{Livro} As letras do amor – Paula Ottoni

Em 20.09.2016   Arquivado em Livros

Ficha Técnica

Título: As letras do amor: Ela foi mais longe para descobrir o amor tão perto
Autor: Paula Ottoni
Editora: Novo Conceito
ISBN: 978-85-81638430
Páginas: 224
Categoria: Romance

Sinopse: “Bianca acabou de largar um curso de graduação de que não gostava, seus pais vão se divorciar e seus irmãos pequenos estão cada dia mais barulhentos.

A oportunidade perfeita de escapar surge quando seu namorado, Miguel, resolve ir a Roma abrir uma empresa para o pai. Bianca decide que aprender italiano, arrumar um trabalho temporário e ajudar Miguel em seu negócio será um bom começo.

O que parecia um sonho, porém, torna-se uma incerteza ainda maior quando Miguel fica sempre fora de casa, os empregos de Bianca não duram mais que uma semana, e, cada dia mais próxima de Enzo – o melhor amigo de Miguel, com quem moram –, ela começa a questionar seus sentimentos.

Perdida em conflitos amorosos e angustiada por não saber o que será de sua vida ao fim daqueles seis meses, Bianca passa por uma série de situações de crescimento pessoal que vão testá-la e ajudá-la a descobrir o que fazer com o futuro, que vem chegando depressa demais.”


Minha classificação:

Minha opinião: Quero começar falando uma coisa pra vocês: eu já li muitos livros na vida, e algumas vezes os livros perdem um pouco a graça pra mim porque eu descubro os finais logo de cara. Não foi o caso com esse. Eu fiquei sem saber como ele terminaria até ela realmente revelar o que iria acontecer!!! Então, vamos começar dando crédito pro livro… Rs…

Tendo dito isso, vamos fazer o curso normal das minhas observações. A capa do livro é linda, realmente o pessoal responsável por isso na Novo Conceito é fera. E a capa é a embalagem, não é? E eles acertam sempre. A Paula Ottoni é novinha, era primeiro livro que eu estava lendo dela, então não sabia muito o que esperar. Mas ela tem talento. É claro que com o tempo passando a escrita vai amadurecendo e os temas vão se modificando também, mas ela realmente tem talento pra coisa.

A narrativa do livro é em primeira pessoa. Isso ajuda muito a criar todo o mistério, porque ao contrário de um narrador que está de fora da história e você vê por vários ângulos, quando você narra em primeira pessoa você só tem a visão daquela personagem. Então sinceramente eu morria de curiosidade pra saber o que se passava com as outras pessoas quando não estavam perto de Bianca, a protagonista e narradora.

Como protagonista, o livro conta a história de Bianca, que largou a faculdade porque não gostava do curso e está com a vida toda de cabeça pra baixo. Sem faculdade, sem carreira, os pais se separando e brigando o dia inteiro e com dois irmãos mais novos barulhentos, ela não sabe muito o que fazer da vida. Ela tem uma melhor amiga Mari (aiiii… nunca vejo meu nome em livros, então fiquei feliz :) ) que é doidinha mas gosta muito dela e ela pode sempre contar. No meio desse caos, Mari é um refúgio pra ela. E Miguel, seu namorado, também. Acontece que Miguel está indo pra Itália abrir uma filial da empresa dos pais e ele quer provar que está crescendo e que é adulto de verdade, que o pai pode confiar nele. Miguel convida Bianca pra ir pra Itália com ele, e ela aceita.

Lá na Itália, em Roma, os dois vão morar na casa de Enzo, um dos melhores amigos de Miguel. Enquanto Miguel está trabalhando, ele espera que Bianca seja sua bonequinha de porcelana que fica esperando o namorado chegar em casa com a comida pronta. Mas ela não tem essa visão. Bianca entra num curso de italiano para aprender a falar a língua e logo arruma um empego temporário pra poder fazer uma graninha pra ajudar nas despesas. Aí começa a treta: Miguel trabalha muito, quase não está em casa, enquanto Enzo sempre está fazendo companhia pra Bianca; Miguel dá uns surtos e sai de noite, bebe todas e chega em casa de manhã podre de bêbado, Enzo por sua vez fica jogando videogame com Bianca e a leva pra passear e fazer trabalho voluntário no hospital. Todo o cenário fica favorável pra que Enzo e Bianca se apaixonem, e aí começa o triângulo amoroso do livro.

Uma crítica apenas: o título e subtítulo do livro. Simplesmente porque eu não vejo ligação com a história nem com o que acontece. Não posso opinar mais fortemente a respeito porque não quero dar spoiler, mas realmente não concordei. Rs…

Tirando isso, e algumas partes que eu achei desnecessárias e poderiam ter sido cortadas sem causar muita diferença, o livro tem uma trama bem feita, é tipo Bella e Edward em Crepúsculo, que você nunca sabe com quem a Bella vai ficar.


Alguns trechos do livro:

“Miguel foi a minha primeira escolha, e talvez minha vida pudesse ser uma pilha de erros que surgiram dela. Ou eu poderia escolher o caminho alternativo, Enzo, e enfrentar as dificuldades.”

“Seus lábios estão sorrindo. Não sei por que, mas algo em meu modo de agir e falar sempre o faz mostrar esse sorriso.”

“Olhando para Enzo ali, quase chego à conclusão de que estou apaixonada. Isso me apavora.”

{Livro} Entre o Sol e a Lua – Ana Ferrarezzi

Em 03.09.2016   Arquivado em Livros

Ficha Técnica

Título: Entre o Sol e a Lua
Volume: 1
Coleção: Série Esmeralda
Autor: Ana Ferrarezzi
Editora: Novo Século
Selo: Talentos da Literatura Brasileira
Edição:
Ano: 2016
Formato: 16 x 23 cm
Acabamento: Brochura / Capa mole
ISBN: 978-85-428-0822-3
Páginas: 520
Categoria: Fantasia

Sinopse: “Joana cresceu em uma cidade no interior de São Paulo e, para dar um novo rumo à sua tumultuada vida, aceita um emprego em uma multinacional no Rio de Janeiro. Enquanto ela enfrenta os desafios desta nova fase, Cauã – entidade do Sol – a reencontra e a reconhece como o amor milenar dele.

Joana não tem conhecimento de que é a personificação de uma importante entidade milenar, representada pela Lua, tampouco tem ideia de que agora faz parte de uma perigosa batalha entre entidades indígenas e de que irá se deparar com inimigos inimagináveis. Surge entre eles uma paixão sem limites.

No entanto, Cauã precisará unir forças para proteger a sua amada e quebrar o encantamento que o impede de estar ao lado dela. Afinal, se o Sol precisa de Cauã para existir, ele precisa de Joana para viver.

Num enredo intrigante e mágico, Entre o Sol e a Lua dá vida a personagens míticos e à encantadoras lendas, parte do folclore brasileiro ainda pouco explorado: a mitologia tupi-guarani.”


Lançamento do livro no Rio de Janeiro

Pra quem quiser prestigiar a autora de perto e ter um exemplar assinado por ela, aqui vai a dica do final de semana! Abaixo os detalhes do lançamento aqui no Rio: :)

Dia: 03/09/2016
Hora: 17h
Local: Fashion Mall – Livraria Cultura – Estrada da Gávea, 899 – São Conrado
Valor do livro: R$39,90


Minha classificação:

Minha opinião: Antes de qualquer coisa, queria falar do livro físico. A capa é linda, eu realmente adorei e tem tudo a ver com a história em si. Algumas pessoas me perguntaram no ônibus sobre o livro porque ficaram curiosas por causa da capa, então eu só posso dizer que o capista se deu bem. Essa vai pro portfólio dele com muito orgulho… Rs… Além disso eu gosto mais de livros que tem a página amarelada, cansa menos a visão, ainda mais quando o livro é grande e você vai ler muito. Eu gosto da fonte que foi usada no livro também. Não notei nenhum erro de revisão de texto e isso é um ponto super positivo.

É a primeira vez que eu leio um livro da Ana Ferrarezzi, mas pesquisei sobre ela antes de começar a ler o livro e vi que ela já tem outros livros publicados e que sempre são bem aceitos pelos leitores, então já fui esperançosa de ser bom. E não me decepcionei. O livro é muito bom e eu li ele todo em poucos dias (3 ou 4 dias) apesar de ter mais de 500 páginas.

Agora vamos falar da história em si. É um romance de fantasia mitológica escrito em terceira pessoa. Porém, o diferencial dele é que a mitologia que o livro é baseado não é a que estamos acostumados. Rs… Ela baseia tudo em cima da mitologia tupi-guarani. Só por isso eu já achei fantástico!!! Dificilmente você encontra livros hoje em dia que dão ênfase na nossa cultura. A maioria dos livros que a gente vê é de escritor estrangeiro, e quando fala de mitologia, pensamos logo na grega. Então esse livro é bem diferente!!!

Um ponto que eu tive dificuldades foram os personagens e alguns termos, porque eu não tenho a menor familiaridade com a nossa mitologia. Então no começo eu fui lendo com um papel, anotando personagens e pontos importantes pra não me perder. Depois descobri no final do livro um Glossário de nomes e termos, que putzzzz… Me ajudou muito!!! Depois dessa dificuldade inicial o livro fluiu muito bem. É normal a gente estranhar um pouco quando pega uma coisa totalmente nova.

O romance é entre Jaci (entidade Lua) e Guaraci (Entidade Sol). Jaci, que hoje é Joana, veio para o Rio para um emprego, mas não tem consciência de quem ela é. Ao ser recebida por Cauã (Guaraci) ela sente algo diferente.

Cauã é um homem muito lindo, rico e poderoso que pode conquistar qualquer mulher, mas ao encontrar Joana depois de 500 anos amargando sua solidão, ele percebe que ela não sabe quem ela é e nem quem ele é também. Isso faz com que Cauã comece a fazer de tudo para conquistá-la, mas percebe que na verdade ela recebeu um encanto e ele não pode tocá-la.

A notícia da falta de memória de Joana se espalha e logo todas as entidades que representam algum elemento no mundo inteiro sabem o que está acontecendo. Com isso, todos começam a acreditar que Cauã não pode harmonizar o sistema solar por muito mais tempo. Cauã fica numa situação delicada, pois além de Joana estar vulnerável, ele precisa dela pra existir. A partir daí, o que eu contar vai ser spolier… Rs… Só posso dizer que é uma história super legal e eu estou ansiosa pelo próximo volume da série.


Alguns trechos do livro:

“Lina, Gabriel e seus amigos acumulavam vidas em meio a uma milenar existência. Eram obrigados a se reinventar de tempos em tempos para integrar-se à sociedade, viver diversas vidas, acumular nomes, morar em diversas cidades, experimentar diversas culturas. No entanto, um ponto similar ao humano era o livre-arbítrio. Detinham a liberdade de escolher livremente. Em contrapartida, eram obrigados a lidar com suas escolhas pela memória intacta de uma longa existência e também sob a pena de conviver com as consequências.”

“Uauiara era uma entidade que se incumbia de cuidar dos peixes. Além disso, era extremamente impulsivo, um amante formidável e incapaz de se controlar diante da formosura feminina. Como se a natureza fosse uma mulher vaidosa e quisesse retribuir sua admiração, presenteou-o com um dom especial de persuadir e manipular o desejo. Um sedutor irresistível, um bruxo que manipulava sentimentos, ele utilizava seu poder de galanteador para persuadir mulheres e possuí-las. Uauiara era descuidado. Ele tinha uma maneira peculiar de seduzir com seu olhar que as penetrava profundamente. Jaci não teria qualquer chance ao lado dele.”

“Você e Jaci estão ligados. As suas essências uniram-se há milênios. Assim como o Sol tem o seu ciclo, o que chamamos de máxima solar, o amor também. Ele nasce com uma faísca, sua chama cresce, explode, reduz, para posteriormente reacender novamente. Não entenda que o seu sentimento de amor por Jaci é linear. Não, meu caro… Ele é tão ardente e tão vivo como o Sol.”

“Eram dez e quinze quando Cauã saiu do hotel. Ele estava tão feliz que decidiu andar um pouco para gastar energia. Há pouco tempo, Joana havia lhe roubado um beijo. Seus lábios se uniram com aquela fome que só um amor milenar, ou uma grande abstinência provoca. Um momento de ostensiva riqueza, interrompida subitamente pela perda dos sentidos de Joana.”

“Finalmente, Jaci (Lua) e Guaraci (Sol) puderam se encontrar! Sem perder tempo se amaram intensamente. O encontro os surpreendeu de tal maneira que não conseguiam mais se distanciar. Em consequência, o eclipse perdurou por dias. O sol deixou de direcionar o sistema que tanto dependia dele. Então, Rudá foi obrigado a intervir pela segunda vez. E aconselhou ambos a se materializarem em formas humanas.”

{Livro} Qualquer outro lugar – A. G. Howard

Em 23.08.2016   Arquivado em Livros

Ficha Técnica

Título: Qualquer outro lugar
Volume: 3
Coleção: Trilogia Atrás do Espelho
Autor: A. G. Howard
Editora: Novo Conceito
ISBN: 978-85-81638300
Páginas: 411
Categoria: Fantasia

Sinopse: “Alyssa está tentando entrar novamente no País das Maravilhas. Os portais para o reino se fecharam, não sem antes levarem sua mãe. Jeb e Morfeu estão presos em Qualquer Outro Lugar, reino em que intraterrenos expulsos do País das Maravilhas estão vivendo.

Para resgatá-los, ela precisa recorrer à ajuda de seu pai. Juntos, eles iniciam uma missão quase impossível para tentar resgatar entes queridos, restaurar o equilíbrio dos reinos e o lugar dela como Rainha.

Alyssa precisa lutar não só com a Rainha Vermelha, um espírito malicioso que tem a intenção de refazer o País das Maravilhas à própria imagem, mas também reconstruir seu relacionamento com Jeb, o mortal que ela ama, e Morfeu, o ser fantástico que também reivindica seu coração.

E, se todos tiverem sucesso e saírem vivos, eles poderão finalmente ter o felizes para sempre.”


Minha classificação:

Minha opinião: “Qualquer outro lugar” faz parte de uma trilogia criada por A.G. Howard sobre o País das maravilhas (exatamente, o mesmo País das maravilhas da famosa Alice). Recebi esse livro como uma cortesia da Novo conceito e confesso que não esperava muito da história até porque esse é, aparentemente, o último livro da serie e eu não li os livros anteriores, o que tornou os meus pensamentos um pouco pessimistas. Porém, tenho que dizer que esse livro me surpreendeu muito. Sempre busco pontos positivos em cada leitura, nunca existe um livro TÃO ruim, sempre podemos resgatar algo. Nesse livro eu nem precisei fazer tanto esforço, a história se tornou bem interessante e minha vontade de ler crescia em cada momento.

Na história, Alyssa é a tataraneta da “verdadeira” Alice (do País das maravilhas) e possui alguns poderes que ela mesma não entende. No primeiro e segundo livro ela aprende a usar esses poderes e aprende mais sobre a família a que pertence e os segredos envolvidos. No decorrer da história, Alyssa também vive um triângulo amoroso com Morfeu, um habitante do País das maravilhas, e com Jeb, seu melhor amigo de infância. Esse romance continua no terceiro livro, cheio de aventuras e surpresas que vão “blow your mind” algumas vezes. Alyssa viverá muitas aventuras tentando salvar sua mãe no País das maravilhas e seus dois amores, que estão presos em Qualquer outro lugar, da famosa Rainha Vermelha e da Rainha de Copas.

Dois Amores. Eu fiquei bem apreensiva com esse triângulo amoroso dos personagens, definitivamente não me dou bem com essas histórias, mas a autora soube explicar o porque da confusão de sentimentos de Alyssa. A personagem tem seu coração dividido devido a sua personalidade humana e “intraterrena” (nome dado àqueles que pertencem ao País das maravilhas). A autora apenas mostra que todos nós temos um lado bom e um lado não tão bom e que devemos escolher qual lado usaremos com mais frequência. No caso do romance, Morfeu se relaciona com esse lado mais “insano, corajoso e imprevisível” de Alyssa, e Jeb pertence ao lado mais “amoroso, seguro e acolhedor”. Eu particularmente não gosto de Morfeu no romance (sei que a maioria ama esse personagem). Ele é bastante surpreendente e muito charmoso. Na verdade, ele me proporcionou as maiores surpresas na história e gostei dele como um personagem, mas não como um par amoroso. Isso não muda o fato de que o triângulo é muito completo e emocionante. Gostei da maneira que a autora definiu cada personalidade e como eles afetavam Alyssa de maneiras diferentes, porém, complementares.

Também gostei que a autora faz um resumo das histórias anteriores no decorrer dos capítulos, relembrando fatos que talvez o leitor não lembre ou que passaram despercebidos. A.G. também faz referência a Lewis Carroll e a história de “Alice no País das maravilhas” e é INCRÍVEL. Ela faz uma continuação da história que tanto amamos e coloca personagens cativantes, cheios de surpresas e completamente diferentes da obra de Carroll. É um livro bem descritivo – me incomoda livros descritivos na maioria das vezes – mas nessa história foi necessário porque a descrição fez a minha imaginação fluir e fez total sentido no final. Se você gosta de livros fantasiosos e de aventuras, por favor, leia “Qualquer outro lugar”.

Além disso, ele é narrado pela narradora-personagem Alyssa em primeira pessoa, porém, ela narra no presente e me incomodou muito, não estou acostumada com esse tipo de narração e não consegui me acostumar. Muitas vezes me perdi porque ela estava falando no passado e no presente, muitas vezes houve uma confusão de tempos verbais em que eu não gostei nadinha. Em contrapartida, é uma leitura bem animada, leve, instigante e que me fez pensar em como gosto de um livro de fantasia bem elaborado. A.G. soube criar uma história interessante, um pouco previsível em alguns momentos, mas com muitas surpresas que superaram essas previsões.

Me apaixonei pelo desenho na capa – vocês logo descobrirão de quem se trata – e nessa edição cada página tem desenhos de folhas em preto e branco o que ajudou muito no decorrer da história. Gosto quando a editora prepara o livro físico de forma que você se sinta dentro dele. Foi como eu me senti ao ver as páginas e ler cada palavra.

Não posso falar muito mais porque quase tudo nesse volume é spoiler – não tenho problemas com isso – mas relacionado a essa obra, acho que dar spoiler perderá a graça. Comecei o livro com receio e terminei muito satisfeita, estou bem animada para ler os livros anteriores.


Alguns trechos do livro:

“Jeb é uma âncora; ele me mantém conectada à minha humanidade e compaixão. Mas Morfeu é o vento; mesmo me debatendo e gritando, ele me arrasta para o precipício mais alto, me empurra e fica me observando voar com asas de intra terrena. Quando Jeb está ao meu lado, o mundo é um quadro – imaculado e acolhedor; quando estou com Morfeu, é um playground insano – malévolo e viciante.”

“Sinto novamente aquela sensação de um murro no coração. Está ficando cada vez mais forte e frequente – como se houvesse uma costura no meio dele esticando-se além do limite.”

“–Eu teria seguido você para qualquer lugar – ele murmura com voz árida de agonia. Eu só queria passar a vida toda com a minha melhor amiga. Com a garota que deu a vida às minhas pinturas.”

“–Minha preciosa Alyssa, compartilhe a realidade comigo. Dê-me a eternidade. Juntos causaremos os mais belos estragos.”

“A insanidade é a mais pura clareza.”

“Nada pode quebrar as correntes com que você amarrou meu coração.”

“Estávamos no País das maravilhas e eu pedi a ele que não partisse meu coração. E a resposta dele foi: ‘Eu arrancaria o meu primeiro’.”

{Livro} O morro dos ventos uivantes – Emily Brontë

Em 06.08.2016   Arquivado em Livros

Ficha Técnica

Título: O morro dos ventos uivantes (Edição bilíngue)
Autor: Emily Brontë
Editora: Landmark
ISBN: 978-85-8070020-6
Páginas: 183
Categoria: Romance – Clássico – Literatura estrangeira
Ano: 2015
Ano da primeira edição: 1847

Sinopse: “A obra conta a história da paixão entre Heathcliff e Catherine na fazenda chamada Morro dos Ventos Uivantes. Amigos de infância, eles são separados pelo destino, mas a união do casal é mais forte do que qualquer tormenta – um amor proibido que deixará rastros de ira e vingança.”


Minha classificação:

Minha opinião: Antes de qualquer coisa, Emily Brontë é uma autora incrível que no decorrer de sua vida não teve muito sucesso com os textos que publicou. Eles eram definidos por sua irmã Charlotte como “uma música especial – selvagem, melancólica e elevada”. Mesmo com a pressão da época sobre a mulheres, Emily e suas duas irmãs (Charlotte e Anne Brontë) publicaram alguns romances com pseudônimos masculinos. E, dessas publicações, surgiu O morro dos ventos uivantes. No início, Emily não obteve muito sucesso com as vendas do livro, porém, atualmente, esse romance é um clássico da literatura.

O morro dos ventos uivantes é narrado por Nelly, uma criada que esteve presente durante a história do casal protagonista, e por Mr. Lockwood, um homem que habita a cidade depois dos acontecimentos principais. É uma história narrada em primeira pessoa por narradores que também são personagens, porém a história se divide no passado (na maior parte do tempo) e no presente.

Nelly narra a história de duas famílias: os Linton (donos da Granja Thrushcross) e os Earnshaw (donos do Morro dos Ventos Uivantes). Ela conta sobre a chegada de Mr. Heathcliff na família Earnshaw quando ainda era criança e sobre sua relação com os irmãos de criação. Conta sobre o amor por Catherine Earshaw (futura Mrs. Linton) e também sobre sua vingança. A história gira em torno dos motivos e consequências da vingança de Heathcliff e seu amor incondicional por Catherine. É um romance que mostra que o amor vai além da morte e que a vingança também.

Quando começei a ler foi bem complicado pois não me vi interessada de primeira, porém, no desenrolar da história me apaixonei completamente por esse romance TÃO diferente. Não é comum como os romances de Nicholas Sparks ou Jojo Moyes, claro, eles são autores atuais, mas esse romance não é do tipo mimimi cheio de amor e palavras bem bonitas que fazem você suspirar a qualquer momento. É um romance fechado, que mostra o pior de cada personagem, cada detalhe (bom ou ruim) da personalidade deles e a maneira de falar de cada um (por exemplo: se é alguém que não tem estudo, a fala muda, e vice-versa).

Uma das coisas que mais gostei nesse livro foi a narração, pois achei a participação do Mr. Lockwood e de Nelly essencial para o andamento da leitura. Acredito que Emily quis mostrar muito mais da vida naquela época, sobre como uma criada poderia ver as situações. Há muito relatos de Charlotte sobre a irmã, dizendo que ela nunca viveu exatamente o que escreveu, mas observava muito e essa característica esta presente em Nelly, que apesar de participar da história de maneira ativa, é muito observadora e seus comentários acrescentam no entendimento da leitura. Gostei dessa narração pois na maioria dos romances podemos ver que sempre é a visão de um dos protagonistas e dessa vez foi uma visão ampla das coisas, uma visão de quem estava fora da situação, ou seja, fora do romance.

Difícil criticar de forma negativa esse romance, pois Emily soube desenvolver tão bem a história que eu me vi envolvida em cada momento. É um livro relativamente grande com uma linguagem um pouco mais rebuscada em comparação aos livros atuais, mas mesmo com esse tipo de linguagem a leitura flui muito bem e no decorrer do livro você se vê amando Catherine e Heathcliff e outras vezes odiando esse casal. É um livro extraordinário e entrou na minha lista de livros favoritos. É o tipo de leitura que se eu puder, indico para qualquer pessoa. Amante ou não de romance, esse livro é capaz de conquistar até os corações “anti-amorzinhos” (até porque não é um livro amorzinho).


Alguns trechos do livro:

“Mas seria uma degradação, se eu me casasse com Heathcliff agora. E por isso ele nunca saberá o quanto eu o amo. Não é porque ele é bonito, Nelly, mas porque ele é mais eu do que eu própria. Não importa do que são feitas nossas almas, a dele e a minha são iguais.”

“-Heathcliff abandonado! Eu e Heathcliff separados! – ela exclamou, em tom indignado. – Quem é que vai nos separar, me diga? Se alguém tentar, vai ter o mesmo destino de Mílon! Nenhum mortal conseguirá nos separar enquanto eu viver, Ellen.”

“Amar! – exclamei, dizendo essa palavra com tanto desdém quanto podia – Ama! Já se ouviu falar de uma coisa dessas? É o mesmo que eu dizer que amo o moleiro que vem uma vez por ano comprar nosso milho. Belo amor, realmente!”

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