Resenha do documentário: Auschwitz – Inside the Nazi State

Em 24.02.2014   Arquivado em Documentários

Recentemente eu ganhei 1 mês grátis pro Netflix, então fui lá aproveitar, né? Selecionei um monte de filmes que eu queria ver, até que me deparei com uma lista de documentários. Eu, a louca dos documentários (sim eu adoro, não me julgue), fiquei doidinha pra ver todos. E escolhi começar por esse:

Nome do documentário: Auschwitz: Inside the Nazi State
Classificação etária: 12 anos (eu acho que deveria ser pra maiores de 18 anos)
Sinopse: Esta série de documentários aborda um dos assuntos mais inquietantes da história: o Holocausto e o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau.

Minha classificação (sendo de 1 a 5 estrelas):

Minhas considerações:
Eu sempre tive muita curiosidade sobre o tema do holocausto, e sempre li livros sobre isso. Livros de pessoas sobreviventes. Sempre gostei muito de história na escola e sempre estudei muito sobre a guerra e o nazismo. Mas eu nunca tinha visto com tantos detalhes a verdade nua e crua sobre tudo que aconteceu nos campos de concentração.

Acho que eu não tinha uma ideia do tamanho real de tudo, e acho que quase ninguém tem essa ideia. E eu passei a ver a realidade nesse documentário. São 6 capítulos de mais ou menos 45 minutos cada. Mostra depoimentos de sobreviventes, e pasmem, depoimentos de oficiais da SS que estão hoje por aí vivendo vida boa em vez de estarem na cadeia por crimes de guerra.

O documentário vai fazendo uma timeline da evolução da guerra e a evolução do que eles chamavam de “Final Solution” pros judeus, ou seja, uma solução definitiva pra exterminar todos eles e não sobrar nenhum. De acordo com Hitler, um dos grandes motivos pelos quais a Alemanha havia perdido a Primeira Guerra Mundial era porque os judeus haviam feito combinações secretas contra os alemães e ele considerava os judeus perigosos e tinham de ser exterminados!!! Eles eram um flagelo e eram considerados uma raça sub-humana. Hitler fazia essa lavagem cerebral no país inteiro, de modo que os próprios alemães podiam surrar judeus em praça pública (ABSURDO!!!).

Conforme o documentário, quando os campos de concentração começaram a ser construídos, eles levavam os judeus pra lá e matavam a tiros. Mas isso era muito lento e muito caro. Então eles foram evoluindo na técnica de matar. Mandaram alguns prisioneiros cavar valas, e até então eles não sabiam porque estavam cavando um buraco tão grande. Eles colocaram muuuuuitas pessoas vivas lá dentro e explodiram todo mundo, de modo que voou pedaço de corpos pra todos os lados. Os prisioneiros tinham que catar pedaços de corpos e jogar nas valas de novo pra enterrarem. No documentário fala que alguns pedaços de corpos ficavam tão alto nas árvores que eles desistiram de mandar retirar e eles ficaram lá. Depois de verem que esse método também não dava certo, surgiu uma nova ideia: o Zyclon B era um pó tóxico que vaporizava e eles usavam pra desinfetar as roupas dos prisioneiros que estavam com piolhos e outras pragas. Eles resolveram então testar o Zyclon B na matança. Fizeram uma câmara improvisada e colocavam as pessoas lá e jogavam o pó por uma portinhola, mas mas pessoas ficavam agonizando até eles conseguirem “acertar” a quantidade do pesticida pra poder matar todo mundo de uma vez.

Você pensa que existia apenas um campo de concentração? Pois eu pensava que sim. Mas não! O campo em Auschwitz era um complexo de muitos blocos, que se juntava com outro campo: Birkenau. O complexo se chamava Auschwitz-Birkenau. Tinham vários outros, e se eu não me engano, no documentário fala 45, mas eu não tenho certeza. O que me marcou mais foi a parte do campo de Treblinka, onde nem tinha alojamento pra prisioneiros: era só crematório e vala. Esse era um campo escondido no meio da floresta, e todo mundo que ia pra lá, saía do trem e morria na mesma hora. Só nesse campo de Treblinka foram contabilizadas mais de 1 milhão de mortes.

O que me dá mais revolta nisso tudo é que na verdade essa coisa de “Vamos poupar pelo menos as mulheres e crianças” na verdade era totalmente ao contrário! Quando os judeus chegavam no campo, eles logo faziam uma seleção rápida, do tipo: mulheres, crianças, doentes e idosos pra um lado, homens jovens pro outro (algumas mulheres jovens sem filhos também). Essa fila das mulheres, crianças, doentes e idosos ia DIRETO pro crematório, porque só dava despesa e não servia pra nada. Eu fiquei imaginando eu na fila, entrando no crematório com o Rodrigo no colo, vendo meu filho agonizar até morrer e eu apertado ele num abraço. Que absurdo alguém ter a falta de humanidade de fazer isso! Eu tenho vontade de chorar só de pensar! Os prisioneiros que restavam trabalhavam até morrer ou até o campo encher demais e eles irem pra vala.

As crianças gêmeas eram as que sobreviviam, pois eram levadas pros laboratórios médicos onde serviam de cobaia humana pra experiências científicas. Mulheres se matavam pra trabalhar no “Canadá”, o setor onde eles separavam todos os pertences das vítimas mortas, pois elas tinham o grande privilégio de poder comer as sobras de comida que encontrassem nas malas. Homens brigavam pra ter a posição de serem os que carregavam os corpos mortos pras valas, porque tinham a chance de viver mais. Pensar em uma sobrevida dessas é tão absurdo que parece que alguém inventou uma história dessas.

Enquanto os judeus eram dizimados, os alemães enriqueciam muito! Nos campos de concentração, eles se apoderavam dos pertences das vítimas: jóias, dinheiros, casacos de pele, roupas. Fora dos campos, as casas vazias dos judeus eram ocupadas por famílias alemãs que usurpavam tudo. Não sei o que é pior: você ficar anos no campo de concentração vendo todo mundo que você conhece morrer, ou ser uma sobrevivente, a úncia sobrevivente de toda a sua família, e voltar pra casa sem 1 centavo no bolso e achar uma outra família ocupando tudo que era seu e você ser obrigado a viver nas ruas e continuar sem ter o que comer. Que fardo gigante essas pessoas passaram!

Não consigo descrever como eu fiquei abalada com esse documentário. O que eu contei aqui é só uma pequena parte. Enquanto eu digo a vocês que é maravilhoso, porque mostra a verdade nua e crua do holocausto, é chocante, porque mostra muitos vídeos da época e fotos feitas pela SS enquanto os oficiais matavam todo mundo. A cena que mais me chocou foi um trator que vinha pegando um monte de corpos como se fosse entulho e ia jogando dentro da vala. A vida não era nada, não significava nada. Chorei muito. Os antigos oficiais da SS contam em detalhes como as coisas aconteciam, como eles matavam, como eles não tem arrependimento, como eles roubavam os pertences dos mortos, como eles enriqueceram ilicitamente. Eu aconselho muito a todos a verem, mas vão com o coração preparado. Não aconselho que crianças e adolescentes vejam essas coisas, embora na classificação esteja 12 anos, porque realmente é bem chocante.

  • Miriam

    Em 24.02.2014

    Mari, o post ficou ótimo!
    É realmente um assunto sensível, que embora todos aprendamos na escola, nem sempre se tem a dimensão da barbárie que foi feita… Esse e muitos outros episódios por vezes tornam se quase que banalizados. É nessas horas que documentários como o que você viu são um bom instrumento para forçar a uma reflexão maior…
    No ensino médio nosso professor de história nos levou a uma exposição na uff sobre o holocausto dos testemunhas de jeová, que foram perseguidos pelos nazistas por se posicionarem contra tudo aquilo e principalmente pela divulgação que davam ao holocausto (os testemunhas de jeová montavam e desmontavam as máquinas de escrever dentro dos campos, fazendo jornais e, agora não lembro como, mas eles davam um jeito de circular pra fora dos campos), eu tinha uns 16 anos e foi beeeem pesado ver tudo aquilo tbm, mas acho que se não houvesse ocorrido esse meu trauma talvez eu fosse menos sensível a essa questão…

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    Mariana Cruz Reply:

    é… eu queria ter visto essa exposição!!!
    no documentário diz que não só os judeus eram diziamados, mas os testemunhas de jeová, os presos políticos, os ciganos e outros grupos que agora não estou me lembrando… tenso!!!!
    bjos

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  • Aninha

    Em 24.02.2014

    Nossa Mariana, to chocada! Só de ler seu post meu coração ficou tão apertado em pensar em toda essa barbárie. É muito chocante pensar que pessoas fizeram isso com outras, e tudo a troco de poder, de dinheiro… coisa que não vale nada!
    Quantas pessoas inocentes morreram no meio disso tudo, né? Olha, um outro filme que eu vi (e que tem livro também) é O Menino do Pijama Listrado, você já leu ou viu o filme? Eu fiquei louca só de ver aquele filme. E olha que não é tão chocante quanto esse documentário. Se não assistiu, assista. É emocionante ver toda essa situação pelo olhar de uma criança. (Quantas nem sabia porque aquilo estava acontecendo, né?)
    Beijos!

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    Mariana Cruz Reply:

    realmente é muito triste…
    sim, eu já li o livro e vi o filme do menino do pijama listrado… qd eu vi esse documentário eu vi que realmente o tenente höss tinha uma casa nos arredores dos campos de concentração, e ele vivia lá com a família… o autor qd escreveu esse livro fez um contexto histórico bem amarrado mesmo! 😉
    bjos

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  • Pri

    Em 24.02.2014

    Eu amo documentários tb… Mas esse eu não assisto tão cedo! To muito sensível!

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    Mariana Cruz Reply:

    Pri! por favor, não assista! poupe vc e seu neném pq é mt forte!

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  • Elizabeth

    Em 24.02.2014

    Parabéns, resenha perfeita. Sou historiadora e pesquisadora da Segunda Guerra Mundial, terminei de assistir o documentário ontem. Estava procurando resenhas e achei a sua perfeita!

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    Mariana Reply:

    ai que honra ser elogiada por uma profissional da área :3

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  • Charles

    Em 24.02.2014

    Sim, teve bastante perseguição porcausa da neutralidade política das Testemunhas de Jeová por não se envolverem em guerra.

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    Mariana Reply:

    😉

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