Levando meu filho de 10 meses ao Theatro Municipal do RJ

Em 20.09.2014   Arquivado em Pessoal

Eu sei que hoje ele já está com 11 meses mas outra semana passada, quando eu levei ele ao Theatro, ele ainda tinha 10 meses (eu levei um tempo até digerir essa história). Eu pensei sinceramente em gravar um vídeo pra contar minha saga desse dia, mas a vergonha foi maior! Hahahaha…

Esse é um post-alerta pra quem tem filhos pequenos e acha que eles são quietos.

Todo domingo eu vou à Igreja. Como estou líder das mulheres adultas, muitas vezes preciso chegar bem antes do horário, e a maioria das vezes saio da capela quando quase todo mundo já foi embora. O Rodelícia é arrumado no domingo ainda dormindo pra ir pra capela, e muitas vezes toma a primeira mamadeira lá. Quando dou aula, e ele fica sentadinho no carrinho vendo. Em certo momento eu dou uma frutinha pra ele e ele dorme o resto da manhã, até terminar a reunião. Algumas vezes ele não dá nem um pio e as pessoas no final vem me dizer que nem parecia que tinha um bebê na sala.

De acordo com essas e outras experiências, do tipo cinema, que ele também fica quietinho vendo o filme, decidi que também poderia levá-lo ao teatro. Meu marido me ligou em cima da hora lembrando que o espetáculo era naquele dia (eu achando que era na próxima sexta), e saí correndo pra me arrumar e arrumar meu filho. Anderson ainda cogitou a possibilidade de deixarmos o bebê com a minha sogra, mas eu falei que não tinha necessidade e fui correndo com ele pro teatro, onde meu marido estava na porta esperando a gente.

Rodrigo prontinho esperando o táxi pra ir ao Theatro

Uma foto da Ópera

Entramos já com alguns minutos de atraso e já estava a ópera rolando (fomos ver Salomé). Na primeira meia-hora Rodelícia ficou sentadinho no meu colo vendo tudo, como de costume, sem dar um pio. E eu feliz da vida curtindo (quem é mãe de bebê pequeno sabe que qualquer oportunidade de sair é uma alegria). Mas depois ele queria cantar junto com a Salomé, e ficou dando uns gritinhos. As pessoas viravam pra olhar pra mim, e eu comecei a ficar tensa. Fiquei conversando com ele baixinho dizendo que no teatro não podia cantar, só quem estava no palco. Mas um bebê de 10 meses entendeu? Claro que não! Hahaha… Continuou cantando… Daqui a pouco ele começou a fazer força pra ir pro chão, mas não tinha como eu deixar ele ir, aí ele começou a se estrebuchar e pimba! Deu com o pé na cabeça do senhor na fileira da frente. Morrendo de vergonha, eu coloquei ele virado pra trás, como se fosse arrotar, e comecei a ninar ele, mas ele começou a conversar com a mulher da fila de trás, que por sua vez não estava feliz com um bebê atrapalhando a ópera. Quis dar mamadeira pra ele dormir mas ele começou a chorar agoniado de sono e o som muito alto. Enfim… Fiquei tão nervosa que dei o bebê pro marido segurar e fui pular ele pra ir pro corredor. Mas o local pra passar era muito estreito e tinha um degrau que no escuro eu não vi. Resultado: caí por cima da pessoa da fileira da frente, no buraco entre as fileiras e a rampa do corredor. Doeu muito e todo mundo olhou pra mim! Eu queria sentar e chorar de vergonha, mas tinha que manter a pose. Levantei, peguei o Rodrigo e saí pro corredor.

Achei que meu marido viesse atrás de mim pra ver se estava tudo bem comigo, mas ele continuou vendo a ópera. Fui tendo um sentimento de fracasso porque não consegui manter ele quieto, junto com raiva pelo marido não ter ido atrás de mim, e muita vergonha por tudo que tinha acontecido. Fiquei do lado de fora no corredor, com Rodrigo andando e engatinhando pra todos os lados, e eu cheia de dores nas pernas pelo tombo e toda suja.

Finalmente depois de uns 15 minutos o Anderson foi até o corredor pra me perguntar se eu não ia voltar pra terminar de ver a ópera. OI??? Dei um faniquito com ele, falando que era um absurdo ele ter ficado vendo a ópera em vez de ver se estava tudo bem comigo, e ainda por cima quando saiu tinha deixado todas as bolsas sozinhas dentro do teatro. Falei pra ele pegar as bolsas e desci, saí do teatro e fiquei esperando na porta com Rodrigo no colo. Eu estava com tanta vergonha que não queria mais ver ópera, não queria mais entrar lá e estava em pânico do espetáculo acabar e as luzes se acenderem e todo mundo ir saindo olhando pra minha cara com aquele olhar fuzilante pensando que mãe idiota teria a infeliz ideia de levar um bebê ao teatro.

Felizmente (pelo menos isso!) pegamos o táxi de volta sem ver ninguém, exceto os seguranças, e eu voltei chorando dentro do táxi com todos aqueles sentimentos aflorados em mim. Pra completar, eu queria muito ter aproveitado mais o teatro, porque minha avó era soprano ligeiro do Theatro Municipal do RJ e ela me levou muitas vezes pra lá, eu ficava na coxia vendo os espetáculos e era maravilhoso! Aquilo ali fez parte da minha infância! Queria tirar fotos no Theatro, mostrar um pouco pro meu marido e filho um lado da minha história que eles ainda não conheciam. Mas nem isso eu pude.

Passei o final de semana remoendo aquela história na minha cabeça com meus 2 joelhos roxos pelo tombo. Porém, segunda-feira eu já estava melhor dos pensamentos, pelo menos. Tudo poderia ir se amenizando aos poucos, mas aí vem o capítulo final. Marido chega do trabalho na segunda e vem conversar comigo na cozinha, enquanto eu estou terminando de preparar a janta. Ele fala: “Poxa! O Rodrigo foi o comentário hoje do trabalho! Todo mundo achou ele super fofo!” Eu: OI??? Tinha alguém do trabalho lá?” Ele: “Claro! Aquele balcão inteiro do teatro era pro pessoal do trabalho.”

Nunca mais vou a nenhuma festa da empresa dele nem nada parecido. #FIM

  • Blog da Mariana Cruz » Turistando em Sampa #sqn

    Em 20.09.2014

    […] tempo, acredito que vai ser mais um daqueles posts que vocês riem bastante da minha cara (a minha aventura do Theatro Municipal foi um sucesso de risadas haha). Pois […]