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Gravidez: aborto espontâneo e parto prematuro seguido de falecimento #comolidar

Sei que esse é um assunto sério demais e um post bem profundo, mas eu sinto a necessidade de escrevê-lo.

Quando engravidamos, é claro que pensamos só nas coisas boas, em como nosso bebê será bonito, saudável, como ele vai trazer alegria pra nossa vida e bagunçar nosso sono. Mas quem pensa que isso tudo pode não dar certo? O aborto espontâneo e o parto prematuro seguido de falecimento, como lidar?

Infelizmente, ou felizmente, posso falar com conhecimento de causa. Fui uma mãe de primeira viagem que só pensei no lado bom da coisa. Não me preservei, fazia festas na minha casa e ficava com todo o trabalho pra mim, fiz mudança na gravidez, comia de tudo sem restrições. Eu achava que apenas minha barriga estava crescendo, mas que eu podia continuar fazendo tudo normalmente. Trabalhava que nem uma louca, pegava ônibus cheio e as pessoas apertavam minha barriga. Todo mundo dizia pra mim que gravidez não é doença e então eu tentava encarar a gravidez da forma mais natural possível. Até que com 6 meses e 3 semanas de gravidez, o inesperado aconteceu: comecei a passar mal, fiquei 1 semana passando mal e ninguém sabia o que eu tinha. Quando descobriram, a verdade é que eu estava 1 semana com contração, só que eu não sabia o que era uma contração, então pra mim eu só estava com dor, meu bebê já estava em sofrimento, fiz uma cesariana de emergência e meu bebê faleceu depois de 3 dias de nascido.

Assim como eu, depois que você passa por isso e acha que é a única no mundo a ter uma gravidez com insucesso, você começa a descobrir à sua volta outras pessoas que também passaram por isso e você nem desconfiava. Em todas as pessoas que eu vi acontecerem isso, que eu conversei, todas demonstraram o grande sofrimento da perda, e muitas, mesmo depois de anos, décadas, ainda sentem o vazio.

É claro que o filho perdido nunca será substituído, mas algumas mães gostam de tentar logo em seguida ter outro filho, como se um novo bebê fosse apaziguar um pouco da dor. Outras reagem ao contrário, e ficam com muito medo de tentar de novo e ter um novo insucesso.

No meu caso, eu lidei bem nos primeiros dias, depois minha ficha foi caindo, e fui entrando em depressão. Não saía de casa, só chorava, não queria ver nem falar com ninguém, não tinha ânimo pra fazer nada, me culpava pelo que tinha acontecido. Tive o acompanhamento de uma psicóloga pra lidar com a situação, e foram muitos meses de luta pra me desprender desses sentimentos. O que sempre me confortava (e foi determinante para minha recuperação) era minha fé, pois em minha religião acreditamos que as famílias podem ser eternas, eu sabia que meu filho estava lá no céu me esperando, e eu ainda teria oportunidade de criá-lo e ter ele perto de mim. Esse foi meu maior conforto.

Cada pessoa lida coma dor de forma diferente. O mais importante que devemos ter em mente é que não é nossa culpa se uma gravidez não deu certo. Muitas vezes cometemos erros, mas não temos a intenção de fazer mal ao nosso bebê. A ignorância às vezes atrapalha, mas não podemos responder por aquilo que desconhecíamos.

Procurar conforto em seus familiares e amigos também é uma ótima opção, porque eles também estão sentindo o que você sente. Claro que não na proporção que você sente, porque só uma mãe sabe o que é perder seu filho, mas eles também sentem tristeza pelo que está acontecendo. Tristeza compartilhada é tristeza pela metade.

E principalmente, se agarre em sua fé. Seja qual religião você for, ou mesmo que não tenha uma, agarre em coisas nas quais acredita. Saber que seu filho está em um lugar muito melhor faz seu coração ficar quentinho! 😉

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7 comentários
  • Mari

    É, Mari, deve ser muito dolorido mesmo. Tenho exemplo aqui em casa. Sou fruto da segunda gravidez da minha mãe. Na primeira vez, ela sofreu um aborto espontâneo e conta que sofreu muito. Disse que se sentia incapaz de ser mãe. E quando ela menos esperava, estava grávida de mim.

    Acredito que esses bebês têm uma missão para suas mães. Talvez amadurecê-las, talvez ensiná-las… Mas eles vieram com uma missão de ajudar na evolução dos seus pais, seja lá em qual ponto.

    E não podemos nos culpar ou nos achar incapazes (como o caso da minha mãe), esse bebê tinha sua missão e a cumpriu.

    Beijos na barriga (porque agora beijo só no seu bebê… hahaha)

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    Mariana Cruz Reply:

    eu penso mt assim como vc… meu bebezinho veio pra me ensinar muito (a mim e ao meu marido)! e sou grata por ter tido a sabedoria de aprender com a dor, em vez de ficar deprimida pra sempre ou revoltada…
    às x vc acha que é a única ater passado por isso, mas aí vc começa a olhar em volta e percebe qts mães passam por isso tb… só as fortes passam por isso! o Senhor nunca nos dá um fardo que não podemos suportar! 😉

    ps.: depois q a gente fica grávida, primeiro falam com nossa barriga, depois com a gente rsrsrsrsrsrsrsrsrsrs é assim neh 😛

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    Mari Reply:

    E em breve você deixará de ser Mariana para ser a mãe do(a) dele(a). rsrs

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    Mariana Cruz Reply:

    \o/

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  • Nique

    Antes da minha caçula, Letícia, perdi um bebê, era menino, Miguel, sofri demais, é muito doloroso, mas Deus faz a coisa certa, com a perda do Miguel eu e meu marido nos tornamos muito mais maduros, e eu vi que ele é a pessoa certa pra estar ao meu lado, marido se mostrou extremamente atencioso e forte com a situação, me passou tranquilidade, apesar de tudo. Infelizmente, perdemos o Miguel, mas Deus nos deu a Letícia, que é a grande alegria de nossa casa juntammente com seus irmãos. Deus sabe de tudo!
    Bjus querida 😉

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    Mariana Cruz Reply:

    com certeza! tudo tem um propósito nessa vida, até aquelas coisas que num primeiro momento nos causam tristeza e não entendemos… depois conseguimos perceber como amadurecemos :)
    vc sabia que se meu bebê for menina vai ser letícia? hahahahaha…
    bjinhus

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