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Sufoco Financeiro

Hoje eu entrei num blog por aí e vi uma menina simplesmente desesperada com sua vida financeira. Eu achei muito interessante porque hoje em dia é difícil de se ver blogs no estilo diário, e além do mais, ela estava sendo tão sincera e desabafando tanto, que eu resolvi compartilhar com vocês o que eu passei há algum tempo atrás.

Quando você entra na faculdade, é um momento mágico que você se sente adulta e tudo o mais. Você acha que pode abraçar o mundo e que o céu é o limite. O mundo se abre pra você e você tem liberdade, poder de escolha, e tantas outras coisas que você não tinha até alguns meses atrás na escola.

Uma das grandes armadilhas pra esses adolescentes em transição pra vida adulta são os bancos que montam barraquinhas no hall da faculdade, no começo do período, te dando boas vindas e prometendo mundos e fundos pra você: "Você pode abrir uma conta universitária no nosso banco, que tem menos juros, você pode pagar as coisas com o dinheiro do seu estágio, te damos cartão de crédito, cheque especial, tudo que você quiser!" Foi aí que meu barco começou a afundar.

Eu aceitei a proposta de um banco e fiz minha conta. Ter meu próprio cartão de crédito ampliava minhas possibilidades exponencialmente. Eu poderia comprar as roupas que eu sempre quis, ir a todos os restaurantes, bares, cinemas e viagens que eu quisesse. E comecei a fazer exatamente isso. Não demorou muito pra eu cair na real que precisava pagar aquelas coisas. Então decidi que deveria conseguir um segundo estágio pra poder bancar minhas esbórnias financeiras. Mas pra isso, eu teria que abrir uma conta em outro banco pra receber. Foi o que eu fiz. O resultado disso você já pode imaginar: uma menina de 19 anos com 2 cartões de crédito, ganhando salário de estágiária = SPC / CERASA.

Meu descontrole financeiro era muito difícil de parar, eu não tinha o auto-controle de não comprar, não sair, não gastar e pagar primeiro o que eu devia. Comecei a precisar da ajuda de outras pessoas pra pagar as coisas, que óbvio, não ficaram felizes com isso. Mas devo dizer que nem assim eu consegui. E por que não? Porque eu não conseguia parar de compraaaaaaaaar!

Fiquei assim descontrolada até eu me casar. Logo quando juntei meus trapinhos, meu marido viu o buraco no qual eu me encontrava, e eu queria sair dele, depois de muitos anos sendo prisioneira do cartão de crédito. Antes muitas pessoas já tinham me ajudado e eu não tinha conseguido, o diferencial daquela vez foi porque eu quis, eu tinha a vontade de sair daquilo de vez e ter uma vida feliz e sem dívidas com meu marido.

Agora vou dizer os passos importantes que eu tomei pra conseguir sair disso:

1º – Cortei todos os meus cartões de crédito. Sim! Com a tesoura! O do banco, o da Marisa, da Renner, da C&A e quantos mais outros… Eu chorei nesse dia, nós mulheres sabemos como é difícil fazer isso, mas foi a decisão mais acertada da minha vida.

2º – Liguei pro meu banco e negociei minha dívida em parcelas fixas. Isso foi ótimo! Quando você faz isso, eles abatem alguma coisa dependendo do seu poder de persuasão, os juros param de aumentar sua dívida, você consegue pagar um pedacinho por mês e eles cortam seu cartão e cheque especial durante esse tempo em que você está acertando seu débito com o banco, fazendo com que você forçadamente precise viver somente com o que você ganha e ponto final.

3º – Paguei em dia minhas parcelas e durante esse tempo aprendi a viver somente com o que eu tinha. E isso foi uma coisa maravilhosa! Temos o hábito de nos compararmos à outras pessoas e querer o que elas têm, mas temos que aprender a viver com o que podemos ter e sermos felizes. Fiquei casada sem armário, sem mesa de jantar, sem muita coisa que eu queria, mas aprendi a ser feliz dessa maneira.

4º – Comecei a fazer um orçamento. Quando a grana tá sobrando, você sabe que pode pagar todas as contas, sair e ainda guardar na poupança. Mas quando a grana tá curta, fazer um orçamento e viver dentro dele é a melhor solução pra não chegar ao fim do mês e ter que fazer fotossíntese por não ter dinheiro nem pro pão.

Eu sei que essas coisas são difíceis, até porque eu colocar isso na minha vida não foi nada fácil. Porém, uma coisa que eu ouvi do meu bispo quando casei foi: "Se vocês gastarem 1 real a menos do que ganham, vocês serão ricos. Se vocês gastarem 1 real a mais do que ganham, serão miseráveis!" Isso porque esse 1 real a mais que fica negativo no banco simplesmente começa a render juros, que no mês seguinte são 2 reais a mais fora do orçamento mais os juros. Estar devendo ao banco é estar preso, mesmo podendo andar pela rua. Viver dentro de minhas posses é me fazer mais feliz do que comprar coisas que não posso e depois não ter como pagar. 😉

Espremendo tudo de um relacionamento falido
Namore o seu melhor amigo
Sei que meu relacionamento é abusivo quando…

2 comentários
  • Mari

    Legal você dividir essa sua experiência aqui. Não há dúvidas que você pode ajudar alguém que esteja passando por uma situação parecida.
    Fazer a administração do nosso dinheiro (ou da falta dele) não é fácil mesmo. Talvez seja uma das coisas mais difíceis e necessárias da vida. Só que é assim mesmo: a gente erra para aprender. E que bom que você conseguiu sair dessa situação. :)
    Beijos

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    Mariana Cruz Reply:

    muita gente não sabe que pode sair dessa situação e acaba se acomodando numa vida sem controle financeiro… :)
    bjos

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