Espremendo tudo de um relacionamento falido

Em 07.04.2017   Arquivado em Relacionamento

Eu sei que nunca é uma palavra muito forte, mas eu vou usá-la mesmo assim: nunca se lamente por um relacionamento fracassado. Nunca diga que perdeu tempo também. Na vida não perdemos nada.

Precisamos extrair tudo de melhor de todas as situações, precisamos enxergar o aprendizado em todos os momentos. Afinal de contas, se não for pra evoluir, por que estaríamos aqui nesta Terra? Pra comer pipoca é que não é… Rs…

De vez em quando penso nos meus ex. Em todos eles. Desde o primeiro. Até aquele que durou um mês. Gosto de pensar nos relacionamentos que tivemos e gosto de procurar padrões. Infelizmente um padrão bem importante só vi depois que meu casamento terminou. Mas talvez só naquela hora fosse o momento certo para enxergar. Enfim, pensar nos ex é um bom exercício de autoconhecimento.

Não gosto quando as pessoas dizem que fulano está “morto e enterrado”. O relacionamento pode ter acabado, mas aquele ser ainda vive e viveu ao seu lado por um tempo. Você já pensou sobre ele? Já pensou se o problema que você tinha no último relacionamento está ocorrendo repetidamente com o novo namorado? Se sim, pode ser que seja você o errado, não o parceiro.

Um exemplo: com meu primeiro namorado eu era uma louca ciumenta. Muito ciumenta mesmo. Tinha 16 anos, ele era loiro de olhos azuis, alto, lutador, tinha o sorriso mais lindo que eu já vi. Pra mim ele era o melhor, e isso me fazia ficar insegura. Conclusão: barraco na rua, com qualquer garota que olhasse na direção do meu namorado por mais de 2 segundos e meio. O tempo foi passando e fui aprendendo que:
1- eu tenho que confiar no meu taco;
2- fazer barraco é feio pra caramba; e
3- isso afasta o namorado de você.

Fui melhorando aos poucos, e depois de um tempo eu já conseguia ver até ele saindo sozinho (com dificuldades, mas via), o que antes era inimaginável na minha cabeça. Veja bem, estávamos falando de uma Mariana adolescente de 16 anos em uma época onde não tínhamos todo o acesso à informações sobre relacionamento abusivo e nem tínhamos essa discussão toda sobre o tema que temos hoje. Acredito que eu fui uma abusadora em um nível pequeno naquele momento específico, mas fui, quando tinha uma relação de possessividade com o namorado onde não “deixava” ele sair sozinho porque tinha ciúmes. Aprendi sozinha que ninguém é minha propriedade. Aprendi e modifiquei há anos atrás, e hoje (não vou dizer quantos anos depois porque vocês fariam as contas pra descobrir a minha idade) são poucos os momentos que eu sinto algum ciúme de um parceiro.

Mas nem todos os meus defeitos foram superados facilmente (e alguns ainda persistem até hoje). Muitos me acompanharam por anos e refletiram em namorados diferentes. Muitos defeitos eu não tinha nem consciência que existiam, e passei a trazer pro racional depois que comecei esse exercício de reflexão.

Um bom lugar é a rede. Você deita e olha pro céu, e seus pensamentos vão longe. Eu me sinto meio como o Nash em “Uma mente brilhante” conectando momentos da minha vida aparentemente aleatórios e sem relação nenhuma. Uma ocasião com o primeiro namorado, em 2001, e uma outra situação com o meu ex marido em 2014, sabe? É um exercício e tanto e só você pode fazer.

Enfrentar nossos monstros não é pra maricas. Trazer pro racional nossas fraquezas não é pra maricas. Mas também só trazer pro racional não basta. Ter consciência é importante mas é só 50% do trabalho. Os outros 50% é tiro, porrada e bomba. De você com você mesmo. É literalmente espremer os limões da vida e fazer uma limonada geladinha, é jogar álcool na ferida e depois pegar agulha e linha pra costurar.

Tente fazer esse exercício uma vez e depois me diga se algum relacionamento foi totalmente inútil. Isso pode servir pra você, nem que seja pra ter consciência de que você não foi a maior culpada e conseguir fechar um ciclo da sua vida em paz, e ter coragem para começar outro.

Tente. De coração. <3

Isso é amor, o resto é posse

Em 24.11.2016   Arquivado em Escrita Criativa

Eu queria que você entendesse que eu não sou sua propriedade. Eu não vou colocar o seu sobrenome no meu RG como se fosse um boi marcado, não sou obrigada. Isso não faz diferença no relacionamento, só faz diferença pra você se sentir meu dono.

Eu sou sua companheira, e quero ser pro resto da vida. Mas o sentido de companheira é bem diferente do sentido de ser sua “mulher”. As pessoas falam dessa maneira, com um sentido pejorativo tão grande que me dá repulsa. Eu tenho asas, eu quero voar. Você tem 2 opções: ou voa comigo, ou me larga.

Não quero ser castrada, não quero ser amarrada, enjaulada, marcada, não quero sentir que não sou mais minha. Não quero me olhar no espelho e sentir que eu não sou mais eu, que virei uma pessoa que não reconhece o próprio rosto no espelho. Quero sentir que sou minha sempre, mesmo estando ao seu lado.

Quero que um apoie o outro, não quero sentir que você é meu pai, meu dono, meu senhor, meu mestre ou qualquer outra coisa soberana, pois você não é. Quero igualdade.

Quero igualdade em todos os níveis, desde o momento das louças lavadas até o momento de limpar a privada. Quero sentir que todos são responsáveis pela casa, pela família, pelos filhos, pela comida, pelo dinheiro, pela cama arrumada.

Quero saber que sempre posso sair pra alçar novos voos e que você estará lá comigo pra ter certeza que meus equipamentos de voo estão devidamente presos, pra eu não me estabacar. E que muitas vezes voe comigo.

Gosto de saber que posso voar mas que tenho pra onde voltar. Isso é amor. O resto é posse.

Sei que meu relacionamento é abusivo quando…

Em 20.08.2016   Arquivado em Relacionamento

Sei que meu relacionamento é abusivo quando…

… ele me trata de um jeito na frente das pessoas e de outro jeito completamente diferente quando estamos a sós.
… ele me agride fisicamente.
… ele faz terror psicológico comigo.
… ele faz eu me afastar das pessoas que ele acha que não são dignas o suficiente.
… ele usa meus medos contra mim.
… ele usa minhas fraquezas conta mim.
… ele usa minha doença contra mim.
… ele usa meus erros passados contra mim, dizendo que duvida que eu posso fazer melhor do que aquilo.
… ele diz que meus sentimentos são palhaçada.
… ele me impede de sair de casa por qualquer motivo.
… ele me segura com força ou usa da força pra conseguir ou impedir qualquer coisa.
… ele me fere intencionalmente com as palavras e sorri.
… ele não se importa se estou magoada ou não.
… ele diz que ninguém vai me aturar porque sou um lixo.
… ele faz chantagem emocional pra conseguir sexo.
… ele critica tudo que eu faço.
… ele se faz de santo pra todo mundo e eu passo por louca.
… ele é incapaz de fazer um carinho em mim porque diz que eu não mereço.
… ele me xinga.
… ele controla minhas roupas.
… ele mexe nas minhas coisas sem autorização para achar algo que ele imagina que eu tenha.
… ele vê as pessoas ridicularizando você ou te agredindo de alguma forma e ele se abstém de fazer qualquer coisa, como se aquele problema não fosse dele.
… ele conta a versão dele da história e faz todo mundo acreditar.

Se você se identificou com alguns desses tópicos acima, você está em um relacionamento abusivo.

Obs. 1: Eu fiz essa lista a partir de uma pesquisa em um grupo de ajuda sobre relacionamentos abusivos.

Obs. 2: No post eu coloco de uma maneira que o homem abusa da mulher, mas pode ser o contrário, e pode ser que ambos sejam abusadores e abusados.

Obs. 3: É possível que uma pessoa seja abusadora sem saber, dependendo do seu histórico de vida e de relacionamentos anteriores. Porém, a pessoa é culpada e está fazendo aquilo deliberadamente a partir do momento que você sinaliza e ela continua fazendo.

Os melhores posts da semana #06

Em 23.02.2016   Arquivado em Vida Conectada

Oi galerinha! Como vocês estão?

Há muito tempo eu não faço um post desses aqui, mas achei que hoje valeria a pena. Porque alguns textos que chegaram até mim essa semana foram tão maravilhosos que não tinha como não pontuá-los aqui pra vocês.

Pra começar, queria mostrar na verdade não é um post em blog, mas uma matéria, onde fala que ter um marido, rende a você, mulher, 7 horas a mais de serviços domésticos por semana. Sim, meus caros. Porque por mais que ninguém admita nessa vida, a verdade é que quando eles acham que tem alguém pra fazer por eles, eles relaxam. Em parte a culpa é da criação deles cheia desses vícios, em parte culpa nossa, por termos crescido escutando a mesma história que eles. E mesmo que pensemos que não, intrinsecamente, a nossa cultura mostra que as mulheres ainda são do fogão, e os homens é que põe o dinheiro. É uma reflexão profunda que devemos fazer de verdade sobre isso. Veja bem, não estou dizendo aqui que ninguém deve casar, ok? Por favor! Eu acredito na família e defendo que as pessoas precisam se casar por N motivos já explicitados aqui em tantos anos de blog. But… Se hoje a mulher sai pra trabalhar, o homem tem que entrar no samba da lavagem do banheiro. Mesmo se uma mulher ficasse só em casa o marido já teria a obrigação de ajudar, e essa necessidade é mais clara e urgente agora que trabalhamos fora tanto quanto os homens. Mas sério, o que temos feito é isso? Porque não é o que eu tenho visto. Tenho visto mulheres acordando mais cedo que os homens, cuidando dos filhos, passando a roupa de todo mundo, indo pro trabalho, voltando, cuidando de filho e casa, e depois dessa jornada tripla, ainda precisa estar feliz e disposta pro marido. Sai pra lá com esse pensamento, hein??? Vamos refletir lendo esse link! 😛

Outra indicação maravilhosa é esse texto aqui sobre “Que diabos aconteceu com a geração Y?”. Nossa geração linda, que aos 25 anos tem uma conta bancária recheada e já deu a volta ao mundo, mas que paga analista porque tem tremedeiras involuntárias no domingo à noite porque não está aguentando a pressão do trabalho. Ou porque recebe ligações do chefe na sexta às 23h falando que tem um e-mail super urgente pra ser respondido pro cliente. Ou pior, você cadastra o e-mail do trabalho no seu smartphone e responde e-mails a qualquer hora porque não custa nada, né? E afinal de contas, você quer se destacar na sua equipe, ganhar uma estrelinha dourada na testa e uma promoção, pra ter mais responsabilidades, mais dinheiro e mais tremedeiras involuntárias. Chegamos num nível de negação tão grande que postamos em nossas redes sociais como nossa empresa é legal por estarmos indo de allstar trabalhar, e por ganharmos um cafezinho do Starbucks de vez em quando. Cortesia, claro! E você ganha um café, e dá sua alma em troca. E tem mais itens pessoais na gaveta da sua mesa do que na sua própria casa. Onde iremos chegar com isso?

Esse post sobre a lindona Gabriela Pugliesi fala exatamente o que eu penso sobre ela e outros fitness por aí. Nem precisa ser blogueiro, só precisa ter esse pensamento. O post começa mostrando um snap da Gabrielinha fofa (ai não, fofa não porque ela vai se sentir ofendida), dizendo que você, e eu, no caso só estamos gordos porque comemos, não treinamos e não temos força de vontade. O post fala por si só e eu aplaudo de pé cada vírgula escrita ali. Quero só completar com uma história sobre duas amigas. Vamos chamar uma amiga de Maria, e a outra de Bárbara. Maria e Bárbara são amigas há muitos anos. Maria tem mais de 1,70m. Bárbara tem 1,50m. Bárbara veste 34, Maria veste 38. Isso aos 15 anos. Bárbara diz pra Maria que ela é gorda, porque deveria vestir 34 como ela, super magrinha. Maria fica deprimida, porque queria vestir 34. Ela não consegue entender que tem 1,70m e seu biotipo é de coxas grossas, bumbum grande, e que não tem nada de errado com ela. O tempo passa, Bárbara está sempre bárbara, porque não come, quando come vomita, toma remédios pra emagrecer, malha feito uma condenada. Maria gosta de comer e se alimenta como deveria, faz todas as refeições e gosta de chocolate quando está na TPM. Além disso, ela prefere ler a tarde toda, em vez de ficar suando pra ter uma “bunda na nuca”. Os anos passam. Muitas coisas acontecem. Maria perde um filho, passa por muitas outras perdas, tem problemas emocionais que ajudam no ganho de peso. Bárbara continua vomitando, tomando remédio proibido e treinando. Recentemente fez umas plásticas, colocou silicone, fez lipo, alisou o cabelo, embranqueceu o dente, colocou umas unhas postiças, fez permanente de cílios e vive com esparadrapo no pé porque o salto machuca. Bárbara aponta o dedo pra Maria há mais de uma década e chama a Maria de preguiçosa e deprimida, e é por isso que ela está gorda. Bárbara só não vê que ela deveria olhar mais pro rabo dela, porque se Maria ficou triste porque seu filho morreu, ela tem o direito de viver um luto. E ela que tem nada dentro da cabeça e acha que todo mundo deveria ser igual? E ela que se esforça todo dia pra lutar contra a natureza e pra se enquadrar (wtf?) em um padrão que ela não precisa? Por favor, Bárbara, acorde. Eu, Maria, tenho pena de você.

E pra finalizar (e descontrair, claro) minha TL choveu a mesma história, porque ninguém está sabendo lidar com o fato de que PPK quer governar o Peru. E o slogan é o melhor: “PPK sueña con un Perú mejor”. Ô PPK… todas nós sonhamos! Estou levantando sua bandeira hahahahahaha…

Beijos pessoal!

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