Isso é amor, o resto é posse

Em 24.11.2016   Arquivado em Escrita Criativa

Eu queria que você entendesse que eu não sou sua propriedade. Eu não vou colocar o seu sobrenome no meu RG como se fosse um boi marcado, não sou obrigada. Isso não faz diferença no relacionamento, só faz diferença pra você se sentir meu dono.

Eu sou sua companheira, e quero ser pro resto da vida. Mas o sentido de companheira é bem diferente do sentido de ser sua “mulher”. As pessoas falam dessa maneira, com um sentido pejorativo tão grande que me dá repulsa. Eu tenho asas, eu quero voar. Você tem 2 opções: ou voa comigo, ou me larga.

Não quero ser castrada, não quero ser amarrada, enjaulada, marcada, não quero sentir que não sou mais minha. Não quero me olhar no espelho e sentir que eu não sou mais eu, que virei uma pessoa que não reconhece o próprio rosto no espelho. Quero sentir que sou minha sempre, mesmo estando ao seu lado.

Quero que um apoie o outro, não quero sentir que você é meu pai, meu dono, meu senhor, meu mestre ou qualquer outra coisa soberana, pois você não é. Quero igualdade.

Quero igualdade em todos os níveis, desde o momento das louças lavadas até o momento de limpar a privada. Quero sentir que todos são responsáveis pela casa, pela família, pelos filhos, pela comida, pelo dinheiro, pela cama arrumada.

Quero saber que sempre posso sair pra alçar novos voos e que você estará lá comigo pra ter certeza que meus equipamentos de voo estão devidamente presos, pra eu não me estabacar. E que muitas vezes voe comigo.

Gosto de saber que posso voar mas que tenho pra onde voltar. Isso é amor. O resto é posse.

{Filme} Animais Fantásticos e Onde Habitam

Em 18.11.2016   Arquivado em Filmes

Ficha Técnica

Título original: Fantastic Beasts and Where to Find Them
Distribuidor: Warner Bros
Ano: 2016
Direção: David Yates
Elenco: Eddie Redmayne, Katherine Waterston, Dan Fogler e outros.
Gênero: Fantasia
Nacionalidade: EUA / Reino Unido
Idioma: Inglês
Classificação: 12 anos

Sinopse: “O excêntrico magizoologista Newt Scamander (Eddie Redmayne) chega à cidade de Nova York levando com muito zelo sua preciosa maleta, um objeto mágico onde ele carrega fantásticos animais do mundo da magia que coletou durante as suas viagens. Em meio a comunidade bruxa norte-americana, que teme muito mais a exposição aos trouxas do que os ingleses, Newt precisará usar todas suas habilidades e conhecimentos para capturar uma variedade de criaturas que acabam fugindo.”

Minha classificação:

Minha opinião: Bom dia galerinha!!! Quem acordou super cansada hoje porque ontem foi pra pré-estreia de Animais fantásticos e onde habitam levanta a mão??? o/

Siiim! Ontem lá estava eu, cheia de sono, cansada, morta com farofa, no meio de um monte de fã de cachecol da Grifinória, varinha, blusa de HP, mas eu não podia esperar, tinha que ver logo!

Vou tentar falar sem dar spoiler pra ninguém ficar com raiva rs… Pra começar, nada supera a experiência de você estar sentado novamente na sala de um cinema e começar aquela abertura da Warner com a trilha sonora que estamos tão acostumados a ver nos filmes do Harry. Naquele momento eu fiquei pensando: “Nossa, deve ser uma droga ser a J K Rowling nesse momento, porque Harry Potter foi um sucesso tão grande que fazer qualquer coisa que se equipare a isso é muito difícil”. E é verdade, é difícil mesmo.

Pra começar, devo dizer que eu não li o livro referente a esse filme, mas vi alguns vídeos e li algumas coisas em sites de fãs sobre o contexto pra não chegar lá boiando.

O filme se passa na década de 20 em Nova York. Newt chega com uma maleta mágica cheia de animais fantásticos dentro pra uma missão especial. Ele é magizoologista. Mas o que vem a ser isso? Ele estuda as criaturas mágicas e está escrevendo um livro sobre elas para que os bruxos compreendam a importância desses animais e tenta explicar que eles são inofensivos.

Acontece que ele chega em NY em um momento onde há uma exposição muito grande dos bruxos e muitos trouxas (ou não-maj, como chamam em NY) estão praticamente certos de que há bruxos por aí. Todo o cuidado é pouco, mas Newt logo em seu primeiro momento na cidade já começa a ter problemas com sua maleta e é a partir daí que a história se desenrola.

O figurino está lindo, eu amo o estilo anos 20. A cidade de NY também está um charme. Ainda vemos no filme aquela mesma magia de panelas fazendo a comida sozinha, sabe? Estilo família Weasley…

Os 4 personagens principais são muito bons, eles têm uma unidade legal, embora o Newt eu só consiga lembrar dele como Stephen Hawking, no filme A teoria de tudo.

É muito difícil falar qualquer coisa que não dê spoiler. Só posso dizer que Johnny Depp amarra o filme para os próximos e realmente vale o investimento de temers para assistir na telona.

Assim… O filme foi legal? Foi! Foi muito legal? Foi! Foi 5 estrelas e entrou pra lista de preferidos? Siiim! Claro, eu amo filmes de fantasia! Mas foi uma experiência como os filmes HP? Não, com certeza não.

Vai lá no cinema ver e depois me conta o que você achou! Beeeijos! :)

{Livro} Paris for one – Jojo Moyes

Em 05.11.2016   Arquivado em Livros

Ficha Técnica

Título: Paris for one
Autor: Jojo Moyes
Editora: Penguin Books
ISBN: 978-1-405-91893-0
Páginas: 96
Categoria: Romance
Idioma: Inglês

Sinopse: “Nell is twenty-six and has never been to Paris. She has never even been on a weekend away with her boyfriend. Everyone knows she is just not the adventurous type.
But, when her boyfriend doesn’t turn up for their romantic mini-break, Nell has the chance to prove everyone wrong.
Alone in Paris, Nell meets the mysterious moped-riding Fabien and his group of carefree friends. Could this turn out to be the most adventurous weekend of her life?”


Minha classificação:

Minha opinião: “Paris for one” é mais uma história incrível da nossa querida Jojo Moyes.

Primeiramente, gostaria de registrar que foi o meu primeiro livro lido em inglês (sim, estou muito emocionada e foi uma experiência bem interessante), aproveitei uma promoção da saraiva e encomendei esse pequeno livro. Sim, ele é pequeno, apenas 96 páginas. Faz parte da série “Quick reads” da editora, e põe quick nisso, li em apenas 7 horas, super rápido. Infelizmente não tem versão em português, mas espero que em breve possam traduzir, até porque a história te prende do começo ao fim.

A escrita da Jojo é maravilhosa, ela consegue criar personagens cativantes e histórias que te prendem até o fim.
Bom, “Paris for one” é narrado em terceira pessoa com uma linguagem bem leve. Conta a história de Nell, uma mulher de 26 anos bem insegura e sempre preocupada em ser aquilo que os amigos e familiares ao redor dizem sobre ela. Um belo dia, com o objetivo de ter um fim de semana romântico com o namorado, ela decide viajar à Paris. Porém, o que ela não sabia é que ele não tinha planos de ir. No dia da viagem, sem dizer nada previamente, o boy não aparece e envia uma mensagem mais que horrorosa informando que “ficou preso no trabalho”. Frustrada, Nell precisa decidir se continuará em Paris ou voltará para a Inglaterra. Com uma mistura de passagens não reembolsáveis, orgulho ferido, vontade de ser impulsiva e 1 par de ingressos para assistir a exposição da Frida Kahlo, a personagem decide ficar e conhecer a beleza parisiense com o charmoso escritor Fabian.

É um romance curto, meio água com açucar, mas quem não gosta desses tipos de romance? E mais, quem não gosta desses tipos de romances escrito pela Jojo Moyes?

Me apaixonei pela delicadeza em que ela escreveu essa história, em como ela enriqueceu de detalhes um fim de semana que para nós, geralmente, é tão curto e como ela criou um suspense no final com gostinho de quero mais.
A única coisa que eu não gostei foi as folhas e a diagramação. Não gosto de livros “estilo banca de jornal”. Aqueles que as páginas tem um cheiro estranho, as folhas podem rasgar rápido e tem letras grandes. Imagino que esse é o estilo dos livros “quick reads”. Enfim, a capa é maravilhosa, compensa qualquer coisa! Super recomendo!


Alguns trechos do livro:

“She is in Paris, getting ready to go out with a strange man she has picked up in a gallery. She must be insane. This is the stupidest thing she has ever done in her life.”

“I have been thinking”, he says, still chewing. “I have an idea for a new story. It is about a girl who makes lists for everything.”

{Livro} O navio das noivas – Jojo Moyes

Em 27.10.2016   Arquivado em Livros

Ficha Técnica

Título: O navio das noivas
Autor: Jojo Moyes
Editora: Intrínseca
ISBN: 978-85-8057-995-6
Páginas: 382
Categoria: Romance

Sinopse: “Austrália, 1946. É terminada a Segunda Guerra Mundial, chega o momento de retomar a vida e apostar novamente no amor. Mais de seiscentas mulheres embarcam em um navio com destino a Inglaterra para encontrar os soldados ingleses com quem se casaram durante o conflito.
Em Sydney, Austrália, quatro mulheres com personalidades fortes embarcam em uma extraordinária viagem a bordo do HMS Victoria, um porta-aviões que as levará, junto de outras noivas, armas, aeronaves e mil oficiais da Marinha, até a distante Inglaterra. As regras no navio são rígidas, mas o destino que reuniu todos ali, homens e mulheres atravessando mares, será implacável ao entrelaçar e modificar para sempre suas vidas.
Enquanto desbravam oceanos, os antigos amores e as promessas do passado parecem memórias distantes. Ao longo da viagem de seis semanas — apesar de permeada por medos, incertezas e esperanças — amizades são formadas, mistérios são revelados, destinos são selados e o felizes para sempre de outrora não é mais a garantia do futuro que foi planejado.
Com personagens únicas e uma narrativa tocante, Jojo Moyes conta uma história inesquecível que captura perfeitamente o espírito romântico e de aventura desse período da História, destacando a bravura de inúmeras mulheres que arriscaram tudo em busca de um sonho.”


Minha classificação:

Minha opinião: Primeiramente, que livro é esse? Um dos melhores livros que eu já li! Estou completamente feliz por ter lido essa história!
Sabemos que Jojo Moyes é conhecida pelo livro maravilhoso “Como eu era antes de você” e por criar personagens femininas fortes e cativantes. O que eu não sabia era que o talento dela não se resumia em apenas uma obra maravilhosa. Em “O navio das noivas” ela conseguiu criar personagens envolventes, apaixonantes e totalmente diferentes de Will e Lou e essa característica me conquistou. Gosto quando o mesmo autor consegue criar situações diversas em livros diferentes.
O livro é um lançamento (pelo menos em português) e foi o terceiro livro que li da autora. A história acontece paralelamente em dois tempos, no ano de 2002 e no ano de 1946. É narrado em terceira pessoa e começa em 2002 com Jennifer e sua avó em uma viagem na India. Nesse país, a avó (que até então não sabemos o nome) visita um “cemitério de navios” e ao se deparar com um em específico, passa mal até ser acolhida pela neta e os amigos. Logo depois, conhecemos um espaço completamente diferente na Austrália, no ano de 1946, no fim da segunda guerra mundial. Nessa época haviam várias esposas de militares ingleses esperando pela oportunidade de viajar para encontrar seu grande amor. Muitas esperavam por anos e não perdiam a esperança. É nesse momento que conhecemos quatro personagens principais: Margaret, Avice, Jean e Frances. Essas esposas são escolhidas para embarcar no navio HMS Victoria com mais de 600 mulheres, militares, fuzileiros, armas, aviões, comandantes e praças por 6 semanas em direção à Inglaterra.
Primeiro, temos Margaret, grávida, simples e com muita personalidade. Ela vive com o pai e os irmãos e decide sair do seu lar para reencontrar Joe, o militar com quem se casou. Depois conhecemos Avice, menina mimada, rica e muito preocupada com as aparências, porém, tem o mesmo desejo de ser feliz e poder compartilhar dessa felicidade com o famoso Ian. Também conhecemos ao mesmo tempo, Jean, que faz parte do mesmo grupo de Avice, é uma menina de 16 anos, casada e completamente imatura, é talvez, a que vai te fazer chorar mais. Por fim, Frances, uma enfermeira dura, séria e muito tímida. Desde o inicio percebemos que ela tem algo diferente e que esconde vários segredos, inclusive sobre o próprio marido. No decorrer da história conheceremos mais a fundo o comandante do navio, um fuzileiro em especial, algumas das outras esposas e muitos dos militares (e acredite, você vai se apaixonar por eles).
Muitas histórias se desenrolam dentro desses 6 meses e a autora trata de conceitos complicados na época. Como por exemplo, o machismo extremamente gritante dos anos 90, o papel da mulher para as próprias mulheres, a pobreza e o preconceito. Com uma linguagem leve e envolvente, Jojo nos leva a uma viagem no tempo, nos faz imaginar a vida dessas pessoas, as injustiças, as amizades, os amores e as incertezas da época. No final, você não vai se esquecer tão fácil delas.
É baseada em uma história real. Esse navio realmente existiu e depois da segunda guerra mundial a Australia realmente enviou muitas noivas para a Inglaterra.
Jojo Moyes dedicou esse livro para sua avó, Betty McKee, que foi uma das noivas no Victorious. Ela realizou pesquisas bem profundas sobre as histórias da época, encontrou diários, jornais e relatos reais de pessoas que viveram nos tempos da segunda guerra mundial. Jojo fez uma pesquisa tão linda que em cada capítulo ela coloca um trecho desses diários, reportagens ou relatos. Essas informações fazem com que a história ficcional se torne mais real para o leitor.
É um relato de alegrias, perdas, amor, MAIS amor, amizade, maturidade, aventura e descobertas. Não posso definir esse livro em uma palavra, é impossível. Além da escrita maravilhosa, amo como ela consegue detalhar o que os leitores querem saber e como consegue criar personagens que te cativam.
Sem dúvidas indico a leitura para todos os tipos de leitores, apesar do romance que certamente existe, a história e os valores tratados são importantes para a reflexão.


Alguns trechos do livro:

“Nunca nos contam que não ficamos só com o vazio da perda, mas também com uma infinidade de perguntas que jamais serão respondidas.”

“Aproxime-se demais de uma mulher e nunca sera feliz em lugar algum.”

“Mas ela passava a maior parte do tempo recostada em uma das rodas do avião, o chapéu de abas largas jogado para tras, os olhos fixos no céu. Um céu livre de aviões inimigos, de mísseis malignos e silenciosos, de gritos dos feridos. Livre de julgamento daqueles que achavam que a conheciam. Não havia mais nada entre ela e seu destino, nem montanhas, nem árvores, nem prédios. Muito menos pessoas.”

“Talvez fosse pelo momento inusitado, ou porque seus ombros à mostra reluziam como algo celestial sob a claridade incipiente. Talvez fosse o simples fato de, ao longo do que parecia uma eternidade, ele não ter mantido uma conversa que não fosse marcada por jargões militares ou relatos de atos de coragem. Ele queria se abrir como o amanhecer na frente dela, se revelar, com defeitos e tudo, e ser absolvido por sua ternura e compreensão. Queria gritar com o marido dela, sem dúvida algum mecânico idiota, metido a engraçadinho e que, naquele momento mesmo, devia estar ajeitando a calça ao sair de um bordel no Extremo Oriente e trocando olhares cúmplices com os colegas. Ele queria gritar: “Você se dá conta do que tem? Consegue entender?”

“Havia uma crescente falta de respeito pelas mulheres, mesmo entre os homens que ele considerava pessoas do bem, e isso o incomodava.”

“Todos nós precisamos encontrar novas formas de viver, dissera ele. Novas formas de perdoar.”

“Mantenha-se firme mesmo na adversidade.”

“Comandante – disse ela-, as únicas pessoas que têm todas as respostas são as que nunca se defrontaram com as perguntas.”

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