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{Livro} O ano em que te conheci – Cecilia Ahern

Ficha Técnica Título: O ano em que te conheci
Autor: Cecilia Ahern
Editora: Novo Conceito
ISBN: 9788581638324
Páginas: 336
Categoria: Drama

Sinopse: "Bem-vindos ao mundo imperfeito de Jasmine e Matt. Vizinhos, eles não têm o menor interesse em tornarem-se amigos e nunca haviam se falado antes. Estavam sempre ocupados demais com suas carreiras para manter qualquer tipo de contato. Jasmine, mesmo sem nunca tê-lo encontrado, tem motivos para não suportar Matt. Ambos estão em uma licença forçada do trabalho e sofrendo com seus dramas familiares. Eles precisam de ajuda.

Na véspera de Ano-Novo, os olhares de Jasmine e Matt se encontram de forma inusitada pela primeira vez. Eles têm muito tempo livre e precisam rever seus conceitos para poder seguir em frente. Conforme as estações do ano passam, uma amizade improvável lentamente começa a florescer.

Uma história dramática, original e divertida como só Cecelia Ahern é capaz de escrever."


Minha classificação: Minha opinião: O livro conta a história de Jasmine, uma executiva de start-ups. Ela implanta novos projetos, faz eles prosperarem e então vende. E começa outro. E vende. E começa outro. E vende. E começa outro. E vende. Em uma dessas vezes, seu parceiro de trabalho Larry se apega demais ao negócio, mas Jasmine quer vender. Ela negocia a venda da empresa sem o companheiro saber, porém ele descobre e a demite da própria empresa. É nessa situação que conhecemos a personagem principal e é a partir daí que se desenrola a história.

A narração é em primeira pessoa feita pela Jasmine, que alterna entre falar com os leitores e com Matt, seu vizinho. Pra mim foi um pouco difícil entender pra quem ela estava contando a história em algumas partes, e só depois de um tempo eu entendi que era pro vizinho, pois no mesmo capítulo ela fala pra gente e pro Matt, fica um pouco obscuro em algumas partes.

Outra coisa que me incomodou bastante no livro foi a própria personagem: Jasmine. Ela fica questionando toda a vida dela a partir dessa demissão. Mas pombas! Por que ela está se tratando como uma inválida se o trabalho dela é ter ideias de novas empresas, construir e fazer dar certo, vender e começar outra? Por que ela simplesmente não começa outra ideia e enterra essa porcaria de última experiência que ela teve? Fiquei me perguntando isso por 5 capítulos até a autora finalmente dizer que lá fora eles fazem isso: pessoas importantes que têm informações privilegiadas são demitidas e ficam em licença remunerada por meses, muitas vezes por anos, para não trabalharem para a empresa concorrente e levar as informações pra lá. Não faço a menor ideia se isso existe no Brasil, e se existe eu nunca soube. Como não é uma realidade profissional comum acho que essa informação deveria ter sido explicada desde o começo do livro, pra gente não ficar perdido e achando os questionamentos da personagem sem noção, como eu achei que era. Quando lá pelo capítulo 5 ela explicou essa situação eu estava no ônibus voltando do trabalho e não me contive e dei uma grande AHHHH! fazendo todo mundo olhar pra mim! #shameonme (Sinceramente mesmo com essa explicação eu não fiquei totalmente convencida, porque ela podia trabalhar informalmente de casa em novos projetos e quando a licença terminasse ela poderia lançar os projetos que vinha trabalhando naquele ano… mas enfim…)

Outra coisa: como revisora de texto eu vi alguns problemas de tradução e revisão, mas eu também leio os livros com os olhos muito críticos. Talvez você nem repare. Meu principal questionamento é: Kris e Kylie (filhos do Matt) são gêmeAs ou gêmeOs? Em inglês a autora se refere como "they", na tradução o tradutor às vezes refere-se como se fosse um casal (1 menino e 1 menina) outras vezes como 2 meninas. O livro acabou e eu não decifrei esse enigma.

A melhor parte, mais sensível e que eu chorei horrores e me apeguei e tive abstinência quando o livro acabou foi a história de Heather, irmã de Jasmine. Ela é uma adulta com Síndrome de Down, que trabalha em 2 empregos, ama música e tem um namorado. A cada dia ela conquista mais um pouquinho da sua independência pra viver sua vida com ele. A mãe delas morreu quando as filhas eram muito jovens. Heather é a mais velha e age como se Jasmine precisasse de muitos cuidados, mas Jasmine também cuida da irmã mais velha com muito carinho. É uma relação profunda e bonita, e a dependência da Jasmine com a irmã tem outros fundos psicológicos que serão revelados só no final do livro. Foi uma parte muito bem escrita e amarrada, devo confessar. Essa parte me conquistou.

De uma maneira geral, os relacionamentos entre as pessoas no livro têm uma construção muito profunda e desenvolvida, você vê que a autora realmente saca de construção de personagem, só o tema do livro em si, com essa demissão mal explicada que não me conquistou como deveria.

Enfim, eu tive uma experiência de amor e ódio com esse livro. Eu amei em muitas partes, nem tanto em outras. Mas no final o saldo foi positivo. <3


Alguns trechos do livro:

"(…) Heather é a minha fraqueza. Qualquer briga, desentendimento, relacionamento que não deu certo ou até um relacionamento possível para o qual eu nunca dei chance estão relacionados, sem exceção, a uma reação, um comentário, uma observação ou alguma coisa que tenha a ver com Heather. Eu não seria capaz de me envolver com uma pessoa que demonstrasse arrogância ou ignorância, sendo inocente ou não, em relação à minha irmã."

"Ele é cuidadoso e carinhoso e cuida dela o tempo todo, tratando-a quase como se fosse frágil, ou talvez preciosa, como se fosse uma honra cuidar dela. Ele abre portas, puxa cadeiras e, mesmo sendo um pouco desajeitado, consegue fazer tudo. Heather é tão independente e, mesmo assim, permite que ele faça essas coisas, e parece feliz quando ele faz. Ela passou tantos anos não querendo ser uma pessoa que precisa de assistência desnecessária que vê-la assim me surpreende."

"Ao perder o controle este ano, eu comecei a trabalhar em meu jardim para manter algum tipo de domínio, pensando que ele cederia à minha vontade. Mas ele me mostrou que não irá. Nada pode ceder à nossa vontade. Eu negligenciei meu jardim e permiti que as lesmas tomassem conta deles.

Foi exatamente isso que fiz comigo mesma."

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