Por onde você anda?

Em 17.06.2015   Arquivado em Escrita Criativa

(Foto-inspiração daqui)

Nós éramos tão jovens! Ainda sinto o cheiro daquele tempo. Aquele cheiro de comida da mamãe fazendo na cozinha, enquanto nós dois tentávamos zerar todos os jogos de videogame. Nosso amor era tão puro! Foi com você que meu coração bateu forte pela primeira vez! Foi com você que eu aprendi o que eram as tais borboletas no estômago.

Apesar de todos esses anos que se passaram, ainda lembro da primeira vez que meu olhar cruzou com o seu. Era meu primeiro dia naquela escola infernal. Minhas mãos suavam de ansiedade, pois não sabia como seria aquela nova empreitada. Entrei na sala e nossos olhos grudaram, como ímãs. Aqueles olhos cor de avelã não pareciam reais de tão lindos, e seus cílios… OMG! Parecia que você tinha usado curvex!! É possível homens terem cílios tão grandes e curvados naturalmente? Fiquei hipnotizada por quanto tempo ali? Parecia uma eternidade, mas na verdade, foi só uma questão de relance.

Sentei na fileira de frente pro quadro negro, a única fileira que tinha mesa vaga. Fiquei ali por semanas, todo dia, sentando de frente pra professora, como uma CDF. E pensando em sentar lá atrás perto de você (por que eu sou tão tímida?).

Agradeço aos céus por aquele trabalho de História sobre as Grandes Guerras. E por você estar doente. E por eu estar tão pouco enturmada que não havia conseguido nenhum grupo pra me encaixar. No final da contas tive que fazer uma dupla com o Biel (lembra dele?) e quando você veio à aula de História na semana seguinte, a professora encaixou você com a gente, o único grupo que ainda tinha vagas em aberto.

Era muita vergonha fazer grupo com 2 meninos, mas se não fosse aquele trabalho, nunca saberíamos como somos parecidos. Ops. Como éramos parecidos. Faz tanto tempo, não é mesmo? Como será que você está agora? Aonde? Será que ainda quer ir a um show do Los Hermanos comigo? Será que ainda ia querer jogar videogame ou hoje você acha que é perda de tempo? Será que ia querer passar as suas tardes comigo na Quinta da Boa Vista, tocando violão, comendo porcaria e conversando bobeiras?

Nosso amor era tão puro! Acho que só você eu amei de verdade. Amava cada pedacinho seu. Seu sorriso, seu dente meio tortinho, e seu topete que eu não podia bagunçar. Hoje as pessoas precisam quase dar um currículo umas pras outras antes de sair pela primeira vez, pra ver se os perfis são compatíveis. Sabe… Não sinto que isso seja amor ou possa se tornar algum dia. Mas com você não. Era tudo tão despretencioso que fluía. E tudo que conseguíamos lembrar era de olhar a hora de voltar pra casa a tempo de não tomar esporro do meu pai.

Será que você ainda lembra de mim? Será que ainda lembra do nosso amor? Acredito que sim. Uma coisa tão especial não é esquecida nunca. O dia que você foi embora foi o mais terrível da minha vida. Não podia acreditar que sua família estava se mudando pra Floripa. Fiquei doente quando você foi embora. Desculpe por querer cortar relações totalmente. Sei que você ainda queria continuar falando comigo pelo telefone, mas como suportaria só escutar sua voz? Como suportaria não poder tocar em você? Como suportaria saber, eventualmente, que você e eu tínhamos virado somente amigos e que você estava gostando de outra menina? Isso era demais pra mim. Mas talvez esse tenha sido meu maior erro. Um amor verdadeiro a gente não pode abrir mão. E eu abri.

Quero te contar um segredo. No dia da sua mudança, eu estava espiando escondida. Eu estava sentada no chão, atrás da mureta da pracinha. Olhando seu colchão entrar no caminhão. Olhando as caixas das suas roupas entrarem também. E a caixa com todos os livros que tínhamos lido juntos. Nunca chorei tanto. Parecia que eu estava perdendo minha mãe. Mas era só você. Só? Acho que até hoje não me recuperei totalmente. Saber que você tinha ido embora, e que naquela hora suas coisas também estavam indo. Aquilo parecia tão definitivo! Os dias foram cinzas pra mim por muitos meses. E talvez o Sol nunca mais tenha brilhado tanto depois de você.

É meio panaca eu falar isso, não é? Tínhamos 16 anos! E hoje, olha onde estou: em Londres! Fazendo um intercâmbio phodástico. Sinto que tenho o mundo aos meus pés aqui. Tenho conhecido tanta coisa! Mas a coisa que eu mais queria agora era poder compartilhar com você essa experiência. Sonhamos tanto com isso! Será que você já veio a Londres? Cara… De verdade, posso sentir que o mundo está aos meus pés, mas só queria estar nos seus braços.! Por onde você anda?

  • Aninha

    Em 17.06.2015

    Eu gostei muito da ideia (li o último post) e gostei do texto também! Eu to bem sentimental esses dias, coraçãozinho apertado. Quando li “E hoje, olha onde estou: em Londres!” as perninhas tremeram! Hahahaha…
    Beeeijos!

    [Reply]

    Mariana Reply:

    <3

    [Reply]

  • Karen Prado

    Em 17.06.2015

    Gostei!!! Muito legal.

    [Reply]

    Mariana Reply:

    :3

    [Reply]

  • Juliana

    Em 17.06.2015

    Muito lindo o texto, Mari. Nossa, me fez viajar no tempo e lembrar como é essa fase, tão gostosa e difícil…

    Beijos!

    [Reply]

    Mariana Reply:

    né? era tão booooooooom <3

    [Reply]

  • Ana Paula

    Em 17.06.2015

    Mari que texto lindo, viajei e acredita que parei para me perguntar se casou, se calvise se aprofundou e se continua um fofo igual antes. Tao bom esta fase da vida mas dificil…

    [Reply]

    Mariana Reply:

    ahahaha que fofo <3

    [Reply]