Butterfly Soul
Rascunho Literário
Guia para Mamãe de Primeira Viagem
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Quando nasce um filho, nasce uma mãe…

Quando eu estava com 9 meses de gravidez, estava muito ansiosa pro meu bebezinho nascer logo e eu poder ver a carinha dele. Eu ansiava por poder sentir seu cheirinho, por poder abraçar e apertar muito ele! Mas eu não tinha me dado conta de uma coisa ainda: quando nasce um filho, nasce uma mãe. Na hora em que eu cheguei em casa com ele, eu pensei: "Agora é definitivo!" E aí eu lembrei que eu não sabia como amamentar, como dar banho, como trocar fralda… Nada! Nessas horas bate um desespero, apesar de todas as coisas que você leu durante a gravidez.

Dizem que muitas mães ficam no chamado "baby blues", que é uma vibe onde a mãe chora bastante, fica melancólica e se sente incapaz de criar o bebê. É a famosa depressão pós-parto. Eu até achei que poderia ter isso e me preparei, pra se eu tivesse, poder identificar logo, afinal de contas, não sabia como eu iria reagir.

Mas o que mais me surpreendeu é que eu, uma pessoa na qual todos os bebês sempre choravam no meu colo, eu, uma pessoa que não sabia segurar um bebê direito, fiz tudo totalmente ao contrário do que eu imaginava, e me surpreendi comigo mesma. Não sei de onde veio essa minha maternidade aflorada, onde eu pego o bebê na maior segurança, dou banho nele sozinha com menos de 1 semana de vida, troco as fraldas, identifico os choros, tenho uma intuição que não falha. Comecei a virar um pouco bruxa, como todas as mães. Acho que daqui a uns anos, eu também serei capaz de falar: "Filho, leva o guarda-chuva porque vai chover!" E mesmo com um sol de rachar, o tempo vira e chove.

Na verdade, com os dias chegando e eu cuidando do meu filho, comecei a perceber que não era só ele que tinha nascido. Eu também tinha nascido de novo, pra me descobrir uma pessoa totalmente nova, com superpoderes de saber que o bebê chora porque está com pum preso, mesmo todo mundo dizendo que é fome, e 2 minutos depois o bebê solta pum e volta a dormir como um anjinho.

Não sei descrever esse sentimento que está dentro do meu coração. Só sei que ele é real, forte e tem um poder transformador. É um sentimento que faz a gente ter sono leve e a audição aguçada, pensar na fome dele e esquecer a nossa. E onde isso vai dar, eu não sei, só sei que estou totalmente entregue.

Um texto que me fez chorar e compreender mais meu filho…

Querida mamãe,

Esta noite acordei estranhando o silêncio. Não havia barulho algum e pensei que o mundo tinha até acabado e você esquecido de mim. Coloquei a boca no trombone e você apareceu. Ainda bem. Fiquei tão feliz no calor do seu peito que acabei pegando no sono antes de mamar tudo o que precisava. Quando percebi que você ia me colocar no berço, chorei de novo. Mas não tente negar, você estava com pressa para ir dormir outra vez.

Você me deu de mamar novamente, assim, meio apressadinha e depois resolveu trocar a minha fralda. Estava tudo calmo, um silêncio, nós dois juntinhos, tão legal que eu perdi o sono. Você até que foi compreensiva, mas começou a bocejar um pouco e resolveu me fazer dormir. Eu não queria dormir. Talvez precisasse de mais dez minutos ou meia hora, mas você estava mesmo decidida a dormir. Foi ficando bem nervosa e até chamou o papai. Eu não queria o papai e todos fomos ficando muito irritados.

No final das contas, acordei a casa inteira cinco vezes. Pela manhã, nossa família estava com cara de quem saiu do baile. Acho que estraguei tudo. Imagina, você que chegou a dizer para o papai que eu estou com problema de sono. Eu não! Você é que vem me dar de mamar com pressa e daí eu sinto que você não quer ficar mais comigo.

Os adultos têm hora certa para tudo, mas eu ainda não entendi essas coisas de relógio e tarefas estafantes que vocês precisam fazer. Quando meu corpo está com o seu, quero ficar do seu lado sem me separar nunquinha. Do alto dos meus 3 meses, ainda não descobri direito que você é uma pessoa e eu sou outra. Um dia eu vou sair por aí, vou telefonar e posso deixá-la doida para saber o que anda fazendo e, então, você vai entender como me sinto agora. Mas não precisamos dessa guerra, mamãe.

Até lá, já podemos nos entender, inclusive através das palavras. Sinto a agústia da separação, pois acabei de passar por essa experiência. Você também, mas vive tudo isso como uma adulra consciente. Eu ainda estou vivendo no inconsciente. Eu não sei andam tudo é tão novo pra mim aqui fora. Mas eu tenho absoluta certeza de que vou aprender tudinho o que você me ensinar através dos seus sentimentos em relação a mim.

Mamãe, você quer um conselho de bebê? Quando eu chorar à noite, não salte logo para o meu quarto desesperada, como se o mundo fosse acabar.

Espere um pouco, respire profundamente, ouça o meu choro até que ele atinja o seu coração. Sinta seu tempo, realmente acorde e venha me pegar. Me abrace devagar, não acenda a luz, fale bem baixinho e me dê o seu peito para eu mamar. Depois que eu arrotar, mais um pouco só de paciência, pois, nós bebês, somos sensíveis aos sentimentos dos adultos. Se eu sentir que você está com pressa, sou capaz de armar o maior barraco, mas se você esperar até o meu segundo suspiro, quando meus olhos ficam bem fechados, minhas mãos e pernas bem molenguinhas, aí sim você pode me colocar no berço que eu não acordo antes de sentir fome outra vez. À medida que você desenvolver sua paciência, mamãe, eu estarei desenvolvendo minha tranquilidade e nós não teremos mais noites desagradáveis. Apenas noites de mamãe e bebê, que um dia passam, como tudo na vida.

Sempre seu, gu-gu dá-dá!

Texto de Claudia Rodrigues autora do livro "Mamães mais que Perfeitas"

Metas para 2017
{Teatro} VeRo – Cia de dança Déborah Colker
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4 comentários
  • Juliana

    Posso falar? Chorei com o texto. Tenho um sonho, e é ser mãe. Infelizmente a gente vai deixando pra depois, pra quando tudo estiver perfeito, quando a gente tiver mais dinheiro, quando a gente tiver casa, quando a gente viajar pra fora do Brasil, quando… Quando… Quando… Mas vira e mexe reclamo com o meu noivo sobre isso :(
    Mas a hora vai chegar, né? Não adianta ficar assim! kkkkkkkkkkk
    Fiquei triste, porque a última vez que vim aqui, vc tava grávida, não lembro de quantos meses, e pensei: Que legal, vou acompanhar!
    Mas a vida é cheia de idas e vindas e terminei esquecendo… Aff :(
    Mas fico feliz que esteja tudo bem e seu anjinho tenha nascido assim, rodeado de amor e com uma mãe que sabe de tudo, heim! Vou colher muitas dicas por aqui, pra quem sabe, daqui há 2 anos?… Rs!

    Beijãããoooo!

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    Mariana Cruz Reply:

    se seu sonho é esse, só vá em frente! fale com o seu marido! todo mundo coloca essas coisas na nossa cabeça, dizendo que é preciso fazer tudo que vc sempre sonhou antes pq filho prende, e q vc precisa ter rios de dinheiro pq criar filho é uma fortuna, mas não é bem assim, e tô vendo na prática agora!
    eu saio com ele pra onde eu quero no sling, ele fica bonzinho lá dentro! e não é tão caro assim, vc amamenta, vc ganha presentes, e depois, vc pode colocar ele numa escola federal boa que não vai gastar rios de dinheiro. pra tudo se tem um jeito…
    eu fiz um post há um tempo atrás e seu comentário me fez lembrar dele: http://butterflysoul.com.br/?p=1780
    bjos :)

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  • Mari

    Texto perfeito, vou precisar compartilhar com as minhas outras amigas mamães. rsrs

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    Mariana Cruz Reply:

    hahaha obrigada! compartilha sim :)
    bjos

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