{Livro} O navio das noivas – Jojo Moyes

Em 27.10.2016   Arquivado em Livros

Ficha Técnica

Título: O navio das noivas
Autor: Jojo Moyes
Editora: Intrínseca
ISBN: 978-85-8057-995-6
Páginas: 382
Categoria: Romance

Sinopse: “Austrália, 1946. É terminada a Segunda Guerra Mundial, chega o momento de retomar a vida e apostar novamente no amor. Mais de seiscentas mulheres embarcam em um navio com destino a Inglaterra para encontrar os soldados ingleses com quem se casaram durante o conflito.
Em Sydney, Austrália, quatro mulheres com personalidades fortes embarcam em uma extraordinária viagem a bordo do HMS Victoria, um porta-aviões que as levará, junto de outras noivas, armas, aeronaves e mil oficiais da Marinha, até a distante Inglaterra. As regras no navio são rígidas, mas o destino que reuniu todos ali, homens e mulheres atravessando mares, será implacável ao entrelaçar e modificar para sempre suas vidas.
Enquanto desbravam oceanos, os antigos amores e as promessas do passado parecem memórias distantes. Ao longo da viagem de seis semanas — apesar de permeada por medos, incertezas e esperanças — amizades são formadas, mistérios são revelados, destinos são selados e o felizes para sempre de outrora não é mais a garantia do futuro que foi planejado.
Com personagens únicas e uma narrativa tocante, Jojo Moyes conta uma história inesquecível que captura perfeitamente o espírito romântico e de aventura desse período da História, destacando a bravura de inúmeras mulheres que arriscaram tudo em busca de um sonho.”


Minha classificação:

Minha opinião: Primeiramente, que livro é esse? Um dos melhores livros que eu já li! Estou completamente feliz por ter lido essa história!
Sabemos que Jojo Moyes é conhecida pelo livro maravilhoso “Como eu era antes de você” e por criar personagens femininas fortes e cativantes. O que eu não sabia era que o talento dela não se resumia em apenas uma obra maravilhosa. Em “O navio das noivas” ela conseguiu criar personagens envolventes, apaixonantes e totalmente diferentes de Will e Lou e essa característica me conquistou. Gosto quando o mesmo autor consegue criar situações diversas em livros diferentes.
O livro é um lançamento (pelo menos em português) e foi o terceiro livro que li da autora. A história acontece paralelamente em dois tempos, no ano de 2002 e no ano de 1946. É narrado em terceira pessoa e começa em 2002 com Jennifer e sua avó em uma viagem na India. Nesse país, a avó (que até então não sabemos o nome) visita um “cemitério de navios” e ao se deparar com um em específico, passa mal até ser acolhida pela neta e os amigos. Logo depois, conhecemos um espaço completamente diferente na Austrália, no ano de 1946, no fim da segunda guerra mundial. Nessa época haviam várias esposas de militares ingleses esperando pela oportunidade de viajar para encontrar seu grande amor. Muitas esperavam por anos e não perdiam a esperança. É nesse momento que conhecemos quatro personagens principais: Margaret, Avice, Jean e Frances. Essas esposas são escolhidas para embarcar no navio HMS Victoria com mais de 600 mulheres, militares, fuzileiros, armas, aviões, comandantes e praças por 6 semanas em direção à Inglaterra.
Primeiro, temos Margaret, grávida, simples e com muita personalidade. Ela vive com o pai e os irmãos e decide sair do seu lar para reencontrar Joe, o militar com quem se casou. Depois conhecemos Avice, menina mimada, rica e muito preocupada com as aparências, porém, tem o mesmo desejo de ser feliz e poder compartilhar dessa felicidade com o famoso Ian. Também conhecemos ao mesmo tempo, Jean, que faz parte do mesmo grupo de Avice, é uma menina de 16 anos, casada e completamente imatura, é talvez, a que vai te fazer chorar mais. Por fim, Frances, uma enfermeira dura, séria e muito tímida. Desde o inicio percebemos que ela tem algo diferente e que esconde vários segredos, inclusive sobre o próprio marido. No decorrer da história conheceremos mais a fundo o comandante do navio, um fuzileiro em especial, algumas das outras esposas e muitos dos militares (e acredite, você vai se apaixonar por eles).
Muitas histórias se desenrolam dentro desses 6 meses e a autora trata de conceitos complicados na época. Como por exemplo, o machismo extremamente gritante dos anos 90, o papel da mulher para as próprias mulheres, a pobreza e o preconceito. Com uma linguagem leve e envolvente, Jojo nos leva a uma viagem no tempo, nos faz imaginar a vida dessas pessoas, as injustiças, as amizades, os amores e as incertezas da época. No final, você não vai se esquecer tão fácil delas.
É baseada em uma história real. Esse navio realmente existiu e depois da segunda guerra mundial a Australia realmente enviou muitas noivas para a Inglaterra.
Jojo Moyes dedicou esse livro para sua avó, Betty McKee, que foi uma das noivas no Victorious. Ela realizou pesquisas bem profundas sobre as histórias da época, encontrou diários, jornais e relatos reais de pessoas que viveram nos tempos da segunda guerra mundial. Jojo fez uma pesquisa tão linda que em cada capítulo ela coloca um trecho desses diários, reportagens ou relatos. Essas informações fazem com que a história ficcional se torne mais real para o leitor.
É um relato de alegrias, perdas, amor, MAIS amor, amizade, maturidade, aventura e descobertas. Não posso definir esse livro em uma palavra, é impossível. Além da escrita maravilhosa, amo como ela consegue detalhar o que os leitores querem saber e como consegue criar personagens que te cativam.
Sem dúvidas indico a leitura para todos os tipos de leitores, apesar do romance que certamente existe, a história e os valores tratados são importantes para a reflexão.


Alguns trechos do livro:

“Nunca nos contam que não ficamos só com o vazio da perda, mas também com uma infinidade de perguntas que jamais serão respondidas.”

“Aproxime-se demais de uma mulher e nunca sera feliz em lugar algum.”

“Mas ela passava a maior parte do tempo recostada em uma das rodas do avião, o chapéu de abas largas jogado para tras, os olhos fixos no céu. Um céu livre de aviões inimigos, de mísseis malignos e silenciosos, de gritos dos feridos. Livre de julgamento daqueles que achavam que a conheciam. Não havia mais nada entre ela e seu destino, nem montanhas, nem árvores, nem prédios. Muito menos pessoas.”

“Talvez fosse pelo momento inusitado, ou porque seus ombros à mostra reluziam como algo celestial sob a claridade incipiente. Talvez fosse o simples fato de, ao longo do que parecia uma eternidade, ele não ter mantido uma conversa que não fosse marcada por jargões militares ou relatos de atos de coragem. Ele queria se abrir como o amanhecer na frente dela, se revelar, com defeitos e tudo, e ser absolvido por sua ternura e compreensão. Queria gritar com o marido dela, sem dúvida algum mecânico idiota, metido a engraçadinho e que, naquele momento mesmo, devia estar ajeitando a calça ao sair de um bordel no Extremo Oriente e trocando olhares cúmplices com os colegas. Ele queria gritar: “Você se dá conta do que tem? Consegue entender?”

“Havia uma crescente falta de respeito pelas mulheres, mesmo entre os homens que ele considerava pessoas do bem, e isso o incomodava.”

“Todos nós precisamos encontrar novas formas de viver, dissera ele. Novas formas de perdoar.”

“Mantenha-se firme mesmo na adversidade.”

“Comandante – disse ela-, as únicas pessoas que têm todas as respostas são as que nunca se defrontaram com as perguntas.”

  • Thais Oliveira

    Em 27.10.2016

    Amo o blog <3 estou lendo o livro, no inicio é um pouco arrastado mas depois se torna viciante.

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    Mariana Abramo Reply:

    ai que bom <3
    vou postar mais coisa hoje hehehehe
    bjos

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