Post comemorativo 7 anos de batismo: A história da minha conversão à Igreja Mórmon

Em 12.11.2014   Arquivado em Religião

Olá galerinha! Ontem eu fiz 7 anos de batismo, e por isso resolvi fazer um post mais do que especial nesse dia. O bom de eu ter um blog pessoal é que posso colocar aqui tudo o que me motiva e inspira.

Eu vou começar contando um fato triste, mas por favor, foca no final, ok? :)

Quando eu tinha 14 anos, 6 pessoas da minha família e próximas a mim morreram. Eu perdi minha avó materna, 1 mês depois foi o meu avô paterno, 2 meses depois eu perdi minha prima, que na época tinha apenas 6 dias de vida. Depois disso ainda perdi mais 2 tios e um amigo de infância. Quando se tem 14 anos, é um pouco difícil de suportar isso. Na verdade é um pouco difícil em qualquer idade, mas especialmente para alguém que tem 14 anos e não sabe o que acontece depois da morte e fica inconformada com isso. Por muitos anos eu sofri, chorei muito. Porque eu não tinha esperança nenhuma. Eles tinham ido embora e na minha cabeça tudo tinha acabado, nunca mais eu ia vê-los.

Meus tios, aqueles que perderam minha prima com 6 dias, também sofreram muito. Minha tia sempre me falava: “Quem perde o pai e a mãe fica órfão. Quem perde o marido fica viúva. E quem perde o filho? É tão contra a natureza que nem tem nome pra isso.” Ela sofreu MUITO por muitos anos, uma dor que não passava. Ela tinha medo de engravidar de novo e perder outro filho. Só depois de 7 anos ela conseguiu ter coragem pra tentar. Hoje minha prima teria 15 anos.

A morte sempre esteve muito perto de mim, não foi só naquele ano. Talvez por isso eu sempre tenha me perguntado o que acontece com as pessoas quando elas morrem. Eu fui a vários locais diferentes e conversei com muitas pessoas diferentes tentando encontrar respostas e fazia sempre as mesmas perguntas, mas ninguém conseguia confortar meu coração de verdade. E eu continuava sofrendo.

Aos 22 anos de idade eu conheci a Igreja Mórmon através de um menino. Ele já era um membro da Igreja (na verdade ele era membro desde criança, e a família dele toda também). Eu o conheci através da internet (RIP Orkut), ele morava em Utah (EUA) e eu morava no Rio. A princípio trocamos MSN e eu achava legal conversar com ele em inglês, além dele ser um cara bacana. Conversa vai, conversa vem, começamos a nos tornar mais próximos e eu comecei a falar um pouco sobre a minha vida, e ele começou a falar sobre a dele e no que ele acreditava. Comecei então a ouvir uma perspectiva sobre a vida, a morte, e sobre o que estamos fazendo aqui, totalmente diferente de tudo que eu já tinha escutado antes. Aquilo começou a me trazer respostas e meu coração começou a ficar quentinho. Finalmente eu poderia estar achando as respostas pras minhas perguntas.

Fiquei tão curiosa por essa Igreja que resolvi ir a uma aqui no Rio. Mas como ele estava em Utah, não podia me acompanhar. Eu fui pra frente da Igreja e fiquei passando pra lá e pra cá, pra ver se alguém me convidava pra entrar, me dava a mão e me carregava lá pra dentro. Mas infelizmente essa minha expectativa não virou realidade e voltei pra casa frustrada. Ele me deu um link então, onde eu podia escutar o Livro de Mórmon em MP3 enquanto não conseguia ir pra Igreja. Eu baixei pro meu PC e escutei tudo.

Cada dia eu tinha mais vontade de ir pra Igreja, então ele me propôs o seguinte: “Eu tenho uma irmã que mora no Rio. Se eu falar com ela pra te esperar na porta da Igreja você entra com ela?” Aquilo era tudo que eu estava esperando. Na verdade a irmã dele nem frequentava aquela unidade que eu queria ir, mas ela foi até lá e me esperou na porta, conforme combinado.

Eu nunca tinha entrado numa Igreja que parecia uma escola. Tinha um monte de salas, e cada um ia pra sua, como se fossem várias classes diferentes. Eu fui com ela pra uma sala onde só tinham mulheres, e a professora estava falando sobre arrependimento. Aquela aula tocou muito fundo em mim, e eu chorei do começo ao fim da aula. (Hoje eu fico me imaginando dando uma aula e uma pessoa chorando do começo ao fim, eu ia ficar agoniada sem saber se o choro era de felicidade, tristeza, se a aula era tão ruim que dá vontade de chorar)

Depois ela me levou pra uma outra sala, onde a aula era sobre casamento eterno. Naquele momento, eu aprendi que uma mulher e um homem podem se casar pra eternidade, não só “até que a morte os separe”. Aquilo parecia um conto de fadas pra mim, parecia que eu poderia dizer “e eles viveram felizes para sempre” para mim e pro meu futuro marido. Eu sempre achei muito estranho, você, durante toda a sua vida, aprender a amar tanto as pessoas da sua família (sua mãe, seu marido, seus filhos) e depois ter que dizer adeus porque a morte chegou, e nunca mais vê-los ou estar com eles. Sempre achei que Deus era muito injusto por nos fazer criar laços tão profundos e depois nos deixar sozinhos. Naquela hora eu descobri que podia não ser assim, que Deus definitivamente não era injusto e você podia criar laços eternos e estar junto com sua família pra sempre, até depois da morte.

Saí de lá decidida a me batizar. Cheguei em casa, contei pra minha mãe e ela falou que eu era louca de me batizar em uma Igreja que eu só tinha ido 1 vez. Realmente isso pode parecer pouco sensato, mas eu só conseguia saber sobre o que eu sentia, e eu sentia que era ali. Naquele lugar eu podia aprender coisas diferentes, achar respostas pras perguntas que ninguém tinha conseguido me dar satisfatoriamente em 22 anos de vida. Pode parecer louco eu contar isso aqui, mas eu realmente me batizei na semana seguinte.

Não consigo descrever pra vocês o sentimento que eu tive ao me batizar sem deixar rolar uma lágrima no canto do olho. Aquele foi um momento tão marcante pra minha vida que eu não consigo deixar de me emocionar quando eu me lembro. Não consigo esquecer aquele sentimento de “alma lavada” quando eu saí da pia batismal. Eu estava dando um passo novo. Como se alguém tivesse pegado uma borracha e apagado todas as págionas anteriores. Como se eu tivesse rasgado meu diário e tivesse comprado outro, novinho em folha, e tivesse dito pra mim mesma: “Agora vamos começar tudo de novo. E agora vai ficar bonito.”

Embora eu nunca tinha tido, até então, uma experiência tão na emoção como eu fiz aquilo ali, naquele momento, até hoje eu não me arrependo. Eu sei que aquela atitude no “calor da emoção” foi o diferencial pra eu ser quem eu sou hoje. Não sei mais quem eu seria, ou onde eu estaria, ou em que condições eu estaria, se não fosse aquele dia que eu bati o pé pra minha mãe e falei: “Eu vou me batizar”.


Me filiei a uma Igreja que eu achava que, já que não podia mais ter meu avô, minha avó e minha prima de volta, pelo menos eu podia fazer um laço com meu marido e ter ele pra mim, pra sempre. Mais feliz ainda eu fiquei ao descobrir, depois que eu já tinha me batizado, que na verdade nós podemos conectar TODA a nossa família!!! Eu posso viver pra sempre ao lado do meu avô novamente!!! Basta eu fazer as coisas certas aqui e merecer ter esse privilégio.

Hoje, depois de 7 anos, não consigo contar quantas bênçãos eu recebi por causa daquele 11/11/2007. Não vou mentir dizendo que foram todos os dias de felicidade e céu azul, até porque nunca recebi essa promessa. Aprendi que estamos nessa vida pra passar por situaçôes que nos moldam, nos fazem aprender, nos dão a chance de melhorar. Continuo passando por isso todos os dias. Mas saber bem fundo lá no meu coração verdades eternas como: um dia posso ter minha família de volta se eu fizer por merecer, me dá uma perspectiva diferente e me faz ter vontade de me tornar uma pessoa melhor a cada dia, mesmo sabendo que eu tropeço aqui e ali. Se antes eu queria trabalhar muito, ser muito rica, comprar um monte de coisas e viajar o mundo, hoje eu quero ter uma família feliz e dinheiro o suficiente pra pagar as contas. Momentos inesquecíveis não se fazem necessariamente em Cancún na beira da praia, mas se fazem dentro de casa, comendo pipoca, conversando e vendo um filme em família numa sexta-feira à noite.

Espero que vocês lendo esse post possam sentir uma pontinha da alegria que eu sinto.

  • Maria Ienke

    Em 12.11.2014

    Muito linda a sua história Mari! Eu não tenho religião e sou feliz assim, mas acho que cada um sabe o que é melhor pra sua vida e o que a deixa mais feliz! Que bom que isso te fez bem! Fico feliz por você, amiga! :)

    [Reply]

    Mariana Reply:

    <3

    [Reply]

  • Miriam

    Em 12.11.2014

    Muito bonita a sua experiência, Mari! A melhor coisa é quando (re)encontramos a presença e a importância de Deus na nossa vida. :)
    E a moça ainda conta a história sem perder o toque de humor comentando sobre como não saberia o que fazer se alguém chorasse a aula inteira… hahaha fofa!
    mil beijocas, parabéns por estar percorrendo o caminho no qual você acredita!
    :******

    [Reply]

    Mariana Reply:

    <3

    [Reply]

  • Aninha

    Em 12.11.2014

    Oi Mari! Achei muito bonita sua história, é realmente bom poder encontrar essas respostas que tanto procuramos! Minha cabecinha anda muito confusa com relação a isso. Eu fazia parte de uma religião, mas por vontade própria resolvi “deixá-la”. Depois disso, eu não esperava, mas me envolvi com uma pessoa de uma religião totalmente diferente daquela que eu frequentava, e estava disposta a me converter pelo que sentia por essa pessoa e pelo bem da família que queríamos construir a partir daquele momento. Infelizmente a relação acabou e eu não sei o que fazer, rs. Minha mãe, assim como a sua, também não achou que fosse uma boa ideia a minha “conversão”, e isso mexeu ainda mais com a minha cabeça. Depois que o relacionamento acabou, mexeu mais ainda, eu fiquei (e na verdade ainda estou) totalmente perdida. Espero um dia encontrar essas respostas como você encontrou. Beijos!

    [Reply]

    Mariana Reply:

    oi aninha!!! eu fui a MUUUUUUUUUUITAS igrejas diferentes até achar uma que realmente respondesse as minhas perguntas, meus questionamentos… assim… eu particularmente não acho uma boa ideia se batizar por causa de outra pessoa, pq qd vc se batiza vc cria um compromisso muito forte com a aquilo, vc precisa ter muita certeza de “onde está se metendo” rsrsrsrs… uma coisa que talvez te ajude é o seguinte… eu orei muito, em casa mesmo, sozinha, pedindo a Deus pra me ajudar a achar uma igreja, sabe? não precisa ir pra frente de ninguém pra orar, não precisa ser em voz alta… eu fiz isso sozinha no meu quarto, e Deus me ajudou… acredito que Ele possa te ajudar tb a achar uma igreja :)
    se vc quiser conversar mais, tirar alguma dúvida sobre a minha igreja, sei lá… pode ser pelo facebook se vc quiser… vc tem meu facebook pessoal?
    bjos <3

    [Reply]

  • Aninha

    Em 12.11.2014

    Oi Mari! Concordo bastante com o que você disse. E infelizmente tem muita coisa envolvida nessa história. Não tenho seu facebook pessoal não, só a página do blog mesmo. Como posso te achar por lá? Se preferir, posso te mandar um e-mail também.
    Beijos! :*

    [Reply]

    Mariana Reply:

    vou mandar um e-mail pra esse cadastrado aqui no comentário, ok? 😉 bjos

    [Reply]

  • Aninha

    Em 12.11.2014

    Oi Mari! Aqui é a Aninha, do comentário anterior. Esse e-mail que apareceu pra vc está desativado, pois tive que parar com o blog. :(
    Se não for pedir demais, poderia encaminhar para este e-mail que estou comentando agora?
    Muito muito obrigada!
    :*

    [Reply]

    Mariana Reply:

    pois é… isso é uma coisa que eu tô intrigada… pq vc parou com o blog? :'(
    já encaminhei pra esse novo e-mail!!! bjos

    [Reply]

  • Rafaella Ribeiro

    Em 12.11.2014

    É bem assim que me sinto em relação ao espiritismo! Uns amigos meus do centro espírita criaram uma banda e numa das músicas eles escreveram uma frase que eu tento levar pra vida toda: “A paz que eu quero é a paz que eu devo construir”. Não acho que religião seja o caminho para todas as pessoas encontrarem a paz, mas pode ser o de muitas. Que bom que conseguiu trilhar isso tudo e encontrar a paz dentro de si mesma! E que a gente saiba verdadeiramente que felicidade e paz é a gente que constroi, seja onde for, em qual credo for!

    [Reply]

    Mariana Reply:

    com certeza!!! felicidade e paz é a gente que constrói pra nossa vida <3
    bjos

    [Reply]