Sobre a formação de leitores no Brasil

Em 15.07.2016   Arquivado em Maternidade

Essa semana que passou agora, assisti uma mesa de debate maravilhosa na Feira Editorial da UERJ, que me inspirou muito. Foi com o Aníbal Bragança, que é o editor-chefe da Eduff. Um assunto em especial me marcou bastante, que foi sobre a formação de leitores no nosso país.

Em primeiro lugar, devemos compreender que o Brasil ainda está muito aquém em quantidade e qualidade de leitura, se compararmos com outros países, principalmente mais desenvolvidos. É triste saber que, apesar de alguns locais específicos no Brasil terem uma média de leitura que se compara à Europa, o resto do país mal sabe ler.

A maioria dos municípios do Brasil não têm bibliotecas públicas também. E pasmem, mesmo no Estado do Rio de Janeiro não temos bibliotecas públicas em todos os locais. Se aqui no RJ não tem, imagina mais pro interiorzão do país?

Esse é realmente um assunto muito sério, que desdobra em muitos outros. Pessoas que não têm acesso à leitura, que não têm capacidade de ler textos longos, que não têm acesso ao livro e à informação (e muitas vezes à educação). Fui escutando tudo aquilo e foi batendo um desespero, um aperto no coração, por me dar conta de repente, que apesar de não ser rica, eu estou numa fatia privilegiada da população, porque a realidade do brasileiro é bem diferente da minha em relação a isso. Eu tenho acesso às faculdades públicas mais conceituadas do país, tenho acesso à livros e internet, cresci com livros à minha volta. Por um momento me senti culpada por ter isso. Mas na verdade a questão não é essa. A questão é que todos deveriam ter as mesmas oportunidades.

Chegamos a um ponto crítico no debate, que foi discutido que há algumas maneira de se formar um leitor:
Exemplo dos pais;
Uma professora querida que conseguirá ter sucesso com você;
Chutar a porta e sair entrando.

Acredito que o exemplo dos pais é a melhor saída. É o cenário ideal, inclusive. Se você cresce em um ambiente com livros, se você tem livros desde pequeno e se você vê seus pais lendo como hobby, automaticamente o livro já vai fazer parte da sua vida. Você irá conceber uma ideia de que o livro não é massante nem obrigação. Ele é prazeroso, afinal seus pais usam como distração. Se a criança tem esse tipo de contato, provavelmente crescerá com uma probabilidade maior de ser um leitor (e quem sabe escritor, dependendo da vocação). Mas sejamos realistas: para isso, pais precisam ser leitores, e pais precisam comprar livros pra si e pros filhos. E essa, infelizmente, é a fatia menor da população.

A segunda possibilidade seria uma professora que ama seu magistério e quer fazer a diferença. Aqui, sabemos o trabalho, o suor e as lágrimas que são derramadas. Uma professora não consegue atingir toda a sua turma. Aliás, se ela faz diferença na vida de um aluno naquele ano, já é motivo de orgulho. É muito mais difícil você formar um leitor quando não tem o exemplo de casa, e quando a criança tem acesso ao livro como um objeto de “repressão”. Ele precisa parar de brincar, parar de falar, parar de pensar na morte da bezerra e precisa olhar pro livro. Precisa. É assim que ele é ensinado. Tem que haver muita sensibilidade de um professor para fazer projetos de leitura onde consiga desmistificar toda essa imagem errada intrínseca ao livro. E pra isso, como dizem por aí, é tiro, porrada e bomba.

A terceira e a mais improvável, seria alguém, por vontade própria, em idade já avançada, onde consegue fazer suas próprias escolhas, ESCOLHER ser leitor. E meter o pé na porta da vida e dizer pra si mesmo: EU VOU LER. Não importa se na infância não teve exemplo dos pais, nem acesso aos livros ou a um professor que quisesse (ou conseguisse) fazer diferença. Improvável, mas possível. Aí a pessoa rema contra a maré, faz um esforço hercúleo pra sentir facilidade e prazer em algo que deveria ter adquirido lá atrás. Mas entenda: é possível.

É um assunto tão complexo e delicado. Toda essa conversa na UERJ, inclusive, me fez perceber que meu filho tem sido a fatia menor da população também, porque aos 2 anos ele já tem uma mesa de leitura e uma prateleira com muitos exemplares. E me vê lendo bastante. Quando estou deitada lendo, ele vai até a prateleira dele, escolhe um livro e deita do meu lado. E fica me cutucando, pra compartilhar a leitura: “Olha mamãe! A aranha! A baleia!” E eu fico dividida entre continuar lendo meu livro ou parar o meu pra ler com ele.

Enfim… Ainda tenho a esperança, lá no fundinho do meu coração, que um dia as coisas vão melhorar. E que meu filho não vai ser a exceção. E que cada um poderá dizer que tem um livro preferido na vida.

Quando você quer abraçar o mundo…

Em 20.05.2016   Arquivado em Pessoal

Se tem uma coisa que eu venho aprendendo ao longo do tempo, essa coisa é não querer abraçar o mundo. Mas mesmo assim, muitas vezes quando eu me dou conta, já estou querendo abraçar de novo.

Cheguei nesse ponto de novo. Estou fazendo tantas coisas que fico no limite do cansaço. Meu dia começa às 5h, e quando coloco meu filho pra dormir às 20h, dá vontade de deitar e dormir junto. E sinceramente, muitas vezes na semana isso tem acontecido, tristemente (porque aí acumulam mais coisas ainda pro dia seguinte).

A questão é que eu estou querendo compensar o tempo “perdido”. Muitos anos perdidos em uma carreira que eu não gostava, e agora que eu me achei, quero logo concluir a faculdade, já penso no mestrado, tenho milhares de ideias para artigos científicos… Fico nessa vibe, quero fazer tudo ao mesmo tempo, e acabo não dando conta.

Sempre prometo pra mim mesma que não vou fazer isso de novo, mas no final das contas quando eu não estou nesse ritmo eu me sinto uma inútil. Só eu que me sinto assim? Eu vejo pessoas que com a minha idade já realizaram tanta coisa que eu quando não estou no limite de tarefas que aguento, acho que na verdade estou desperdiçando tempo. Eu sei que isso não é saudável, já aprendi há muito tempo, e da pior forma.

Pelo menos hoje eu tenho um acúmulo de tarefas legais. Antes era acúmulo de tarefas que eu odiava. Isso me deixava doente. Hoje eu tenho um zilhão de coisas pra fazer e sempre estou empolgada planejando a próxima coisa pra encaixar no tempinho livre de quando qualquer uma que está em andamento finalizar. E assim vamos prosseguindo.

Estou cansada. Mas estou feliz, muito feliz.

Rodelícia dodói

Em 18.05.2016   Arquivado em Pessoal

Oi meninas! como vocês estão?

Meu filhote está dodói desde o dia 7, e por isso tem sido difícil atualizar aqui, porque não estou dando conta de tudo.

Ele está internado desde a semana passada, e estamos cuidando pra que ele fique bom logo. Assim que ele melhorar, tudo volta ao normal por aqui!

Enquanto isso, aceitamos good vibes de vocês!

Beijos <3

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