Butterfly Soul
Rascunho Literário
Guia para Mamãe de Primeira Viagem
BS no Youtube

Turistando em Sampa #sqn

Olá pessoal! Se você veio aqui pra ler um post com dicas de viagens, eu já vou partir seu coração. Porque aqui na Família Cruz, uma saída ou uma viagem nunca é normal, sempre é uma aventura. Por este motivo simples, eu não consigo fazer as coisas normais, como ter tempo pra conhecer lugares e fazer vlog ou pelo menos tirar fotos pra fazer um post decente aqui.

Mas ao mesmo tempo, acredito que vai ser mais um daqueles posts que vocês riem bastante da minha cara (a minha aventura do Theatro Municipal foi um sucesso de risadas haha). Pois bem…

Meu marido foi um missionário na Igreja SUD há alguns anos atrás, quando nem nos conhecíamos. Os missionários mórmons deixam toda a sua vida de lado por 2 anos pra pregar o Evangelho, em qualquer parte do mundo. Meu marido foi enviado a fazer esse trabalho em São Paulo, na região de Interlagos. Quem cuidava dele, ou seja, quem eram os líderes que o ajudavam, era um casal (nesse caso, americano) que chamamos de Presidentes da Missão. Esse casal foi o Presidente e Sister Bradford. Por terem passado 2 anos com meu marido, o ajudando e cuidando com todo carinho, meu marido desenvolveu laços de afinidade bem estreitos com eles, de modo que, quando eles avisaram que estariam no Brasil a passeio, e passariam por São Paulo, meu marido me falou que gostaria que fôssemos encontrá-los.

A princípio eu falei pra ele ir sozinho, pelas despesas de transporte, e além do mais, viajar com um bebê pequeno não é fácil. Mas ele falou que só teria graça se fôssemos junto, pois ele queria levar a família pra que o Presidente e a Sister conhecessem. Nos apertamos no orçamento então e conseguimos comprar passagens da Gol super baratas, na promoção, que saía mais barato que ir de ônibus!!!

Eu comecei toda a preparação pra viagem 2 dias antes, porque queria separar tudo com calma, não esquecer nada (principalmente do bebê), e queria deixar a casa impecável, porque eu sabia que ia voltar podre de cansada, e se eu ainda encontrasse a casa suja e desarrumada na volta, isso ia me estressar muito. Comecei a arrumar tudo e a lavar as roupas, que iam ser usadas na viagem e na semana seguinte pro trabalho. Lavei 4 máquinas de roupa na quinta-feira, e deixei mais uma última de molho pra terminar na sexta de manhã. Eis que na sexta quando eu acordo e vou escovar os dentes, a primeira surpresa: estamos sem água. Comecei a ficar desesperada, pois não tinha condições de todo mundo ir viajar sem banho, eu ainda tinha que lavar louça, fazer almoço, terminar de lavar as roupas de molho. Felizmente meu marido lembrou que temos uma caixa d'água só pro chuveiro, mas como eu não sabia quanta água ainda tinha naquela caixa, decidi deixar as roupas de molho e não terminar a lavagem, não lavar louça… Enfim, só ia usar pra banho de gato, pra economizar.

Fui fazer minhas unhas (pé e mão). Fui fazer a sobrancelha. Comecei a notar que estava ficando atrasada. Meu filho resolveu dormir na hora do almoço e eu tentava acordar ele, mas parecia que estava desmaiado. Saí correndo pra enfiar todas as coisas separadas dentro da mala quando percebi que meu marido não tinha deixado as roupas dele separadas como eu havia pedido. Comecei a ficar estressada. Peguei meu celular pra ligar pro marido e vi que ele tinha me mandado uma mensagem no Zap Zap dizendo que ia comprar um sapato antes de vir pra casa, pra usar na viagem. Ó céus, ok. Podia ter comprado no dia anterior, mas fazer o quê. Pedi pra ele ser bem rápido porque eu estava precisando de ajuda. Como ele sabia que as blusas dele estavam de molho e eu não ia conseguir terminar de lavar, achei que ele ia aproveitar pra comprar uma blusa também. Mas a pessoa me aparece em casa 2 horas antes do vôo (na hora que deveríamos estar saindo pro aeroporto) com um sapato e… uma bermuda? OI? "Pra usar no aeroporto." – ele disse. Eu pensei: "De bermuda e com os pelinhos do peito ao vento." Mas tudo bem. Agora além de tudo ele ia ter que comprar mais uma blusa em São Paulo.

Quem conhece meu marido sabe como ele é uma pessoa irritantemente calma. Ele ainda foi tomar banho, fazer a barba, separar as roupas pra colocar na mala (e vamos ser justas, me ajudou com o Rodrigo também), isso tudo tranquilamente, e eu com os cabelos em pé de nervoso, porque eu sou uma pessoa pontual e não gosto de atrasos (bem diferente dele). Saímos de casa 1 hora antes do voo, a hora que deveríamos estar fazendo o check in. Mas tudo bem, se o taxista corresse como Velozes e Furiosos poderíamos chegar a tempo. Mas eis que, no meio do caminho, numa pista de alta velocidade, o táxi… ENGUIÇA!!! Eu já comecei dentro do táxi: "Ai não! Só me faltava essa!" Somente naquela hora meu marido se deu conta que realmente poderíamos perder o vôo.

Os carros vinham correndo muito e quase bateram na nossa traseira várias vezes, o taxista nervoso que o carro dele era zerinho e não tinha como isso ter acontecido. Quase que eu falei: "Mas você está com a família Cruz. E com a família Cruz tudo acontece!", mas deixei pra lá pra não piorar o humor do taxista, sabe-se lá se ele tinha uma espada no porta-malas e ia querer cortar minha cabeça. Meu marido no meio da pista tentando fazer outro táxi parar pra gente. Eu xingando mentalmente e o Rodrigo animado mandando beijo pra mim. Quando finalmente entramos no outro táxi com mala e cuia eu falei pro taxista: "Mete o pé porque vamos perder o vôo!!!" O taxista olhou assustado pelo retrovisor pra mim e eu assenti com a cabeça, porque eu sei que normalmente as mulheres mandam os táxis irem mais devagar, principalmente quando tem bebê junto, mas aquela era uma situação extrema. Agarrei o Rodrigo e o taxista conseguiu voar deixar a gente em frente ao aeroporto com 12 minutos pro avião decolar. Saí correndo na frente pra ir fazendo o check in enquanto o Anderson pegava as malas, e a aeromoça me deu a segiunte notícia: "O check in se encerra 30 minutos antes do vôo." Naquela hora eu não sabia o que fazer, fiquei com aquela cara de meme (poker face).

"Como assim eu tinha perdido um vôo? Que espécie de gente perde um vôo?" Só aqui nessa família mesmo. Meu marido calmamente falou: "Vamos remarcar". Ok, vamos remarcar, não tem jeito. Fomos pro guichê de remarcação. E aí recebemos mais uma notícia (leia tampando o nariz): "Senhor, pra remarcar terá um custo de R$150 por passageiro". Eu queria voar no pescoço daquelazinha insuportável de cóque. R$300 era todo o dinheiro que tínhamos pra gastar na viagem, incluindo táxis, que já tinha ido uma parte.

Sentei na cadeira e comecei a bater uma DR com o Anderson baixinho, porque eu não estava acreditando naquilo. O Rodrigo mandando tchauzinho pra aeromoça sentada no banco de frente pra gente e ela toda se querendo pro meu filho. Eu não posso nem bater uma DR em paz quando tenho o Rodrigo no colo. Tenho que ficar sorrindo pros desconhecidos.

Não tinha jeito, Anderson foi lá e remarcou a passagem. Eu fiquei com meu coração palpitando de ódio por R$300 jogados no lixo e meu marido falando pra eu me acalmar, que não ia melhorar em nada eu ficar com raiva. Mas com R$300 reais dá pra comprar muita coisa, então não tinha como não ficar com raiva.

Além de termos que esperar mais de 1 hora pra pegar o novo vôo da Gol , ainda por cima atrasou. Tudo estava indo de vento em popa pra minha TPM. Entramos no avião e notei que a Alessandra Negrini estava na poltrona do lado. Rodrigo estava fazendo sucesso no avião, mandando beijo pra aeromoça, tachuzinho pros passageiros. A Alessandra Negrini olhou pro meu filho e não deu muita bola. Depois fechou o olho e fingiu que estava dormindo, e meu filho olhando pra ela fixamente de olho fechado, como se estivesse esperando ela abrir o olho pra ele fazer uma gracinha. Mas ela não abriu o olho e eu desviei a atenção dele. Peguei pinimba com ela. Já não tava num dia bom, ele fazendo sucesso com todo mundo e ela nem deu bola pro meu filho. Se não gosta do meu filho, eu não gosto dela.

O vôo foi cheio de turbulência por causa do mau tempo. Eu tensa me segurando na cadeira e o Rodrigo praticamente fazendo: "Weeeee!" a cada despressurização do avião. Chegamos em São Paulo às 19h, sendo que o jantar com o Presiente de Missão era às 18h. Uma fila enooooooooorme pro táxi e meu marido querendo entrar no final da fila. Já tinha passado muito tempo do jantar do bebê e a qualquer momento ele ia dar um escândalo. Larguei meu marido e fui lá pra frente ver se tinha uma fila de prioridades, porque não tinha como esperar aquela fila gigante (quem já tentou pegar um táxi sexta à noite no Aeroporto de Congonhas sabe o tamanho da fila que eu estou falando). Logo me acomodaram em um táxi e meu marido veio atrás rindo com aquele olhinho de japonês, porque ele fica com vergonha de pedir prioridade pra qualquer coisa.

É galera… Essa foi só a ida até São Paulo da viagem. Eu poderia contar a viagem toda, mas aí eu teria que dividir em muitas partes, ia virar uma minisérie aqui no blog… Hahaha…

Resumidamente, vou contar o resto: chegamos ao jantar quando todo mundo estava saindo do restaurante. Rodrigo estava no colo de um amigo nosso que não estava costumado com a rapidez dele, e ele conseguiu pegar uma faca de ponta afiada pra brincar e eu quase morri do coração. Na hora de dormir o bebê estranhou o local e a cama, e demorou muito pra pegar no sono (e ainda acordou de madrugada chorando MUITO alto e eu não conseguia fazer ele parar… acho que ele acordou o andar inteiro).

No dia seguinte eu já estava calma de novo (o que uma noite de sono não faz comigo). Mas Rodrigo ainda estava muito cansado e dormiu quase o dia inteiro no carrinho, comigo andando com ele de um lado pro outro, fazendo um monte de coisas. Felizmente nesse dia nos encontramos novamente com o Presidente dele e os outros missionários que foram companheiros dele na época da missão. Todos estavam com suas esposas e filhos e tinha um monte de bebê por lá. Era a primeira vez que estávamos levando nosso filho ao Templo do Senhor, que pros mórmons é o lugar mais sagrado da Terra. Foi muito bom poder estar em família lá, ensinar pro nosso filho um pouco mais sobre nossos princípios. Foi muito bom podermos orar e receber respostas tão imediatas, orar por todos os nossos familiares. Depois de tantos estresses, sentir o espírito do Templo foi revigorante.

Voltamos pra casa mas dessa vez eu enchi o saco pra sairmos com bastante antecedência. Conseguimos pegar o vôo sem remarcar (ufa!) e chegamos em casa… Ainda sem água!!! Ficamos sem água até a terça-feira seguinte. Um total de 5 dias sem água e meu humor nos melhores dias. #sqn

Metas para 2017
{Teatro} VeRo – Cia de dança Déborah Colker
Eu e minha mania de Hermione Granger