Um sonho: ser mãe

Em 11.09.2013   Arquivado em Maternidade

A minha lembrança mais antiga de verbalizar para outras pessoas que eu tinha o sonho de ser mãe foi quando eu tinha por volta dos 13 anos. Sabe aquele tempo que você mandava seu endereço pra revista da moda e trocava cartas com outras leitoras? Eu me correspondia com uma menina de Florianópolis e ela me perguntou qual era meu maior sonho. Eu respondi pra ela que era ser mãe.

Acho que não foi por acaso que eu comecei meu enxoval do casamento aos 16 anos, mesmo sem namorado e sem a menor perspectiva de casamento. Na verdade, eu queria muito formar uma família e ser mãe.

Ok, eu fui pra faculdade, eu trabalhei, estudei, fiz aula de canto, violão, natação, academia, saí à noite, fiz tudo que eu quis fazer. Mas aquela brasinha sempre estava acesa: quero ser mãe.

Quando casei, as coisas não estavam fáceis. Éramos 2 estudantes, e meu salário era de estagiária, e o dele, embora não fosse, não era grande coisa. Pagando aluguel a coisa ficava mais apertada ainda. As pessoas me criticaram muito sobre por que eu iria me casar antes de estar formada na faculdade, por que eu não esperava mais um pouco, até nós 2 estarmos formados, juntarmos dinheiro pra fazer uma grande festa e mobiliar a casa… Bom enfim, entenderam, né? Quase ninguém apoiou meu casamento porque achava que casamento era a menor das prioridades pra uma mulher de 25 anos.

Depois do casamento, as pessoas me recomendavam (pra não dizer outra palavra) com bastante veemência que, já que eu não tinha escutado ninguém e tinha casado, então era pra eu não ter filhos por muitos anos. Os primeiros 2 anos seriam pra curtir o casamento, viajar. Depois dos 2 anos, se ainda tivesse alguém sem formação da faculdade, deveríamos esperar mais um pouco. Depois, meu marido ainda teria que ter um bom emprego, estável, de preferência emprego público, e estar pelo menos cursando uma pós graduação. Tantos requisitos que as outras pessoas me faziam para ter filhos me deixavam tonta. Ok que filho é uma grande responsabilidade e ok que dá muita despesa, mas e cadê a fé nessa história toda? Mas tudo bem, fiquei na minha.

Eu e meu marido particularmente estávamos planejando esperar 1 ano para conseguirmos nos estabilizar emocional e financeiramente, para aí sim começar a tentar ter filhos. Em nenhum momento nos passou pela cabeça esperar todos os requisitos que as pessoas de fora impunham. Assim como eu, ele também acredita que pra criar um filho, é preciso mais fé do que qualquer outra coisa. Foi na base da fé que ele cresceu com sua família, assim como eu. Nenhum de nós está traumatizado por não ter tido os melhores brinquedos e roupas, pelo contrário, nutrimos sentimentos maravilhosos por nossos pais por estarem sempre tão dispostos a fazer o que é certo e nos darem o máximo dentro de suas possibilidades.

Bom, eu falei da nossa programação, não é? Pois é, 1 ano pra começar a tentar. Mas quando a gente planeja por conta própria e não pergunta pro Cara lá de cima se Ele concorda, ele costuma mostrar que a opinião Dele é para ser considerada também. E Ele nos mandou um ser muito especial quando tínhamos apenas 6 meses de casamento.

Não que quiséssemos deixar de ter filhos para viajar, sair à noite, comprar uma TV última geração e aparelhos eletrônicos que começam com a letra “i”. Não não. Apenas uma precaução da nossa parte para ter um mínimo de estabilidade. Quando descobrimos que eu estava grávida, meu marido tinha um olhar de peixe morto que eu nunca mais me esquecerei hehehe… Passado o primeiro choque, exercemos nossa fé, e o Senhor abençoou. Não tínhamos dinheiro pra fazer o enxoval, mas ganhamos tantos presentes, tantas coisas lindas pro bebê! Um casal de amigos nossos estava se mudando e deu todos os móveis do quarto pra gente! Foi assim, sinceramente, um milagre. A casa ficou entulhada de tanta coisa! E quando nosso bebezinho virou um anjo, as pessoas mais uma vez me criticavam, com o fato de eu querer dar todo o enxoval pra alguém que precisasse. Sinceramente as críticas não me afetam, eu e meu marido fazemos o que achamos que é o certo. Todo (todo mesmo) o enxoval foi pra uma mamãe que estava no 8º mês de gravidez e não tinha nada pro bebê! Nem sei quem é a moça, nem sei quem é o bebê, sei que meus tios vieram aqui e pegaram tudo, e a casa ficou vazia de novo. Nosso sentimento de fé era: essas coisas já fizeram seu papel aqui conosco, agora vão pra alguém que precisa, e quando tivermos outro bebê o Senhor vai abençoar novamente pra que possamos ter as coisas pro nosso filho. Não sabemos como, mas sabemos que sim.

E aqui estamos nós de novo, esperando o 2º bebê! Nenhum dos 2 se formou na faculdade ainda, mais uma vez não estávamos planejando filhos no momento. Apenas fomos escolhidos novamente e soubemos que estávamos grávidos, e o Senhor abençoou. Nosso bebê tem um enxoval mais do que completo.

Pra se ter filhos, não é preciso rios de dinheiro sobrando, curso universitário, viajar o mundo antes, ter todos os aparelhos eletrônicos, casa e carro. Nada disso! É preciso ter fé que as coisas vão dar certo, trabalhar pra fazer dar certo e ter bastante paciência. O resto o Senhor completa.

  • Mari

    Em 11.09.2013

    Apesar de não concordar em alguns pontos, acredito que as pessoas falam demais e se metem demais na vida alheia. Cada um sabe da sua vida, seus sonhos e suas prioridades. E de uma coisa, eu concordo: Deus vai abençoar muito esse bebê lindo, o papai e a mamãe dele.
    Beijos

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    Mariana Cruz Reply:

    hehehehehehe obrigada :)
    bjos

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