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Quando a morte chega…

Minha avó sempre dizia que pra morrer, basta estar vivo. A morte a levou em 2004. São mais de 10 anos sem escutar suas piadas, e sem jogar cartas com ela, enquanto ela tentava roubar… hehehe…

Cedo ou tarde, a morte sempre chega pra todos nós. Essa, antagonicamente, é a maior certeza que temos na vida: que vamos morrer um dia. Qual dia, ninguém sabe, mas vamos morrer.

No curso natural da vida, os velhos vão primeiro. Quando minha avó se foi, ou meu avô, eu fiquei muito triste e foi difícil superar, mas hoje consigo lembrar deles e dar um sorriso. A saudade chega, mas vem junto com um sentimento de conformidade, pois esse é o curso natural da vida.

Mas quando perdemos alguém que não deveríamos de acordo com esse tal curso natural, aí vem o baque. Senti isso pela primeira vez ao perder minha priminha, que tinha nascido há 6 dias. Alguns anos depois senti a mesma coisa ao perder um amigo da minha idade, que cresceu comigo, em um acidente de moto. Alguns anos depois, tive o maior sofrimento da minha vida, enterrando meu próprio filho. E essa semana, mais um amigo se foi.

Em todos esses quatro casos, só tem uma coisa em comum: por ter sido fora do curso da vida, quatro mães ficaram sem seus filhos.

Quando você perde o pai, você fica órfão.
Quando você perde o marido, você fica viúva.
E quando você perde um filho? Não tem nem nome pra isso.

Essa semana, ao saber que meu amigo tinha ido, de uma maneira tão rápida e inesperada, eu sentei e chorei. Porque ele sempre foi um bom homem, porque ele era íntegro, era sereno, era um homem do bem, trabalhador, e temente a Deus. E eu vou sentir falta dele. Mas esse é um choro egoísta, de um coração humano e falho. Ele está melhor do que eu. COM CERTEZA. Chorei por ele (na verdade, por mim) os primeiros 5 minutos. Depois eu me dei conta, que naquela hora, tinha uma mãe com aquele vazio sem tamanho no coração. Aquele vazio que ninguém consegue acalmar, que ninguém consegue confortar. O vazio de ver um filho ser enterrado.

Meu dia se foi. Eu tinha muitos planos, muitas coisas pra fazer, mas nenhuma delas era tão importante assim. Fiz questão de estar lá, o dia inteiro, esperando ela chegar. Aquela mãe, que eu sempre chamei de tia. Só porque eu queria abracá-la e dizer: "Eu sei o que você está sentindo." Por mais que 500 pessoas estejam à nossa volta nessa hora, só quem já enterrou um filho sabe o que é estar em cacos por dentro. Pro resto da vida.

Muitas vezes (ou quase sempre) não entendemos os desígnios de Deus. Não entendemos Seus planos pra nós. Mas eu acredito plenamente que pessoas que voltam jovens pra presença Dele, é porque não precisavam de mais tempo aqui. Não precisavam mais aprender nada. Espíritos especiais que não precisam ficar aqui 90 nem 100 anos, porque aprenderam em muito menos tempo. Seres iluminados. Assim eu vejo todos eles.

Meu amigo, Eduardo, você se foi tão cedo. Deixou uma lacuna em nossas vidas. Uma grande lacuna, considerando seus mais de 2 metros de altura. Em uma homenagem final a você, o bispo lembrou que seu apelido era Gigante. Mas que mais do que Gigante em tamanho, você era Gigante por dentro. No seu coração. Nas suas atitudes. Na sua generosidade. Os céus estão em festa por receberem você. Ore por nós, pra que possamos ser tão valentes como você foi nessa jornada.

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2 comentários
  • Andrizy

    Sinto muito pelo seu amigo. Linda a homenagem que você fez. Eu entendi o sentimento em cada linha. Nos últimos sete anos, perdi pai, padrinho, sobrinho, cunhado… É muito difícil, não tem nem como explicar. A do sobrinho foi uma das que eu mais sofri, exatamente pelo que você disse "Mas quando perdemos alguém que não deveríamos de acordo com esse tal curso natural, aí vem o baque". Acho que não deve haver dor maior do que a de uma mãe perdendo um filho… Muita força para todos os amigos e familiares dele para atravessarem esse momento difícil. E que permaneçam sempre as lembranças boas do tempo que vocês passaram ao lado dele.

    Bjos!

    http://sonhos-empoeirados.blogspot.com.br/2014/12/a-vida-o-universo-e-tudo-mais-feliz.html

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    Mariana Reply:

    obrigada… <3

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