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Histórias de Ônibus: A Rua Dias da Cruz vai ficar pequena pra nós 2…

Estava eu voltando do trabalho, cansada, acabada, com os pés inchados e sonhando com minha cama. Sentei ao lado de uma mulher que tinha 2 crianças com ela, uma neném no colo de mais ou menos 1 ano e pouco e uma criança em pé entre as pernas da mãe olhando pela janela, que aparentava ter uns 4 anos. Era o único lugar vazio, então sentei mesmo amontoada com eles.

A princípio a menininha começou a me olhar fixamente, e eu comecei a interagir. Ela era muito fofa e queria me dar beijos. Uma gracinha. O irmão ia olhando pela janela os carros e o trânsito, e de vez em quando falava algumas coisas do tipo: “Que carrão!” ou “Olha aquilo lá.” Até aí tudo bem.

Mas não demorou muito pra eu me arrepender de ter sentado ao lado daquele amontoado de gente. A menininha começou a se sentir apertada e a empurrar o irmão com os pés. O irmão arrancou o sapato dela. A mãe brigou. Ele começou a engatinhar pelo ônibus procurando o sapato da irmã, achou e colocou de volta no pé. Só que a essa altura do campeonato, a menina tinha gostado de ficar sem sapato, e cada vez que ele colocava o sapato na irmã, ela tirava e jogava longe. O irmão irritado brigava com ela e ela gritava. A mãe cansou de brigar e começou a olhar pela janela. Os 2 gritavam, brigavam, eu ficava agoniada do lado pela mãe que não estava fazendo nada. O pessoal do ônibus começou a reclamar, mas a mãe não fazia nada.

Quando pela enésima vez a garota tirou o sapato e jogou longe, seu querido irmão fez o inesperado: pegou a arma de brinquedo, colocou na cara da irmã de 1 ano, aproximou a cara na dela e falou: “Se você tirar o sapato de novo, meto bala na tua cabeça.”

Eu fiquei apavorada!! Como é que um menino de 4 anos pode ter uma atitude dessas? A mãe, calmamente falou: “Agora você passou dos limites fulaninho. Ô pai! Fala com seu filho aqui!”

Aí levanta um homem moreno de unhas de bicheiro e cabelo grande, olha pro garoto e diz: “Quando a gente descer do ônibus, a Rua Dias da Cruz vai ficar pequena pra nós 2.” Eu quis rir com aquilo mas engoli. Aconteceu que a ameaça deu certo: o garoto se calou na hora e ficou quieto como por passe de mágica.

Felizmente eu não desci no mesmo ponto que eles. Se a Rua Dias da Cruz ia ficar pequena pra ele e seu filho, imagina comigo junto! Hahaha…

Isso me fez ir pra casa refletindo que tipo de brinquedos eu vou querer que meu filho tenha.

Este é o primeiro post de uma nova categoria: Histórias de Ônibus. Só quem anda no coletivo todo dia sabe que cada dia é uma novela diferente!

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4 comentários
  • Mari

    A história é tão doida que chega a ser engraçada. haha
    Detalhe: o pai estava ali o tempo todo e não fazia nada? Paizão, hein!
    Beijos

    [Reply]

    Mariana Cruz Reply:

    hahahaha… menina eu fiquei me perguntando isso tb… se o pai estava junto, pq não sentou do lado da esposa com os filhos, foi sentar em outro banco, e eu sentei com ela?
    vai entender esse pessoal… hahahaha
    bjos

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  • Gisele

    Meu Deus, realmente isso faz refletir sobre os brinquedos as nossas crianças, um incentivo a violência ao sentir-se no poder de fazer o que quiser com outra pessoa.

    Fiquei pasma como os pais desta criança possam dar uma arma como brinquedo. Não acredito.

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    Mariana Cruz Reply:

    pois é… conversei aqui em casa com meu marido sobre isso… podemos dar todos os tipos de brinquedo, mas não armas…
    o mundo à nossa volta já tem violência mais do que suficiente…
    bjos :)

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