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{Uma mulher para admirar} Irena Sendler

Em tempos onde as mulheres admiradas vestem roupas menores que o necessário, fazem gestos obscenos e apologia às drogas e sexo, eu fico pensando onde esse mundo vai parar. Se antes, as pessoas usavam como exemplo pessoas boas que faziam pequenas e generosas ações, hoje a maioria usa como exemplo as "glamourizadas" com bastante dinheiro, ostentação, indo pra reabilitação de tempos em tempos e algumas sendo presas. Essas mulheres trocam de namorado e até de marido como quem troca de roupa e eu vejo os valores tão distorcidos que fico um pouco perdida no meio disso tudo.

Como eu não me importo em ir na contra-mão da vida, não me importo de remar o barco contra a maré, de vez em quando (uma vez por mês? sei lá… ainda não defini direito isso) vou mostrar algumas mulheres admiráveis, mas pelos motivos certos.

E pra estrear nossa nova coluna, não podia deixar de ser a Irena Sendler. Ela foi conhecida como o Anjo do Gueto da Varsóvia. Quem acompanha o blog sabe que eu já falei (aqui, aqui e aqui) que eu amo ler sobre história e a Segunda Guerra Mundial tem um lugar grande no meu coração, sadicamente. Irena Sendler foi uma assistente social que vivia nos arredores do Gueto, na Varsóvia, na época em que os nazistas estavam levando judeus e outras minorias pros campos de concentração.

Apavorada com o destino das pessoas, e principalmente das crianças, ela começou a arriscar a própria vida pra salvá-los. Com credenciais do Gabinete Sanitário, ela entrava no Gueto com a desculpa de fazer verificações para não ter epidemia de tifo, mas chegando lá ela entrava em contato com as famílias judias que logo seriam levadas aos campos. Ela tentava convencer os pais a levar seus filhos e entregar pra outras famílias que quisessem recebê-los, pra que não fossem levados aos campos. Com essa luta muda, Irena conseguiu salvar mais de 2500 crianças, levando pra fora do Gueto dentro de caixões, sacos de defuntos, cestas de lixo, malas e como pudesse.

A cada criança salva, ela anotava o nome verdadeiro, o novo nome que a criança recebia e pra onde ela ia, e colocava em um vidro. Durante uma revolta na guerra, ela precisou enterrar esse vidro no jardim de uma vizinha pra não ser achado. Irena ainda foi presa e torturada pela Gestapo, mas não contou nada, nem entregou ninguém que a tivesse ajudado. Foi condenada à morte, e um dia antes de sua execução, um oficial da Gestapo a pegou pra um interrogatório, mas na verdade abriu a porta pra ela fugir. E assim sobreviveu Irena Sendler, até 2008, quando faleceu.

Não consigo sequer imaginar realmente viver tudo que ela viveu. Só de pensar naquela época negra da guerra eu fico com nó no estômago. Como mãe, fico imaginando como deve ter sido difícil deixar seu filho ir embora com uma pessoa desconhecida, sem saber pra onde ia e nem se sobreviveria. Mas ficar com o filho significava com certeza a morte. Não consigo ter uma real noção do tamanho do sofrimento, mas posso imaginar. Como mulher, tenho que dizer que Irena foi muito homem. Mais homem do que muita gente com documentos balançando por aí. Como cristã, posso dizer que essa é a verdadeira caridade, amar o próximo como a ti mesmo, dar sua vida se fosse preciso, pelo seu próximo. Uma mulher admirável. Quando crescer, quero ser um décimo do que ela foi. 😉

Quem quiser ver mais detalhadamente, na Wikipedia tem um documento bem completo dela.

Quem quiser ver o filme da história dela, é só dar o play.

E vocês? Que mulheres vocês admiram? 😉

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2 comentários
  • Antonio Francisco

    Muito legal a coragem e a decência quando é usada em nome da justiça. Belo post.

    [Reply]

    Mariana Reply:

    :)

    [Reply]

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