: elas fazem o pré-natal e parto no SUS e usam um plano mais barato só pra realização de exames.

Alguns hospitais do Governo são ótimos para o acompanhamento, mas na maioria dos casos, não têm todas as opções de exames e o resultado dos exames demora muito, o que pode dificultar numa situação mais emergencial.

Fazer o pré-natal no SUS e exames no particular é perfeitamente normal. Você leva o pedido do SUS pro laboratório ou clínica e eles transcrevem pra uma guia do plano (pelo menos eu fiz isso algumas vezes e nunca tive problema).

O plano de saúde empresarial

Quando eu publiquei esse post, 2 meninas comentaram comigo sobre plano empresarial, então resolvi acrescentar. O plano empresarial pode ser uma boa e econômica solução, desde que você se certifique de alguns pontos:

Renegociação do plano

Caso a empresa seja privada, é normal a cada renovação de contrato eles negociarem com o plano de saúde e abrirem chance pra outras empresas fazerem proposta. Nesse momento, pode ser que o plano Amil vire Unimed, ou Unimed vire Dix. Aí ferrou tudo, porque talvez sua obstetra não aceite no plano novo e nem o hospital que você ia fazer o parto. Pode ser também que a cobertura de um plano não seja a do outro e até os exames sejam prejudicados.

Cobertura do plano

É normal plano de empresa ter co-participação. Isso quer dizer que a empresa paga X% e o restante você tira do seu bolso. Além disso ela ainda desconta uma porcentagem do seu salário. É bom colocar na ponta do lápis se vale a pena, nesse caso.

No meu caso, minha empresa tinha um plano de saúde básicão e além disso só cobria 30%. Os outros 70% eu tinha que pagar em dinheiro. Por isso eu não aderi ao plano da minha empresa e preferi contratar um particular.

Se o plano for do marido

Se o plano empresarial for seu, maravilha. Se for do marido, pense que ele pode querer trocar de emprego ou ser despedido. Marido não tem estabilidade quando a esposa está grávida, então é um caso a se pensar especificamente pra cada casal, levando em consideração a situação do marido no emprego.

Nunca fiz um post tão grande na minha vida, mas queria que ficasse bem completo. Espero que seja de valia para as mamães tentantes e gravidinhas. Se gostou, comenta e compartilha, pra eu poder saber se estou fazendo certo. <3

Fontes de consulta:
ANS – Perguntas frequentes relativas ao parto – http://www.ans.gov.br/index.php/component/content/article/48-perguntas-frequentes/552-parto
ANS – Garantia de atendimento aos consumidores de planos de saúde nos prazos previstos em lei – http://www.ans.gov.br//index.php/aans/central-de-atendimento/index.php/945-tempo-de-atendimento-a-norma-ainda-nao-esta-em-vigor
JusBrasil – Direito das gestantes nos planos de saúde – http://arealpires.jusbrasil.com.br/artigos/111859687/direito-das-gestantes-nos-planos-de-saude

Princípios montessorianos para a educação do seu filho
Sobre a formação de leitores no Brasil
Quando meu filho vai parar de babar?

6 comentários
  • Isabelle

    Vou indicar esse post para a minha tia.
    Ela vai amar, estava toda preocupada
    http://surejustnot.blogspot.com.br/

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    Mariana Reply:

    😉

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  • Sophia

    Amiga,linda :)
    Arrasando !!!
    Aprendendo muito com você.
    Obrigada por tratar desse assunto tão bem.
    Bjsss

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    Mariana Reply:

    espero que te ajude :)
    bjos

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  • Ana Paula

    Olá Mariana.
    Estou ajudando minha cunhada que está grávida. Ela foi demitida e logo ficou grávida. Teve direito de estender o benefício por mais 6 meses. Tentou a portabilidade e não teve sucesso por causa do valor. Li no seu post sobre a COMPRA DE CARÊNCIA. Onde posso ler mais sobre o assunto? Um abraço e parabéns pelo texto.

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    Mariana Reply:

    Oi Ana Paula! Olha… Eu não sei como vai funcionar o plano nesse caso específico… O melhor é você procurar no site da ANS ou ligar pro atendimento do próprio plano, que eles são obrigados a informar… 😉
    Espero que dê tudo certo! Beijos!!!

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