Agora que eu tenho 30…

Em 18.01.2016   Arquivado em Pessoal

30

Engraçado que quando eu estava prestes a fazer 30 anos eu entrei em pânico. Achei que oficialmente eu ia ficar velha e comecei a repensar toda a minha vida. Na época, estava com o bebê muito pequeno ainda, e coisas simples, como ir ao cinema, estavam bem escassas no meu mundo.

Hoje, olhando praqueles meses que precederam meu aniversário, olhando os meses que se passaram, e faltando pouco tempo pra chegada dos 31 por aqui, parece que sou outra pessoa.

Não sei o que acontece com a gente quando faz 30. Alguma coisa muda dentro da gente. Não sei se isso acontece realmente com todo mundo (e até acredito que não, porque conheço cinquentão que nunca amadureceu), mas comigo foi bem assim.

Na verdade, quando os 30 finalmente chegaram na minha vida, eu tomei mais coragem pra olhar a vida de frente. Parei de fingir pra mim mesma. Parei de fingir que eu era feliz, parei de fingir que gostava da minha situação, parei de fingir que eu estava bem daquele jeito. Meti o dedo na ferida e fiz o impossível, virei minha vida de cabeça pra baixo, e comecei o processo de expurgo. Muita gente falou que eu estava maluca, que eu não estava batendo bem, mas na verdade, elas não compreendiam o que se passava dentro de mim. Só quem compreendia era eu, e eu era a única que podia mudar minha vida.

A verdade é que os 30 fizeram eu sintonizar comigo mesma novamente, e ver as coisas que eu realmente precisava para ser feliz. E me deu coragem de começar a colocar em prática.

Hoje eu tenho menos amigos. Não, na verdade eu tenho só quem deveria ter ficado mesmo, porque a seleção natural atuou fortemente esse ano. Os que foram, é porque eu simplesmente não quis mais conviver com quem não merecia meu tempo e disposição. Os que ficaram, são os que realmente importam.

Hoje eu me sinto mais preparada. Mais preparada pra mim mesma e pro mundo. Mais preparada pra ser mãe. Me sinto mais mulher também. Me sinto mais completa, me sinto autossuficiente. Não preciso de ninguém. Eu preciso de mim mesma. Se alguém quiser ficar comigo, será bem vindo (desde que traga uma boa vibe), mas se não quiser ficar, tudo bem também.

Hoje eu tenho tudo diferente, mas na verdade acho que dei o primeiro passo pra minha felicidade. E tem sido muito bom. Tem sido libertador. E eu me sinto leve. Acho qua talvez ainda falte eu achar meu lugar no mundo, mas quem eu sou e a pessoa na qual eu quero ser daqui pra frente, isso eu já sei.

Antes de tudo, seja feliz…

Em 22.10.2015   Arquivado em Relacionamento

Antes de tudo, seja feliz com você mesma. Seja feliz por ser você. Não dependa de ninguém pra te completar, porque se você depender disso, pode ser que passe sua vida numa eterna busca, e uma hora vai se frustrar. Ninguém tem obrigação de completar o outro. Você tem que ser inteira, e quando achar alguém, só vai ser a cereja do bolo, alguém pra andar ao lado, não pra você viver em função.

Seja feliz por ser quem você é. E não se envergonhe disso. Não se envergonhe das suas gordurinhas fora de lugar, nem por uns fios de cabelo que não condizem com o que dizem que é bonito. Você é linda. Não há maior beleza na vida do que ser diferente. O igual nunca chamou atenção. Então seja feliz por seu jeitinho todo peculiar, porque é ele que a torna especial.

Trace metas. E lute para atingi-las. De nada vale essa vida sem um objetivo. Pra quem não sabe onde quer chegar qualquer lugar serve.

Pratique o desapego. Jogue tudo o que te faz mal bem pra longe. Tudo o que te impede de alcançar seus objetivos. Tudo o que impede você de ser quem você é e quem você pode se tornar.

Curta a solidão. Ela te ensina que você é a pessoa mais importante da sua vida. E só se mova do lugar por uma pessoa que realmente valha a pena. Mas quando a encontrar, não pense duas vezes. Nem sempre a vida te dá uma segunda chance.

A vida secreta da professora #1

Em 16.09.2015   Arquivado em Escrita Criativa

A vida secreta da professora é uma coluna do blog, onde nossa colaboradora, Ágatha Menezes, conta algumas experiências marcantes da vida dela como professora de Educação Infantil e Fundamental.

É com prazer que inicio essa coluna. E se você não sabe quem eu sou, afinal de contas eu só escrevi um post nesse blog, basta clicar aqui e tem um devaneio meu sobre mim.

Agora vamos a uma breve apresentação. Sou professora há cinco anos e um pouquinho. E graças a Deus tive o prazer de trabalhar com quase tudo que o meu segmento, fundamental I (da Educação Infantil ao 5º ano), permite.

Desde o início, trabalho na rede pública de ensino da minha cidade, Rio de Janeiro. Ou seja, trabalho com crianças “carentes”, em múltiplos sentidos, mas não pensem com isso que elas são carentes de cultura e de infância (tenha na sua cabeça que são crianças, pensamentos infantis, inocentes), são parâmetros diferentes e venho aprendendo com elas desde então.

Vamos começar do início, para que vocês entendam o tom de conversa que verão por aqui: sou professora, meu trabalho é lidar com a aprendizagem, o desenvolvimento social/ intelectual/ afetivo, a formação de seres HUMANOS. É muita responsabilidade, principalmente quando se é inexperiente, mas é um crescimento pessoal muito grande conviver com eles.

Bom, o meu início na rede municipal e no magistério foi muito intenso. A minha primeira turma tinha muita dificuldade de aprendizagem e algumas crianças tinham um histórico de vida que faria muitos de nós querermos nos jogar da ponte (não saia correndo, não vou contar tristezas infinitas! Calma, volta aqui, senta e vem ouvir que o material é interessante).

O primeiro caso que quero compartilhar, e é sobre isto que essa coluna tratará, é um wallflower. Vou chama-lo de Marcelo, mas este não é seu nome, ok?

Em determinado momento, bem no iniciozinho, conhecendo a turma ainda, faço a pergunta:

“Quantos irmãos você tem? ”

Marcelo conta nos dedos, perde as contas e reinicia. Explico a pergunta, imaginando que ele não me entendeu:

“Perguntei quantos irmãos, e não quantos anos…”

Ele me interrompe:

“Então, nove! Tenho nove irmãos!”, ri. Acredito que eu tenha feito alguma expressão de confusão que o levou a rir.

Eu tinha 20 anos àquela época e nunca tinha visto isso na vida. Acreditava que aquele Caco Antibes do Sai de Baixo, dizia aquelas atrocidades de forma mais absurda possível, nunca imaginei que fosse próximo da realidade de verdade. Era apenas a primeira vez que eu ouviria essa frase.

Um pouco depois, em um momento de rebeldia de Marcelo, encaminho-o a direção (muito depois aprendi que resolver sozinha, em alguns casos, é a melhor opção), e descubro algo muito triste a seu respeito: Marcelo mora com a mãe e três irmãs mais novas. Ele tem nove anos, está repetindo o terceiro ano pela segunda vez. Sua mãe é ex-usuária de drogas e uma vez tentou matá-los, mas ninguém (órgãos responsáveis) os tirava da guarda dela em nome de uma reabilitação pela qual passou. E ela diz a plenos pulmões:

“Desisti desse garoto!”

Sim, um menino de nove anos. Sofrido (não saia correndo, calma!)!

E essa também era apenas a primeira vez que eu ouviria isso.

Durante o resto do meu primeiro ano, com a minha primeira turma (vocês ouvirão falar muito dela), descobri que Marcelo era um artista nato. Ele imitava a todos com perfeição. Nem sempre com a intenção de ofender, ele era um comediante muito engraçado, que ria e fazia rir com excelência. Imitava Michael Jackson, porque tinha um DVD pirata de “This is It” (filme que fez muito sucesso na época da morte do astro), e até tentava cantar num inglês embromeichon. Mas a arte que destacava Marcelo era o desenho, perfeitos.

No meu mural de avisos, o Mickey meio tortinho, mas que me trazia flores maravilhosas, ficou até o final do ano, quando ele foi aprovado e no ano seguinte amou outra professora como se fosse a mãe que ele nunca teve.

Marcelo foi o primeiro a me ensinar e vou tentar dividir com vocês um pouco de tudo que já aprendi e continuo aprendendo.

Meu sonho é ser uma palmeira

Em 17.08.2015   Arquivado em Pessoal

No dia em que eu quis refletir sobre meus problemas, fui à praia. Sempre tive esse hábito, de me recolher em algum lugar pra pensar, refletir, ponderar. Muitas vezes parei na Pedra do Arpoador, muitas vezes parei na praia, ou algum parque ou praça.

Me lembro que era fim de tarde e estava ventando bastante. Fiquei horas observando como o vento batia em uma palmeira próxima a mim, como ela curvava, como todas as folhas iam pro lado, mas ela não caía. Poderia ser um vento muito mais forte do que aquele, e no dia seguinte ela estaria ali, como de costume, na posição de sempre, como se o vento nunca tivesse passado.

Pode ser que você já tenha tido essa reflexão com as palmeiras, mas naquela hora, foi a primeira vez pra mim. Foi há muitos anos. Se hoje você me perguntar em qual praia eu estava, não vou saber dizer. Muito provavelmente em alguma da Zona Sul do Rio, mas isso não foi importante.

Voltei pra casa, na época ainda solteira e morando com minha mãe. Fiquei dias com a imagem da palmeira ao vento na minha cabeça. Porque veio a ventania, ela curvou, mas logo voltou ao normal. Quantas árvores caem todo verão com os ventos fortes? Mas acho que nunca vi uma reportagem de palmeiras que caíram.

Depois, fui descobrir que a palmeira, pra mim, é o melhor exemplo pra resiliência. Não sabe o que é? Eu digo (vi no dicionário):

Resiliência
1. propriedade que alguns corpos apresentam de retornar à forma original após terem sido submetidos a uma deformação elástica.
2. capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar à má sorte ou às mudanças.

Quem dera ser uma palmeira! Quem dera poder me resignar totalmente e me adaptar às mudanças e às más notícias que acontecem comigo. Queria saber rir mais de mim mesma. Isso é uma meta pra vida, porque não se nasce resiliente. A cada dia quero ser menos uma árvore e mais uma palmeira. E pra isso, a busca é profunda. Preciso me conhecer, me entender, entender muitas coisas à minha volta, me resignar, ter fé, parar de olhar pra mim e olhar à minha volta… Tantas coisas!

Hoje eu não sou mais árvore, mas ainda não sou palmeira. Um dia eu chego lá…

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